'Alimentos não podem ser tratados como os outros bens de consumo'

Carta aberta à indústria brasileira alimentícia

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2008 | 00h42

José Augusto Taddei PROFESSOR DE NUTROLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULOLembro-me quando criança de ir ao armazém fazer compras semanais. O balconista separava, pesava e embalava arroz, feijão, açúcar, sal, farinha, queijo e goiabada. Depois, a ida diária à quitanda, açougue e padaria para as frutas, legumes, verduras, galinha viva, carne e pão. Porém, com a industrialização dos alimentos tudo se simplificou. É só chegar, escolher o que comer e em 30 minutos está tudo pronto. Com essa porção de coisas boas vieram algumas ruins. A competição entre as indústrias de alimentos gerou a falsa necessidade de produzir alimentos cada vez mais atraentes, embora menos saudáveis. São os alimentos com muita gordura, sal, açúcar e pouca fibra, que são introduzidos no mercado com fortes campanhas de publicidade dirigidas principalmente às crianças e aos adolescentes. É o caso dos cereais matinais objeto da pesquisa da Pro Teste, que, na sua maioria, têm muito açúcar, sal, pouca fibra e são caros. Embora práticos e fáceis de servir, eles representam um retrocesso na alimentação infantil. Consumir diariamente esses cereais é uma forma de criar hábitos alimentares que podem resultar em obesidade e suas graves conseqüências. Alimentos não podem ser tratados como os outros bens de consumo. A tecnologia das indústrias de alimentos que nos trouxe tanto conforto precisa corrigir os erros introduzidos pela competição de mercado e pela percepção errada da função social e humana dos alimentos. O que está errado e como chegamos a tal ponto? O sistema de fiscalização é eficiente? As auditorias realizadas periodicamente nos estabelecimentos são suficientes? A qualidade de muitos alimentos se baseia no trabalho da fiscalização. Vamos tornar essa crise positiva em certo ponto.

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