Convém tornar permanente a redução do IPI para carros?

Lula quer manutenção do corte

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2009 | 00h12

O presidente Lula afirmou ser favorável a manter a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados de automóveis. Em dezembro de 2008 o governo anunciou a medida, que teria como objetivo estimular o setor automobilístico, fortemente atingido pela crise econômica internacional. A redução do IPI valeria até março, mas o benefício foi prorrogado até o fim de junho. O Ministério da Fazenda estuda elevar as alíquotas do IPI dos carros gradualmente.

Resultado da enquete:

Sim> 71%

Não> 29%

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O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS

>>?Tem-se a ilusão de que, baixando os impostos, o consumo vá se manter?

FABIO KANCZUK

PROFESSOR DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Do ponto de vista econômico, a estratégia de manter o corte do IPI para carros está errada. Em momentos de crise, o governo deve manter os gastos constantes e não mexer nas alíquotas dos impostos. Já o Brasil optou por aumentar gastos e cortar impostos. É comprovado que a economia sai prejudicada quando os tributos aumentam ou diminuem. O ideal é não mexer nas alíquotas dos impostos. Sendo assim, não faz sentido propor a manutenção permanente do IPI dos carros. Tem-se a falsa ilusão de que, baixando os impostos, o consumo vá se manter em uma linha ascendente. Inicialmente, os ganhos podem ser positivos. No entanto, a longo prazo, as vendas vão desabar. Ainda cabe uma pergunta: por que privilegiar a indústria automobilística em tempos de trânsito caótico? Pelo contrário, o preço dos automóveis deveria ser reajustado. Fica claro que o lobby do setor é muito forte. Por fim, a redução do IPI implica uma gigantesca renúncia fiscal que, inevitavelmente, terá de ser compensada, seja com novos impostos ou com menos investimento em infraestrutura.

?Alcançamos números históricos na produção e na venda?

PAULO EDUARDO PALOMBO

PROFESSOR DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE MACKENZIE

A atual crise econômica trouxe ensinamentos, fazendo com que o governo repensasse algumas de suas políticas, como a monetária e a tributaria. Quanto maior a incidência de impostos, maior o desincentivo a produção e ao consumo. Sendo assim, a redução do IPI para os automóveis é uma medida emergencial que deve se tornar permanente, pois trouxe resultados benéficos a todos os agentes envolvidos. A demanda reprimida é facilmente percebida. Com um mínimo estímulo ao consumo devido à redução do IPI, alcançamos números históricos na produção e na venda. Contudo, ainda há muito a se avançar, uma vez que temos sete habitantes por automóvel, enquanto a Argentina tem cinco e os Estados Unidos apenas dois. A distorção econômica fica evidente quando percebemos que a carga tributária que compõe o valor final do veiculo chega, em média, a 35%. Isso prejudica um dos setores que mais emprega mão de obra direta e indiretamente e, nos países desenvolvidos, é um dos carros chefe da economia e da inovação tecnológica.

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