A paixão da Marina

Em 1992 conheci a paixão da Marina pela fotografia num acidente náutico na baía de Paraty. Na ocasião, após uma queda do barco, armada de uma pesada F2, ela teve o ventre duas vezes perfurado por um cunho traseiro de atracação. Durante o resgate, indiferente aos cortes, lamentava as fotos e a máquina perdidas. Fotógrafos são seres de especial obstinação.

Amyr Klink,

14 de julho de 2013 | 02h10

Pouco tempo depois, em outra viagem para registrar técnicas regionais de construção naval no Maranhão e no Ceará, Marina, ainda aprendiz, revelou um olhar de mestre ao perceber a extraordinária diversidade de estilos, feitios e engenhosidades locais para se fazer barcos - e, deles, sustento.

Entre tantos fotógrafos que embarquei para o sul, poucos souberam tirar tão bom proveito. Marina foi a mais frequente viajante a bordo e, nos últimos dez anos, compreendeu como poucos as possibilidades de uma plataforma versátil e incomum de navegação. No final, ninguém passou mais horas suspenso a 11 andares de altura, no topo dos mastros, ou plantado na ponta das retrancas, tentando capturar imagens novas ou melhores.

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A beleza assustadora de ventos com mais de 100 nós, a fauna, a inusitada flora da região, a diversidade mineral, os encontros, nada lhe escapou. E, entre as dificuldades clássicas que vitimam fotógrafos experientes - lentes condensadas, dedos anestesiados, borrifos de sal e granizo -, nenhuma a impediu de realizar seu intento. A prova são as lindas imagens de seu livro.

* AMYR KLINK É ECONOMISTA E NAVEGADOR. É AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE CEM DIAS ENTRE CÉU E MAR (CIA. DAS LETRAS)

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