'A popularidade que os pequenos atores alcançam não deixa de ser uma modalidade de trabalho infantil'

*GERENTE DE MOBILIZAÇÃO DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA (ANDI)

Carlos Ely*, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 22h36

A recente proibição judicial da apresentadora mirim Maisa Andrade de participar do quadro Pergunte para Maisa, no Programa Silvio Santos, reforça uma antiga preocupação que as organizações de defesa dos direitos de crianças e adolescentes têm com relação ao trabalho infantil no meio artístico. Não é de hoje que ONGs e Ministério Público vêm chamando atenção para os riscos que a participação precoce e mal orientada de meninos e meninas em programas de TV, peças teatrais, filmes e outras formas de espetáculo pode significar para o desenvolvimento psicológico e emocional dessas crianças. Aos problemas gerados pelos exaustivos períodos de gravação e ensaios, que costumam provocar impacto sobre a saúde e os estudos dessas crianças, somam-se riscos da superexposição da imagem e das eventuais situações de humilhação e constrangimento. Num momento tão fundamental para a formação da identidade, não são raros os incidentes envolvendo crianças e adolescentes que tiveram prejuízos psicológicos devido à enorme visibilidade pública. É importante que a sociedade aperfeiçoe os mecanismos para evitar que situações como essa sigam se repetindo - o que deve incluir caminhos para a devida responsabilização dos envolvidos nesses episódios. O glamour e a popularidade que esses pequenos atores alcançam não devem tirar de foco a compreensão de que estamos tratando de uma modalidade de trabalho infantil. Além dos empregadores, os pais e responsáveis por esses meninos e meninas devem estar alerta para a gravidade desses riscos. Acima de tudo, o que está em jogo é a garantia dos direitos dessas crianças e adolescentes a um desenvolvimento saudável.

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