'A má distribuição de médicos decorre das desigualdades regionais de desenvolvimento'

Carta aberta ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 21h27

Henrique Carlos GonçalvesPRES.DO CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULOA ausência de médicos em 455 municípios é um exemplo claro de que o nosso sistema de saúde ainda está longe de ser universal e igualitário para todos os brasileiros. O problema da má distribuição de médicos decorre em parte das desigualdades regionais de desenvolvimento: é nos pólos econômicos que se concentra a maioria dos profissionais e serviços de saúde. Além disso, os governos nunca tiveram uma política que favoreça a fixação dos médicos em seus locais de trabalho. Até hoje não avançou o plano de cargos, carreiras e salários do Sistema Único de Saúde, e são ruins as condições de trabalho, com terceirização da gestão, deterioração da rede física e dos equipamentos, escassez de leitos de UTIs, superlotação em pronto-socorros e colapso dos serviços de urgência e emergência. A maior quantidade de médicos não proporciona, por si só, melhoria da atenção em saúde. No Brasil não faltam médicos. Já são mais de 300 mil profissionais em atividade, contingente que só faz aumentar devido à irresponsável abertura de novos cursos de medicina, que somam 176 em funcionamento no País. O sistema de saúde jamais será eficaz e eficiente sem um ensino médico de qualidade. Após 20 anos do SUS, é hora de reconhecer os avanços e cobrar dos governantes suas responsabilidades constitucionais.

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