A desmoralização do bolão!

Quando a gente pensa que não há mais conto do vigário que se possa ainda inventar no País, o "erro lamentável" da lotérica de Novo Hamburgo foi um golpe e tanto na boa-fé do apostador. Pode até não ter abalado a devoção do brasileiro à Mega- Sena acumulada, mas atingiu em cheio a credibilidade de uma instituição nacional em ano de Copa do Mundo: o bolão, definitivamente, subiu no telhado.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2010 | 00h56

Nem todo bolão é igual - a brincadeira será bem diferente quando a bola rolar na África do Sul -, mas não há como restabelecer até o meio do ano a confiança no sistema de banca informal, preceito básico nesse tipo de jogo cotizado entre os próprios apostadores. Todo mundo vai pensar duas vezes antes de meter a mão no saco de um colega de trabalho em busca de um número de camisa da seleção para torcer que seu dono em campo seja o autor do primeiro gol do Brasil na Copa. "E se o cara sumir de véspera com a grana?"

Tão grave quanto o trapaceiro em carne e osso, o fantasma do conto do vigário não se esvai com a comprovação de erro humano da funcionária gaúcha da Esquina da Sorte. O Brasil inteiro viveu essa semana assombrado pelo drama dos 40 apostadores que dormiram milionários e ainda não acordaram desse pesadelo. Ninguém vai parar de jogar por causa disso, mas a graça de participar de um bolão nunca mais será a mesma depois daquilo tudo em Novo Hamburgo.

Calor humano

A cada ano que passa, Porto Alegre fica mais quente no verão. Luis Fernando Verissimo costuma dizer que a sensação térmica por lá só piora desde que Patrícia Poeta largou o posto de moça do tempo do Jornal Nacional.

No armário

Isso que nos tribunais eleitorais chamam de "doador vedado", no mundo gay é supercomum. Turma que não sai do armário, em geral, paga a conta.

Mal comparando

José Roberto Arruda emagreceu cinco quilos na cadeia. Tem político do DEM que, para perder o mesmo peso, sofreu muito mais no pós-operatório de redução de estômago.

Pra frentex

A assessoria de Aécio Neves esclarece: a maior parte das louras que confirmaram presença na festa de quarta-feira dos 50 anos do governador foi convidada para o centenário de Tancredo Neves, comemorado na mesma ocasião. Ah, bom!

No embalo

Depois de se desfiliar do DEM e renunciar ao governo do DF, Paulo Octávio quase pede o divórcio em casa. Só não acabou com tudo logo de uma vez para não dar mais esse desgosto a Juscelino Kubitscheck, avô de sua mulher. Ficou de pensar no assunto depois do aniversário de Brasília.

Pai Joel

Ciro Gomes pode pedir ajuda espiritual a Joel Santana para derrotar Serra, Dilma e Marina nas urnas. O técnico, como se sabe, já operou milagres bem mais complicados no futebol carioca.

Ulalá!

A França teve bons motivos para tirar do ar a campanha antitabagista que associava o ato de fumar ao sexo oral. Parece que muita gente que nunca havia colocado um cigarro na boca ficou curiosa.

Tudo velho

Parece mentira, mas a tal reforma da saúde nos EUA, que muitos apontavam como a única vitória do governo Obama, voltou a disputar o título de notícia enguiçada da década, desta vez com uma versão piorada do projeto original, de novo à espera de aprovação no Congresso americano. Aproveitando o retrocesso, a OMS retomou nos jornais aquele papo de pandemia de gripe suína.

Argh!

O Palácio do Planalto já admite que, toda vez que o José Dirceu joga qualquer coisa no ventilador, respinga em Dilma Rousseff. Que nojo, né não?

O gajo

Cristiano Ronaldo cansou de querer ser lindo! Modesto como ele só, o craque português fala agora em virar lenda.

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