Avisar parceiros sobre DSTs via cartão virtual anônimo é eficaz ?

Projeto aposta no anonimato

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 01h51

O Ministério da Saúde lançou campanha para tentar reduzir o número de pessoas contaminadas por DSTs. Uma pesquisa divulgada nesta semana mostrou que 10,3 milhões de brasileiros já tiveram sintomas de doenças sexualmente transmissíveis. A campanha oferece ferramentas para que um paciente com DST comunique a seu parceiro sobre sua doença sexual. São cartões-postais, minicartões de visita e cartões virtuais que garantem o anonimato do infectado.

Resultado da enquete:

Sim> 55%

Não> 45%

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O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS

MARJO PEREZ

CHEFE DA DISCIPLINA DE UROLOGIA DA FAC. SANTA CASA SÃO PAULO

O Ministério da Saúde vem empenhando-se no combate às doenças sexualmente transmissíveis. A campanha Muito prazer, sexo sem DST é um exemplo disso, já que levanta uma questão de extrema importância do ponto de vista da saúde pública: alertar parceiros sexuais sobre DSTs. Comunicar é a maneira mais poderosa para que se evite a propagação dessas doenças. Sabemos que o brasileiro ainda resiste em procurar ajuda médica quando apresenta sintomas de DSTs, seja porque se sente constrangido ou pela falta de recursos financeiros. Além disso, a maioria dos pacientes sente dificuldade em comunicar aos seus parceiros sobre a sua contaminação. Nesse sentido, o uso da internet e dos cartões virtuais é válido. Preservar o anonimato do paciente também pode ser uma estratégia interessante, o que já ocorre em mecanismos semelhantes, como o disque-denúncia. Quem envia o cartão virtual propicia ao suposto infectado a possibilidade de tratamento. Qualquer campanha que incentive um possível contaminado de DST a consultar um médico é louvável.

>>?As pessoas tendem a encarar a mensagem virtual sem seriedade?

RICARDO TAPAJÓS

PROF. DE INFECTOLOGIA DO HC DA FAC. DE MEDICINA DA USP

Campanhas que facilitem a comunicação entre um paciente com DST e seus contactantes sexuais são de extrema utilidade. Quando o parceiro que corre o risco de estar contaminado é fixo, fica mais fácil de alertá-lo e iniciar um tratamento. Já a campanha Muito prazer, sexo sem DST tem como público alvo os parceiros múltiplos e eventuais. Por ser um projeto de dimensão nacional, usa-se a internet e a estratégia do anonimato para atingir o maior número de pessoas. Isso pode gerar dois problemas. O primeiro é decorrente da anonimidade, uma vez que as pessoas tendem a encarar a mensagem virtual sem seriedade. Isso sem contar as inúmeras possibilidades de brincadeiras de mau gosto que podem surgir. O segundo é que no recado virtual faltam informações importantes, como a doença em questão e o possível momento do contágio - o que inviabiliza medidas de bloqueio de transmissão. A campanha é incompleta porque levanta a bandeira do diagnóstico precoce, mas ao mesmo tempo não fornece dados essenciais para o atendimento do notificado.

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