'A favela é a opção de residência que resta a muitos para poder trabalhar na metrópole'

Carta aberta aos governantes do País

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 21h47

Maria Ruth Amaral de SampaioPROFESSORA DA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOA notícia divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de que mais de um terço da população urbana brasileira vive em favelas e esse número cresceu cerca de 42% nos últimos 15 anos tem alguns significados. O mais importante deles é a ineficiência da política habitacional. E não se trata apenas da habitacional, mas também da política econômica e de inclusão social dessa população.A decisão de viver na favela mostra que essa é ainda a opção que resta aos brasileiros que querem morar nas metrópoles em busca de emprego e de melhores oportunidades, apesar das condições precárias de existência que têm de enfrentar. A notícia menciona também que os gastos com aluguel absorvem 30% do salário, o que significa um orçamento mais exíguo para os encortiçados que vivem nas áreas centrais de São Paulo e Rio de Janeiro e pagam aluguel, mas chamam menos atenção do que os favelados por se encontrarem mais dispersos na malha urbana. O novo programa de urbanização de favelas que teve início em São Paulo este ano é um esforço conjunto dos governos federal, estadual e municipal, com o objetivo de melhorar as condições de vida, inicialmente em pelo menos um terço das favelas paulistanas. Espera-se que, independentemente dos resultados da eleição municipal, esse programa cumpra seus objetivos, melhorando as condições sociais e de habitação dessa população.

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