Ambulatório da notícia

Unidade de tratamento para quem sai mal na foto

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 22h48

Amazônia Fashion WeekNada é por acaso nos movimentos de um performático. A blusa verde de seda crua que Carlos Minc trouxe de Paris para Marina Silva inaugurou em grande estilo a agenda que o novo ministro pretende imprimir em Brasília. O ex-guerrilheiro deu, mais que um presente, uma pequena amostra de sua capacidade de amansar uma mulher braba, não importa de que selva ela venha ou que apito ela toque. Ponto para ele! Marina voltou a sorrir como nos tempos de fundação do PT no Acre depois daquele almoço regado a mimos com o companheiro, na segunda-feira passada.A façanha voltou à tona dias depois no Palácio do Planalto quando a temida Tuíra Caiapó sacou seu famoso facão enferrujado para enfrentar as pretensões do governo de construir uma hidrelétrica no Rio Xingu. Lula pensou até em despachar Minc para Altamira (PA) logo após o ataque selvagem ao engenheiro da Eletronorte, mas logo dobrou-se aos argumentos de seu eco-chato de estimação. Precisaria tempo para mandar confeccionar dois ou três coletes com estamparias de pintura de guerra caiapó, presente para desarmar Tuíra sem ferir ninguém. Imagina só a foto dele ao lado da índia no alto de todas as bancas de jornal do país!É o tipo de iniciativa midiática que Minc não costuma perder, ainda que precise correr riscos operacionais de execução. Vestir colete em Tuíra não será como aquela farra de cobrir com uma camisinha gigante o obelisco da Avenida Rio Branco, no Rio, performance que o notabilizou no final dos anos 80 entre os militantes da luta contra a AIDS. Minc precisará, de cara, convencê-la a largar o facão para não danificar a cava do figurino na hora da prova.Vai ter gente dizendo que ele só quer aparecer, mas, convenhamos, se nem a Marina Silva conseguiu conter o desmatamento, com Minc poderemos ao menos nos divertir com nossa fantástica biodiversidade. Na semana que vem falaremos sobre Mangabeira Unger.Em nome da leiNão é a primeira vez que acontece de uma notícia receber alta neste ?Ambulatório? e, quando já vai longe, volta trazida pelos doutores do Ministério Público. Tudo, menos o joelho, parecia sarado em Ronaldo até que, dia desses, o promotor Alexandre Graça resolveu tomar as dores do Fenômeno e denunciar o travesti Andréia Albertini por extorsão. Alega que ela o constrangeu, sem se dar conta do constrangimento que reascende ao pedir que ele volte a ser ouvido sobre o caso. Pior, só se rolar acareação. Bomba, bomba!A indústria do press release produziu um furo de reportagem esta semana. Reagiu a uma nota sobre o barraco de "uma" arquiteta que teria chamado um segurança da Casa Cor de "macaco" (publicada na coluna Monica Bergamo, na ?Folha?) referindo-se ao "caso ocorrido com a arquiteta Ana Maria Guimarães de Vieira Santos". E tem mais: "A Casa Cor condena qualquer atitude que implique em racismo, discriminação e desrespeito ao ser humano." Com uma assessoria de imprensa dessas, francamente, fica fácil fazer jornal."Eu sou f...!"Como disse Muricy Ramalho com a precisão dos sábios sobre as trágicas circunstâncias da eliminação do Flamengo na Libertadores da América, "a bola pune". Não admite salto alto, já ganhou, bravatas ou convencimento. Na quarta-feira passada, ela deve ter acertado contas com a falta de humildade em gol de Adriano, do São Paulo. O imperador faz da comemoração um ato de afirmação e afronta. A bola não gosta disso. Mão que afagaNa busca insana para tentar se fazer entender, o senador piauiense Mão Santa passou de fase no jogo de palavras que notabiliza a falta de sentido em quase tudo que diz. Esta semana, o ex-governador se superou. Desconstruiu o elogio ao se despedir de Sibá Machado no Senado. O suplente de Marina Silva poderia voltar pro Acre sem ouvir que, entre seus feitos no Senado, "melhorou a raça ao cruzar com uma gaúcha". Ainda bem que Sibá sabe que o Mão não diz coisa com coisa por mal. Ou não o teria convidado publicamente a levar a patroa branca para um ritual de acasalamento em sua casa no Delta do Rio Parnaíba. Sugeriu mesmo que ele tivesse mais um filho para "melhorar o Piauí e o mundo". Pode?"Mim Joel"Joel Santana aprende rápido. Contratado para dirigir a seleção da África do Sul, país sede da Copa do Mundo de 2010, o técnico desembarcou dia desses em Johannesburgo e logo percebeu que não daria para entender o que é xenofobia e falar inglês ao mesmo tempo. Enfim, já está quase se acostumando com o clima de guerra de torcidas nas ruas da Capital. Seus amigos estimam que, na pior das hipóteses, ao final do contrato o homem estará falando zulu fluentemente.

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