'A 'janela da traição' abre brecha de 30 dias para que se possa saltar a cerca'

Carta aberta à Câmara dos Deputados

Efraim Filho, deputado federal (DEM-PB) e presidente Nacional da Juventude Democratas, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2008 | 23h58

Mudar não é fácil. Às vezes se dá um passo à frente e dois para trás. No caso da fidelidade partidária, alguns políticos tentam agora criar uma janela escancarada para a traição. Em 2007, o TSE atendeu à consulta dos Democratas e tomou decisão favorável pela fidelidade partidária. A partir daí, o governo ficou de mãos atadas para continuar a "sangria" contra as oposições, ato que praticava com requintes de luxúria e crueldade. Foi o fim da cooptação por meio do loteamento de cargos e promessas de vida fácil na liberação de emendas. As portas estavam fechadas ao "poder de sedução" do governo. Mas agora decidem arrombar a casa, pulando as janelas. O deputado Flávio Dino, sob o manto do projeto de lei 124/07, quer abrir uma brecha de 30 dias para que se possa saltar a cerca, sem dar satisfação ao partido e tampouco ao eleitor. É a "janela da traição". A partir de agora, o deputado terá dia e hora marcada para trair. A boa nova é que ainda há tempo de rever essa incoerência. A consolidação da fidelidade partidária deve ser o primeiro passo da reforma política. É um conceito que chegou para ficar. O eleitor não agüenta mais assistir ao troca-troca de partidos a cada eleição. Para quem ainda acredita que a democracia se concretiza por meio dos partidos, boa janela aberta é o debate público de idéias, a coerência e o respeito à vontade do eleitor.

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