A restrição à circulação de caminhões em São Paulo deve ser ampliada?

Caminhoneiros reagem contra a proposta O prefeito Gilberto Kassab oficializou na semana passada a proposta de ampliar a área de restrição de circulação de caminhões de 25 para 100 km2, abrangendo quase todo o Centro Expandido, com exceção das áreas da Zona Cerealista e do Pari. A proibição será das 5h às 21h. Descontentes com a proposta, os cerca de 50 mil caminhoneiros autônomos da cidade ameaçaram paralisar as atividades. Eles têm dez dias para propor alternativas à secretaria municipal de Transportes.Resultado da enquete:Sim> 69%Não> 31%O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS"Esta foi a escolha feita na maior parte das metrópoles do mundo"JAIME WAISMAN ENGENHEIRO, PROF. DA POLI-USP E DIRETOR DA SISTRAN ENGENHARIAO aumento à restrição de circulação de caminhões em São Paulo é uma espécie de escolha de Sofia aplicada ao trânsito: sacrifica-se (retira-se) os caminhões (mais lentos, maiores) e melhora-se a circulação do transporte coletivo, táxis e automóveis. De fato, esta foi a escolha feita na maior parte das metrópoles do mundo. Afinal, cargas não têm compromissos, nem horários. Não há nada que justifique, por exemplo, o abastecimento de postos de combustível por carretas durante o dia, quando estes postos de serviços permanecem, na maioria das vezes, abertos 24 horas. A limitação da circulação de caminhões (via rodízio) e a proibição das operações de carga e descarga durante o dia (das 5 às 21 h) no centro expandido levará a uma reprogramação de horários e à readequação de determinadas atividades na cidade, bem como a uma eventual redução de custos de transporte.Hoje, um caminhão que, devido ao congestionamento geral do sistema viário faz, digamos, 10 entregas/dia, poderia fazer, por exemplo, 20 entregas/dia, operando durante a noite, quando as vias estão liberadas."É o automóvel que atrapalha o transporte coletivo e de cargas"HORÁCIO FIGUEIRA ENGENHEIRO E DIRETOR DA CONSULTORIA HORA H A quem interessa a melhoria do trânsito em São Paulo? Se a interpretação for a de que é preciso melhorar as condições de circulação dos automóveis, ela está errada. É o próprio automóvel que atrapalha a fluidez do transporte coletivo e de cargas. O Veículo Urbano de Carga (VUC), incluso na medida, é um intermediário razoável entre os caminhões, grandes demais, e as kombis e vans, muito pequenas. O tamanho de um VUC é de 6,30 metros, o que equivale a um carro e meio. Ele transporta o que 6 kombis transportariam e ocupa muito menos espaço. Além disso, os dezenas de milhares de pequenos pontos comerciais da cidade não têm equipe e segurança para receber cargas noturnas. Para terminar, proponho uma conta. Supondo que sejam tirados de circulação 40 mil caminhões e que cada um corresponda a 4 carros. Cerca de 500 novos automóveis entram na frota da cidade por dia. Em menos de 11 meses, o efeito dos 40 mil caminhões eliminados seria anulado. É preciso tomar cuidado, porque, em breve, podemos concluir que é o pedestre que atrapalha o trânsito de São Paulo.

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2008 | 22h11

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