A primavera americana

Pena indecorosa

Tutty Vasques escreve todos os dias no portal. de terça a sábado no Metrópole e aos domingos neste caderno. , O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2011 | 03h06

Membros do Conselho de Ética

da Câmara dos Deputados devem aprovar nos próximos dias uma

moção de solidariedade ao empresário Oscar Maroni Filho. Onze anos de cadeia para o tipo de falta de

decoro cometida pelo dono da

boate Bahamas, francamente, onde

é que nós estamos, caramba?

Futuro de star

Pela recepção calorosa que teve dia desses no Rio, o refugiado italiano

Cesare Battisti ficou com a impressão de que, se voltar a morar na Cidade

Maravilhosa, onde viveu há 5 anos na clandestinidade, tem tudo para ocupar o vazio que Ronald Biggs deixou no mundo mix das celebridades cariocas. Na virada dos anos 80/90, o lendário assaltante inglês fez história em

Copacabana como dono da boate

Crepúsculo de Cubatão.

Fenômeno

É grande a expectativa no Congresso para a anunciada reabertura das

investigações sobre o enriquecimento de Antonio Palocci. Todo mundo quer saber como o ex-ministro

emagreceu 15 quilos em 6 meses,

sem operação de estômago.

Modelo FHC

Os tucanos estão de novo

escondendo as ações do governo FHC. Ninguém do PSDB veio a

público se gabar do Proer que a União Europeia acaba de copiar para

salvar o banco franco-belga Dexia.

Comédia desconstruída

Sarah Palin renunciou à possibilidade de indicação republicana para

concorrer à sucessão de Barack

Obama. Isso quer dizer o seguinte:

as eleições presidenciais de 2012

perderam inteiramente a graça.

Mal comparando

O que mais impressionou a presidente Dilma na Bulgária foi a quantidade

de "malfeitos" no país do pai dela.

E ainda tem gente que chama

o Brasil de corrupto. Ô, raça!

iPâncreas

O pâncreas que matou Steve Jobs é um negócio que ninguém sabe o que é, pra que serve e onde fica. Ou seja, é o oposto das invenções do gênio da Apple.

Por mais justo e oportuno que seja o protesto, ato público algum hoje em dia tem visibilidade sem uma ajudinha das forças de repressão. Mesmo com aquele bando de malucos acampados por três semanas numa praça em pleno centro financeiro de Manhattan, o movimento Ocupar Wall Street só conseguiu visibilidade na grande imprensa americana depois que, para desobstruir a Ponte do Brooklyn, a polícia prendeu 700 manifestantes no domingo passado.

Nem foi preciso descer a borracha, como se faz habitualmente nas ruas de Santiago do Chile e de Atenas, na Grécia. Em Nova York, meca das liberdades individuais, o simples uso de algemas de plástico bastou para botar a opinião pública do lado dessa galera diferente na celebração da morte anunciada do capitalismo voraz.

Dia seguinte, o número de ativistas fantasiados de "zumbis corporativos" praticamente dobrou em NY, fazendo a mobilização avançar por Los Angeles, Chicago, Boston, Washington e Kansas City. Tomara que mantenha por aí afora o bom humor incomum aos rituais de excluídos, marca registrada dessa primavera americana meio hippie, meio eletrônica, pretensamente visionária de uma nova ordem mundial.

"Comam os ricos!" - alguém recomenda numa tabuleta, sob faixa em desafio aos operadores da Bolsa de Valores da vizinhança: "Trabalhe, consuma, cale-se e morra. Confio em sua apatia!" Podem até, como dizem, se inspirar na Primavera Árabe e nos Indignados espanhóis, mas o modus operandi da coisa é diferente do que já se tentou fazer recentemente para mudar tudo-isso-que-aí-está.

Na semana em que o mundo perdeu a inventividade de Steve Jobs, a esperança de uma saída criativa pode se renovar nas manifestações previstas para hoje, especialmente em Manhattan. A polícia de NY está, desde ontem, de prontidão pra dar aquela forcinha ao movimento.

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