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Até logo, Hillary Ninguém acredita nas declarações da quase ex-secretária de Estado de que não disputará a Casa Branca Personagem

PAULO SOTERO É JORNALISTA, DIRETOR , DO BRAZIL INSTITUTE DO WOODROW WILSON INTERNATIONAL CENTER FOR SCHOLARS, , EM WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2013 | 02h 07

PAULO SOTERO

Ninguém leva a sério em Washington a hipótese de que Hillary Clinton encerrará sua carreira política esta semana, quando entregar o Departamento de Estado ao senador John Kerry, depois de quatro exaustivos anos no mando da diplomacia dos Estados Unidos, durante os quais bateu todos os recordes de milhas voadas e países visitados por diplomatas de seu país. Tampouco se dá crédito às declarações que ela tem feito a amigos de que não será candidata à Casa Branca em novembro de 2016. Presume-se, é óbvio, que o evidente desgaste físico que sofreu no serviço ao país não tenha causado danos graves à sua saúde.

Admirada ao redor do mundo e nos Estados Unidos, onde desfruta de uma taxa de aprovação superior à do popular presidente Barack Obama, aos 65 anos Hillary Clinton voltará a ser uma pessoa, digamos, normal, depois de mais de duas décadas na ribalta, com um invejável leque de opções sobre como continuar sua extraordinária trajetória. A controvérsia gerada pela resposta atabalhoada do Departamento de Estado ao ataque terrorista contra o consulado americano em Benghazi, em setembro, no qual morreram o embaixador nos EUA na Líbia, Chris Stevens, e três outros funcionários, exigiu explicações da secretaria de Estado à Comissão de Relações Exteriores no Senado em sua última semana no posto. Mas Hillary passou por coisas piores nos seus anos em Washington e o episódio será em breve uma nota de rodapé.

O futuro da ex-secretária de Estado começará com um período de recolhimento, descanso e reflexão à la Hillary, ou seja, com método e objetivos bem definidos. Como observou Ruth Cardoso, que conviveu com ela como primeira-dama, "com a Hillary não tem small talk". As escolhas que ela fará quando emergir do retiro, em abril ou maio, serão examinadas com lupa à luz de uma única medida: o que elas significam para o projeto pessoal que, apesar dos desmentidos, todos atribuem à ex-superadvogada, ex-primeira-dama e ex-senadora de entrar para a história como a primeira mulher presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2017.

Por esse critério, estão afastadas atividades que possam atrapalhar uma eventual corrida à Casa Branca, como, por exemplo, contratos milionários de consultoria para empresas e governos. Mais provável é que Hillary dedique seu tempo a projetos que reforcem sua reputação de mulher incansável e disciplinada, movida por seu interesse na concepção, formulação e articulação de políticas públicas e na promoção da igualdade das mulheres e dos direitos das crianças à educação e saúde, pela quais milita desde a juventude. Cabem, nesse universo, atuar numa comissão importante da ONU e produzir um livro sobre a estratégia internacional dos EUA num mundo em rápida transformação, sobre os desafios que enfrentou como secretária de Estado. A obra serviria como plataforma de campanha, caso ela decida concorrer, e ajudaria as finanças da família. A expectativa é que negocie um adiantamento igual ou superior aos US$ 8 milhões que embolsou da editora Simon& Shuster pela autobiografia, Living History, publicada em 2003. O circuito de conferências é outro caminho natural para Hillary. Oradora exímia desde os tempos da universidade, ela certamente usará seu talento para manter-se em evidência e sustentar um estilo de vida caro, que inclui uma assessoria de bom tamanho, viagens em jatos executivos, manutenção das residências que possui em Washington e Nova York e compra de uma terceira casa, que ela sonha em ter nos Hamptons.

Ninguém, porém, sabe ao certo o que Hillary fará da vida - nem ela própria. "Desconfie de quem diz que sabe", aconselhou recentemente Philippe Reines, porta-voz do Departamento de Estado. Ele mesmo acrescentou, no entanto, que "ninguém interage com Hillary Clinton como se ela estivesse saindo de cena". Bill Clinton disse numa entrevista que sua mulher será muito bem-vinda se quiser arranchar em sua fundação durante um período de transição. Mas acha que ela deve montar sua própria operação. O ex-presidente não esconde dos amigos que quer ver Hillary no Salão Oval. Faz todo sentido, mesmo que ela realmente não tenha planos de se candidatar. É a melhor forma de manter o capital político do casal. É também uma deliciosa maneira de saborear o triunfo pessoal de Hillary e alimentar a angústia que a ideia de seu retorno provoca entre os adversários conservadores que passaram a década de 1990 em guerra com o casal.

O republicano Newt Gingrinch, que infernizou a vida de Hillary e de seu marido nos anos em que ocupou a presidência da Câmara dos Representantes, diz que é "virtualmente impossível" a um rival democrata tirar dela a candidatura daqui a quatro anos. Os conservadores, que perderam o pulso político do país ao abraçar a intolerância e o fundamentalismo numa América cada dia mais tolerante, inclusiva e diversa na composição racial de seu povo, obviamente temem a volta de Hillary. Sabem que ela poderia estender sua travessia do deserto por 16 anos e condená-los à irrelevância - razão pela qual 90% dos eleitores democratas querem que a despedida seja apenas um até logo.

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