'Apenas 1,3% dos medicamentos registrados entre 1975 e 2004 foi para doenças negligenciadas'

carta aberta à sociedade brasileira

Michel Lotrowska, DIRETOR REGIONAL DA DNDI (SIGLA EM INGLÊS PARA INICIATIVA DE MEDICAMENTOS PARA DOENÇAS NEGLIGENCIADAS), O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 23h59

Diante da notícia publicada na última segunda-feira mostrando que doenças infecciosas e parasitárias são a terceira causa de óbitos em hospitais em 2008, é importante acrescentar que esse é um problema de âmbito mundial. Enquanto não forem ampliadas as ferramentas para diagnosticar, tratar e prevenir tais doenças, a situação tende a se agravar. O que falta é vontade política, por parte de governos, associada a mais financiamentos sustentáveis para pesquisa e desenvolvimento dessas ferramentas. As doenças tropicais e parasitárias, como Chagas, malária, leishmaniose, dengue, entre outras, são chamadas de doenças negligenciadas porque afetam diretamente as populações mais pobres dos países menos desenvolvidos e, por isso, não constituem um mercado lucrativo para as empresas farmacêuticas. Apesar de representarem 12% da carga global de doenças, apenas 1,3% dos medicamentos registrados entre 1975 e 2004 foi para as negligenciadas. Os medicamentos disponíveis hoje são tóxicos, difíceis de tomar, têm efeitos indesejáveis e foram descobertos 40, 50, 60 anos atrás. A falta de boas ferramentas de diagnóstico também é uma agravante. Milhões de casos não são contabilizados nas estatísticas e, consequentemente, não são tratados, o que aumenta a mortalidade e a transmissão. Precisamos preencher esse vazio existente na pesquisa e desenvolvimento de tratamentos das doenças negligenciadas. É preciso produzir novos medicamentos para que se fortaleça a capacidade dos países endêmicos em responder à necessidade urgente de mais e melhores ferramentas para que doenças negligenciadas sejam combatidas.

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