Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Almanaque faz balanço da evolução da literatura fantástica no Brasil

Organizado por Cesar Silva e Marcello Simão Branco, livro traça panorama dos gêneros de fantasia, ficção científica e horror entre 2011 e 2020

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 14h41

O Almanaque da Arte Fantástica Brasileira 2011-2020, organizado por Marcello Simão Branco e Cesar Silva, e publicado pela Avec Editora, chega com uma missão difícil: dar forma a um fenômeno editorial e literário sentido por muitos escritores, editores, pesquisadores, acadêmicos, críticos e leitores, mas que parece difícil de apreender.

A obra traz dezenas de textos sobre livros, filmes, séries, premiações e até eventos, tudo relacionado ao universo de fantasia, ficção científica e horror no Brasil. O enfoque do trabalho é a década que findou há poucos meses, mas há também algum material valioso sobre obras clássicas que pavimentaram o caminho da literatura fantástica no Brasil, de Inglês de Sousa a José J. Veiga.

Marcello Simão Branco e Cesar Silva têm uma extensa carreira como organizadores de antologias e pesquisadores de fantasia, ficção científica e horror no Brasil. Entre 2004 e 2013, eles produziram em dupla o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica; juntos, organizaram As Melhores Histórias Brasileiras de Horror (2018); Marcello editou a fanzine Megalon entre 1988 e 2004, além de Histórias de Ficção Científica Política (2011); e Cesar editou o fanzine Hiperespaço entre 1983 e 2003, além de Rumo à Fantasia (2009). 

No Almanaque da Arte Fantástica Brasileira 2011-2020, eles dão seguimento ao trabalho que fizeram até 2013 no Anuário, colocando em perspectiva o desenvolvimento da literatura fantástica nacional. No livro, obras de expressão especulativa/fantástica de autores consagrados como Socorro Acioli, José Trajano e Joca Reiners Terron dividem espaço com nomes mais identificados à literatura de gênero, como Luis Bras, Roberto de Sousa Causo, Felipe Castilho e Aline Valek.

Há também uma sessão com resenhas de livros estrangeiros, alguns contemporâneos e outros clássicos, publicados no Brasil nesse último decênio.

Além disso, uma luminosa introdução tenta tomar pé do que ocorreu no setor na década passada. De modo geral, os últimos dez anos viram, de acordo com a análise de Marcello e Cesar, a ascensão de editoras voltadas para os gêneros fantásticos, o crescimento do interesse de leitores e acadêmicos pelo tema e uma maior visibilidade aos autores do nicho. Perspectivas otimistas que, espera-se, continuem pelos próximos anos.

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