Rijksmuseum
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Biografia tenta recriar a juventude do pintor holandês Rembrandt

Onno Blom investigou a vida de Rembrandt entre seu nascimento em 1606 e sua partida para Amsterdã em 1631

Reagan Upshaw, The Washington Post

12 de setembro de 2020 | 16h00

Quando pensamos em Rembrandt, a maioria de nós imagina o homem de meia-idade dos autorretratos produzidos em Amsterdã. Eles mostram um homem que viu prosperidade e falência, amor e perda, e que enxerga o mundo com uma compaixão arduamente adquirida. Em Young Rembrandt (Jovem Rembrandt, em tradução livre), Onno Blom busca preencher as lacunas da história do artista que cresceu na cidade holandesa de Leiden, terra natal de Blom. Esse livro começou como uma série de colunas semanais em um jornal, nas quais o autor tentou retraçar a trajetória daquele jovem pintor.

Blom é um incansável pesquisador, e ele se esforçou para investigar qualquer pedaço de papel que documente a existência de Rembrandt entre seu nascimento em 1606 e sua partida para Amsterdã em 1631. Infelizmente para seu biógrafo, Rembrandt foi o nono filho de um moleiro, e não havia razão nenhuma para registrar algo sobre sua infância. 

Quando Rembrandt tinha 14 anos, seu pai era própspero o suficiente para enviá-lo à Universidade de Leiden, onde ele estudou por pouco tempo. Quando ficou aparente que o interesse real do adolescente e seus talentos estavam no campo da arte, no entanto, seu pai permitiu que ele abandonasse os estudos e se submetesse a um aprendizado de três anos com Jacob van Swanenburg, um reconhecido pintor local, seguido por seis meses em Amsterdã com Pieter Lastman. Aos 19, Rembrandt retornou a Leiden para abrir seu próprio ateliê, e ele receberia pupilos em apenas dois anos.

O problema de escrever um livro inteiro sobre uma figura cuja juventude é pouco documentada é que o autor é obrigado a enrolar. Jovem Rembrandt tem um capítulo em um cerce a Leiden por forças espanholas em 1574, mais de 30 anos antes do nascimento do artista. Os pais e avós de Rembrandt foram sem dúvida afetados pelas dificuldades impostas pelo cerco, mas quanta influência esses dias tiveram sobre sua arte? Outro capítulo detalha a batalha política entre calvinistas ortodoxos e a Igreja Remonstrante em Leiden, durante a infância do artista. O pai de Rembrandt era remostrante (sua mãe era católica), mas não há evidência de que o embate teológito tenha desempenhado alguma função em sua visão de mundo.

Na falta de detalhes concretos da vida cotidiana do artista, o biógrafo se sente tentado a buscar o hipotético. O jovem Rembrandt, de acordo com Blom, "deve ter visto" isso ou "teria sido familiarizado" com aquilo. Escrevendo sobre a primeira viagem dele a Amsterdã, aos 18 anos, Blom imagina o primeiro olhar dele para a maior cidade da Holanda. "À medida que o navio se dirigia ao cais, seu estampido crescendo, o vento oeste o empurrando para a frente, a silhueta da cidade teria parecido preencher todo o horizonte." Talvez. Ou talvez fosse um dia enevoado, e a primeira visão que Rembrandt teve de Amsterdã veio quando as docas saíram da neblina. 

A despeito dessas especulações, Jovem Rembrandt concentra uma grande riqueza de peculiaridades sobre a vida cotidiana no início do século 17 na Holanda, quando pintores mantinham suas tintas artesanais em bexigas de porco amarradas e os caixões eram empilhados de quatro em quatro em cada tumba. 

A atenção mundial dada recentemente à reatribuição a Rembrandt de uma pequena pintura no Oxford's Ashmolean Museum é um testamento do fascínio que o artista holandês ainda exerce sobre nós. Se Jovem Rembrandt não é totalmente bem-sucedido na missão de recriar o jovem que trilharia o caminho da fama, o livro de Blom de fato oferece um interessante olhar sobre os primeiros passos do pintor.

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