Criar uma hidrovia no Rio Tietê é alternativa eficaz de transporte?

Proposta quer tornar o rio navegável

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2009 | 23h16

O governo do Estado pretende criar um hidroanel metropolitano para levar toda a carga - ou parte dela - o mais próximo possível do Porto de Santos ou de pontos de distribuição que integram sistemas como Rodoanel e Ferroanel. Assim, se aproveitaria a conexão entre o Tietê e o Rio Pinheiros, que seriam ligados às represas Billings e Taiaçupeba, ambas na Grande São Paulo. Estima-se que o projeto custará R$ 2 bilhões e levaria ao menos 20 anos para ser concluído.

Resultado da enquete:

Sim> 91%

Não> 9%

O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS

?O volume de água no entorno da capital torna inviável o projeto?

CRESO DE FRANCO PEIXOTO

MESTRE EM TRANSPORTES E PROF. DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI

Navegar nos canais do Tietê e Pinheiros exige aprofundamento e manutenção constantes. A atual patologia crônica de portos brasileiros quanto à falta de dragagem justifica dúvida quanto à efetividade de hidrovia para carga em São Paulo. As necessárias eclusas, obras de elevado custo e que exigem vazão hídrica mínima para operar, sobrecarregam as incertezas. A pluviometria média e o porte das bacias hidrológicas à montante da região urbana diminuem a viabilidade de empreendimentos desta ordem. O volume de água represada no entorno da capital não atende nem à demanda das nossas torneiras. Quanto à construção de canais, desníveis e impacto ambiental focado sob a atual lei ambiental justificam um prazo de execução que ultrapassará décadas. Onde se podem instalar entrepostos, considerando a alta taxa de ocupação metropolitana, circundada por áreas de preservação ambiental? Isso sem contar o impacto deste tráfego pesado na Billings, frágil ecossistema tão aviltado por ocupação desordenada e esgotos indevidos. Não subentendo viável tal projeto de navegação.

?A hidrovia contribui para a redução do tráfego de caminhões?

DARIO RAIS LOPES

PROFESSOR DE ENGENHARIA DE TRANSPORTES DO MACKENZIE

A hidrovia no trecho metropolitano do Tietê é uma alternativa eficaz. Embora esta não seja a solução ideal, ela é parte de uma solução associada a uma visão de logística urbana (no caso, metropolitana), com estímulo à intermodalidade do transporte de cargas, buscando reduzir o desequilíbrio da matriz de transportes - essencialmente rodoviária - com alternativas mais eficientes energeticamente e mínima emissão de poluentes. Vale lembrar que na capital circulam anualmente mais de 110 milhões de toneladas de areia, brita, cimento e entulho, o que corresponde a 26 mil viagens diárias de caminhões. Com foco em segmentos de carga, o uso de 41 km entre as barragens da Penha e Edgard de Souza poderá contribuir para a redução do tráfego de caminhões, com consequentes melhoras no trânsito e na qualidade do ar. Não há, neste trecho, empecilhos físico-operacionais significativos. Obras complementares, conjugadas com o uso de tecnologia específica para navegação em hidrovias de baixa profundidade, garantem condições para um serviço contínuo.

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