'Eletroeletrônicos são descartados sem que as pessoas considerem o impacto ambiental'

Carta aberta aos consumidores brasileiros

O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2009 | 01h13

Ricardo Kobashi Hernani Dimantas

FUNDADORES DO COLETIVO LIXO ELETRÔNICO (WWW.LIXOELETRONICO.ORG)

Faça uma conta comigo. Hoje temos 170 milhões de celulares habilitados no Brasil. Se a cada 2 anos trocarmos o aparelho antigo por um novo, serão cerca de 85 milhões de celulares descartados por ano - e 85 milhões de qualquer coisa virando lixo anualmente são, obviamente, um problema. Ainda mais se o material for tóxico, difícil de ser separado e reciclado. E sem leis nem fabricantes preocupados com o destino de todo o lixo, aí a coisa piora. Aparelhos eletroeletrônicos como celulares, computadores, televisores e videocassetes vêm sendo produzidos, consumidos e descartados sem que as pessoas levem em conta o impacto ambiental. A maioria deles utiliza substâncias tóxicas e metais pesados, como mercúrio, cádmio e chumbo. É um material que não pode ser descartado como lixo comum. Há certo consenso no que deve ser feito. Chama-se logística reversa, ou seja, o produto ao ser descartado deve seguir o caminho inverso ao que foi feito durante a venda. Como se consumidores, varejistas, distribuidores e fabricantes fossem, solidariamente, responsáveis em dar uma destinação ambientalmente segura ao produto. O projeto de lei federal que trata do assunto tem 18 anos e nunca foi votado. Temos uma lei estadual à espera de regulamentação e um projeto de lei municipal moderno e inovador, mas ainda em fase inicial. Se fabricantes e varejistas precisam de uma lei para fazer sua parte, eu não preciso. Na próxima vez que for comprar um eletroeletrônico vou levar o antigo e entregar para o vendedor. E se ele perguntar alguma coisa, vou explicar: "Chama-se logística reversa, ou seja, o produto ao ser descartado..."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.