Crack: a notícia enguiçada da década

AMBULATÓRIO DA NOTÍCIA[br]Unidade de tratamento para quem sai mal na foto

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2009 | 02h00

Depois do boom de colunistas - aquela praga de entendidos em tudo que se alastrou pelas redações de todo o País -, o jornalismo brasileiro vive uma nova epidemia: a dos comentaristas dos canais de informação a cabo. Não há má notícia que não tenha a sua disposição um punhado de pós-doutorados no assunto de plantão nos telejornais da hora cheia! Guerra do tráfico, invasão do MST, tornados, gripe suína, poluição, infância nas ruas, taxa de juros, engarrafamentos, desastre de avião, Faixa de Gaza, Morro dos Macacos, armamento, atentados, aquecimento global e o escambau, há especialistas bem articulados pra tudo neste mundo.

Agora mesmo está de volta ao ar um batalhão de psicólogos, sociólogos, voluntários de organizações não governamentais, neurologistas, ex-drogados, estudiosos em dependência química - todo mundo, enfim, que tenha alguma coisa a dizer sobre a epidemia de crack em curso. Muitos vêm dizendo as mesmas coisas faz tempo, sempre que são chamados para comentar fatos e reportagens que se repetem a cada ocorrência trágica, igual a tantas que parecem prenunciar providências sanitárias e, no entanto, ficam só no diagnóstico.

O flagelo do crack, forte candidato a notícia enguiçada da década, entrou em cartaz novamente esta semana requentado por um novo terrível drama, desta vez com baixas entre jovens da classe média carioca. No mais, tudo pareceu reprise de outros telejornais.

A Cracolândia é a mesma de sempre, as dificuldades de abandonar o vício também não mudam, a inoperância do Estado para lidar com o problema permanece estável e, consequentemente, as reportagens acabam se repetindo. Deve ser por isso que, de vez em quando, os telejornais trocam os comentaristas.

A maldição

Itamar Franco voltou a ser vice-presidente, agora do PPS. A última vez que exerceu a patente, vocês sabem, acabou substituindo Fernando Collor na Presidência. Isso quer dizer o seguinte: "Te cuida, Roberto Freire!"

Esclarecimento

O senador José Sarney continua funcionando normalmente! O que fechou foi a fundação que leva seu nome. E não se fala mais nisso, ok?!

Ato falho

Entreouvido na antessala do gabinete de Paulo Skaf, o socialista que preside a Fiesp, a propósito da revelação de que Juanita Castro foi espiã da CIA em Cuba, logo no começo dos anos 1960: "Coitado do Fidel! Não dá sorte com os irmãos, né não?!"

{HEADLINE}

1 a 0

Lula já avisou a dona Marisa Letícia: no aniversário dela vai ter forra! Terça-feira passada o presidente acordou mais velho com a banda do Batalhão de Guarda tocando Parabéns a Você embaixo de sua janela? Quer pensar em algo à altura para retribuir a surpresa da patroa.

Rumo à ABL

A indústria da pirataria faz sua primeira grande investida no mercado editorial, lançando em breve nas principais calçadas do País a versão original, não revisada, do primeiro romance ainda inédito de Ana Maria Braga. Parece que tem um copy desk da editora tirando toda a graça do livro.

{HEADLINE}

Tá legado?

Pelo tanto de dinheiro que o governo federal prometeu nessa semana investir em Segurança Pública no Rio de Janeiro, a guerra do tráfico também vai deixar seu legado na cidade.

Que bonitinho!

Guido Mantega chamou de "cobrancinha" a contrapartida que pediu à indústria de eletrodomésticos para estender a redução do IPI até depois do Natal. O ministro é um fofo, né não?

Nada é pra já

Gisele Bündchen faz muito bem em não querer saber o sexo de seu bebê antes do nascimento. Hoje em dia, aliás, essas coisas só se definem depois dos 14, 15 anos de idade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.