'Aproveitem a crise para exigir novas contratações e mais equipamentos'

Marco Antonio Sloboda Cortez, MÉDICO VETERINÁRIO E DOUTOR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOSAs fraudes no leite e derivados estão em evidência. Os consumidores estão confusos. Produtores exigem mais fiscalização. O que está errado e como chegamos a tal ponto? O sistema de fiscalização é eficiente? As auditorias realizadas periodicamente nos estabelecimentos são suficientes? É o momento pertinente de discutir a grande quantidade de empresas que beneficiam leite? Sou professor da área de inspeção de alimentos de origem animal. Vejo a inquietação dos consumidores e conheço as reais condições dos laticínios e cooperativas. Leite não é um alimento perigoso; pelo contrário, é nobre e necessário. O problema é a falta de qualidade na obtenção, armazenamento, refrigeração, transporte e beneficiamento. Por isso as fraudes ocorrem. Ocorrem também pela tentativa de aumentar o lucro, como a adição de soro ao leite ou venda de produtos fora do prazo de validade. Deixando de lado os profissionais sem ética, ou seja, os fraudadores, a pergunta que deve ser feita é: como controlar a cadeia produtiva de forma mais abrangente? Historicamente, a fiscalização é fundamental e vem realizando um trabalho digno. A qualidade de muitos alimentos se baseia no trabalho da fiscalização, que tem se modernizado. Para cada nova fraude existe uma nova técnica de detecção. É um ciclo que talvez possa ser quebrado com melhores condições de trabalho e maior comprometimento dos envolvidos. Aproveitem o momento. Exijam mais contratações e concursos públicos, melhores condições de trabalho e mais equipamentos. Os consumidores e produtores estão exigindo mais fiscalização? É hora de os órgãos de fiscalização exigirem também. Vamos tornar essa crise positiva. Vamos fiscalizar mais eficientemente.

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