Lucas Rezende
Cartaz contra a ditadura em protesto na Cinelândia, no Rio de Janeiro Lucas Rezende

Crítico Luiz Costa Lima relembra prisão durante a ditadura militar

Nunca havia cogitado em passar minha experiência para o papel até constatar que, desde 2018, se armava um novo pesadelo

Luiz Costa Lima*, Especial para o Estado

17 de junho de 2020 | 05h00

Em fins de 1962, eu voltava da Europa, onde principiara a estudar literatura. No ano seguinte, comecei minha curtíssima carreira universitária no Recife. Mal completara um ano quando o golpe de 1964 me aposentou. Devo haver sido o benjamin do AI-1. Como nunca me filiara a algum partido, entendo que assim sucedera porque trabalhara com Paulo Freire, desde que o reitor instalara o Serviço de Extensão Cultural (SEC) da Universidade Federal de Pernambuco (então do Recife). Era nele que se preparava a equipe dos professores para seu sistema de alfabetização. Embora a situação política há anos estivesse turva, não se esperava, a menos para quem estivesse a par do golpe, um rápido desfecho. 

Na noite antes de 1.º de abril, assistira a uma partida de futebol, entre o Palmeiras e o Náutico. Tomara um ônibus de volta. Ao passar em frente à Faculdade de Direito, espantou-me ver a praça ocupada por soldados, deitados, em posição de ataque. Ao chegar em casa, telefonei para o palácio do governo. Atendeu a irmã de Miguel Arraes. Narrei-lhe o que vira. Depois de consultar o governador, Violeta me respondeu que ele acabara de falar com Jango e tudo já estava tranquilo. Da escada, próxima de onde eu me encontrava, meu pai, engenheiro e proprietário de terras, retrucou que não era assim, que seria preferível eu tomar o carro e ir para a fazenda. Dormi preocupado e de manhã cedo fui para o SEC e daí para a praça do governo. Já estava cheia de gente. Como se murmurava que o palácio já estava ocupado, reuni-me a um grupo de amigos e alguém sugeriu que fôssemos para uma próxima cidade de interior, para começar a resistência. Fomos interrompidos por um líder conhecido, que havia participado da resistência aos nazistas, que nos perguntou que pretendíamos fazer. Ante nossa resposta, ele retrucou: nada disso, já para casa. Terá sido nosso anjo da guarda. 

Ainda assim minha imaturidade se manifestava. Voltei para o SEC, que se encontrava aberto. Lá encontrei o romancista Gastão de Holanda. Carregamos até uma kombi da reitoria uma máquina de impressão – já não sei como se chamava – trouxemos papel bastante, dispensamos o motorista e seguimos para a casa de um amigo, que sabíamos fora da cidade. Creio que passamos parte da noite imprimindo folhetos de resistência, até ouvirmos no noticiário que o golpe estava dado, e as autoridades que haviam sido depostas presas ou fugidas. Como não ouvira o conselho do velho pai, só me restava voltar para casa.

A ansiedade de fazer alguma coisa era substituída pela espera que viessem me prender. Não sei por quantos dias durou a espera. Quando um carro do exército veio me apanhar já tinha preparado um pequeno pacote. Nunca cheguei a usá-lo porque me foi tomado no primeiro quartel a que me levaram. Por quantos passei e por quantos meses? Poucas coisas são deles relembradas. Elas eram de vários tipos: desde solitárias até as mais comuns, com vários presos ou com um comandante, como o do quartel de Olinda, respeitoso da integridade dos sob sua guarda. De imediato, recordo embora já se falasse da improvisação de diversas torturas, que não sofri nenhuma. Lembro de um dos primeiros dias. Como me tinham ensinado fazer situações semelhantes, procurava cumprir meus exercícios, quando notei uma sombra que parcialmente me cobria. Levantei o rosto e a interroguei. Tive como resposta que não bancasse o tonto; que o exercício – no caso, era um chamado de “marinheiro” – era válido caso se tivesse uma boa alimentação. Não o sendo, o melhor era economizar forças. Segunda lembrança: a única vez que minha prisão coincidiu com a de Paulo Freire foi em um quartel de Olinda. Recordo o dia em que me fora avisado que receberia uma visita. Não recordo porquê, no momento devido, isso já não era possível. Paulo e outros presos se encarregaram de diminuir para a visitante a sensação de que algo não iria bem. Não sei que êxito tiveram os saltos e macaquices que faziam à janela diante da qual o carro da visitante passaria, como se a cumprimentassem. Elimino outras poucas, igualmente triviais.

Meses passados, convencido de que não tinha mais nada a fazer no Recife, embarquei para o Rio. Tratava-se agora de sobrevivência. Provavelmente, por iniciativa de um antigo mestre do secundário, o futuro tradutor da Fenomenologia do Espírito, de Hegel, Paulo Menezes, recebi o telefonema de um padre, que se declarava diretor do Departamento de Sociologia da PUC (RJ). Ele me convidava para lá ensinar. (Há meses, eu era revisor da Editora Vozes, em Petrópolis). Como lhe manifestava minha surpresa porque nada sabia específico de sociologia, ele me respondeu que pusesse os pés na terra, porque se me indicasse para o Departamento de Letras, para o qual talvez me considerasse mais habilitado, pouco depois seria denunciado e posto para fora. Assim, minha retomada docente deu-se como professor de sociologia da comunicação de massa.

Era por certo um clima hostil, embora a convivência com uns poucos alunos restaurasse um tanto do clima que perdera. Fora deste contato, contudo, nada havia de animador. Lembro a propósito o encontro com um professor suíço (ou francês), em visita ao Rio, a quem fui apresentado pelo então conselheiro cultural da embaixada francesa. Ele se propusera me encontrar porque acreditara oportuno fazer-me saber do que ouvira ao estar com o reitor da PUC. Sendo interrogado quem conheceria ao menos de referência, o reitor teria se levantado e, dirigindo-se a seus arquivos, debruçou-se sobre uma de suas pastas e leu para ele. Com referência a mim, um aluno havia delatado que podia ser uma figura perigosa porque, pela maneira como costuma se expressar, não se percebe qual sua posição política.

Foi sob esta atmosfera de suspeita e delação, com um número mínimo de amigos, em que era difícil confiar-se em alguém que não fosse há muito conhecido, que me mantive até conseguir, por volta de 1973, doutorar-me pela USP, em teoria da literatura e literatura comparada. Ali, o embate não era com sombras e metralhadoras, conquanto pudesse ser não amistoso. Isso, no entanto, era um pequeno acidente pessoal a não impedir que a ditadura se mantivesse em pleno valor. Objetivamente, que diferença faria que eu fosse doutor e tivesse um salário melhorado na universidade em que ensinava se os cuidados com o que se dissesse ou fizesse tinham de se manter em nível elevado?

Entre finais de 1970 e ao longo da década seguinte, desenrolam-se acontecimentos decisivos para mim. Sua importância decorre de independerem da cena política. Nomeio em primeiro lugar o encontro ocasional com o romanista alemão Wolf Dieter Stempel, produto de sua conferência sobre os formalistas russos. Nossa conversa se desenrolou tão bem que ela me proporcionou uma bolsa do Serviço de intercâmbio cultural alemão (Daad), com alguns meses para conhecer o que se fazia em Konstanz. Aí, por sua vez, tive a oportunidade de conhecer Hans Ulrich Gumbrecht, em seu início de carreira. Cheio de iniciativas como sempre foi, Sepp Gumbrecht teve fôlego para idealizar os colóquios de Dubrovnik, cidade da então Iugoslávia, que me puseram em contato com vários colegas estrangeiros. Um deles, Wlad Godzich, então professor nos Estados Unidos, alertou-me para concurso que se abria na University of Minnesota. Havendo vencido, pensei, em fins de 1982, que podia me despedir de meu país. Na verdade, para mim apenas se abria um outro campo de experiência. A universidade americana que conheci estava aquém do que pensava. Comparada à nossa miséria política e apenas menor financeira, era por certo um oásis, longe contudo de ser o local em que cogitasse reservar a vida. Dois anos em seguida, renunciei à permanência (tenure) à que teria direito de pleitear e voltei para meu país. Pouco depois, o pesadelo de 31 anos se desfez. Ainda renunciei à permanência em Quebec e Berlim, e aqui tenho estado. 

Nunca havia cogitado em passar minha experiência para o papel até constatar que, desde 2018, se armava um novo pesadelo. Em artigo de dezembro de 2018, o chamei de tsunami social. Será que a comunicação da experiência de alguém é passível de ajudar que seja desfeito? 

*LUIZ COSTA LIMA É HISTORIADOR E CRÍTICO

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Com a democracia em crise, se multiplicam os livros que explicam a política atual

No Brasil e no mundo, obras analíticas ocupam as prateleiras para ajudar o leitor a compreender o momento atual

Elias Thomé Saliba*, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 05h00

“Não rir, nem chorar, nem detestar, mas sim compreender”. Este conhecido bordão de Spinoza é hoje o conselho mais útil para milhares de pessoas que se informam apenas por meio das redes sociais, deixando de lado aqueles esquecidos conselheiros: os livros. Se pensarmos no atual declínio dos regimes democráticos, na polarização política que expele ódio pela diferença e na disseminação de notícias falsas – tudo o que corrói por dentro a cultura do pluralismo e da tolerância –, talvez o conselho seja ainda mais útil. Mas não é fácil se aventurar por dezenas de títulos que tratam do tema, pelos mais diversos ângulos, do declínio dos regimes democráticos às ameaças, retóricas ou reais, do autoritarismo alojado no interior dos mesmos regimes.

Se é necessário começar, melhor escolher aqueles autores os quais, ainda bem jovens, foram testemunhas e, depois, intérpretes do fim dos fascismos e da ascensão das democracias. Umberto Eco tinha 11 anos quando ganhou seu primeiro prêmio em concurso cujo tema obrigatório para os jovens fascistas era “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?”. “Ganhei”, escreve Eco, “porque eu era um garoto esperto!”. Em 1945, com 13 anos, cruzou com um dos primeiros soldados americanos a chegar em Milão: um negro sorridente que lhe deu um gibi de Dick Tracy e o seu primeiro chiclete, que o menino, à noite, colocava na água para durar mais. Viu as primeiras fotos do Holocausto e conheceu o significado do fato mesmo antes de conhecer a palavra. Ele conta tudo isto em O Fascismo Eterno (Record) texto de conferência realizada em 1995, notável pela concisão e primorosa pelos prognósticos. Para Eco, o fascismo não possuía nenhuma quintessência, era uma nebulosa de instintos obscuros e de pulsões insondáveis, cuja única estratégia era uma obsessão da conspiração – possivelmente internacional –, o culto da ação pela ação, centrada na ideia de “não há luta pela vida, mas antes vida para a luta”: um culto do heroísmo estreitamente ligado ao culto da morte – que o herói fascista espera impacientemente provocando, na verdade, a morte dos outros. Afora isto – que guarda ainda estranha atualidade – o fascismo italiano não criou mais nada, segundo Eco, a não ser, segundo sua ironia ferina, “uma liturgia da moda que fez mais sucesso no exterior que Armani, Benetton ou Versace.”

Outra testemunha intérprete é Madeleine Albright, que sofreu dois exílios: quando criança sua família fugiu, em 1939, da invasão alemã, da então Checoslováquia para a Inglaterra; voltou com sua família em 1945 e foi forçada a sair novamente, por conta da perseguição stalinista, exilando-se nos Estados Unidos. Professora em Georgetown, tornou-se a primeira mulher a virar secretária de Estado, na presidência Clinton. Hoje, com 85 anos, publicou Fascismo: um Alerta (Editorial Crítica), no qual ela procura responder questões cruciais, como “por que tanta gente em posições de poder vem tentando minar a confiança popular nas eleições, nos tribunais, na mídia e na ciência? “E, por que, afinal de contas, a esta altura do século 21, voltamos a falar de fascismo? A resposta da ex-embaixadora dos EUA na ONU é ríspida, direta ao ponto: “A razão única é Donald Trump: se pensarmos no fascismo como uma ferida do passado que estava quase sarada, colocar Trump na Casa Branca foi como arrancar o curativo e futucar a cicatriz.” Assim, em quase todo o livro, direta e implacável – definindo o fascismo menos como uma ideologia e mais como um projeto de tomar e controlar o poder –, fornece retratos bens delineados de Mussolini, Hitler, Franco – mas sobretudo, de algumas figuras que ela conheceu de perto, como Putin, Erdogan, Orbán, Maduro, Duterte, Kim Jong-un e, claro, Trump. Mas os retratos são meros gatilhos para uma detalhada cartografia histórica, já que uma definição abstrata de fascismo seria como descrever uma pessoa através de um único instantâneo fotográfico: Albright mostra como os cenários mudam e o olhar do observador se altera conforme os conceitos históricos acompanham o camaleônico processo dos fascismos, convertendo-os – como disse certa vez E. P. Thompson – em “famílias inteiras de casos especiais”.

Já David Runciman, em Como a Democracia chega ao Fim (Editora Todavia) e Yascha Mounk em O Povo contra a Democracia (Cia. das Letras) partem de diagnósticos muito semelhantes, com a diferença que Mounk enfatiza a ascensão paralela do populismo: o retorno daquela reivindicação de representação exclusiva do povo, sem tolerar a oposição ou respeitar a necessidade de instituições independentes, como a Justiça ou a Imprensa. Runciman, mais bem-humorado, afirma que devemos evitar uma visão da história à moda de Benjamin Button, em que tudo que é velho torna a rejuvenescer. Os dois autores argumentam que ainda somos cativos da paisagem do século 20 onde buscamos imagens do colapso democrático: tanques nas ruas, violência, repressão e ditadores caricatos; mas, enquanto procuramos os sinais familiares de sua falência, nossas democracias já estão fracassando por motivos que desconhecemos. Hoje, a escala da violência política não é mais o que foi para as gerações anteriores – ainda existe, é claro, às margens da política e nos recônditos da imaginação de cada um, sem jamais assumir o centro do palco. Ela é o fantasma dessa história. No passado, a probabilidade de uma catástrofe tinha um efeito mobilizador, mas hoje tende a nos deixar paralisados pelo nosso medo. A revolução da informática também alterou por completo os termos operacionais da democracia: dependemos de compartilhamentos de informações que escapam tanto ao nosso controle como à nossa plena compreensão. Runciman acerta ao atenuar as previsões de Yuval Harari quando este prognostica o verdadeiro fim da história, porque esta equivaleria à extinção da iniciativa humana como determinante da mudança social: “Mas, para chegarmos a esta utopia, ainda precisamos ir daqui até lá”, conclui ele, com pertinência. O problema de Runciman é que, no epílogo do livro, ele imagina um final mirabolante, descrevendo as eleições americanas de 2053, com um chinês eleito presidente com a promessa de enfrentar o poder das gigantescas empresas de tecnologia! Mounk é mais comedido nas possíveis soluções e aposta numa saída ética, retirada em parte da filosofia do estoicismo: nunca faremos a coisa certa se sempre calcularmos (e nos encolhermos) demais em face do resultado provável dos nossos atos; sempre nos engajaremos em lutas discutíveis, por motivos imperfeitos –, mas devemos nos inspirar na coragem dos estoicos para defender os valores democráticos que tanto prezamos.

Com exceção naturalmente de Eco, que escreveu no século 20, todos os autores tocam, em algum momento, nos impactos da revolução digital no derretimento dos valores democráticos. Mas nenhum vai tão longe quanto Giuliano Da Empoli, em Os Engenheiros do Caos – uma detalhada abordagem dos bastidores dos universos digitais de Trump, Boris Johnson ou Erdogan, nos quais cada novo dia nasce com uma gafe, uma polêmica, uma boutade ou a eclosão de um escândalo. Mal se está comentando um evento, e esse já é eclipsado por um outro, numa espiral quase infinita que catalisa a atenção e satura a cena midiática. “A dinâmica da web é a dinâmica do boato”, definiu Beatriz Sarlo, décadas atrás. Por trás das aparências extremadas deste populismo histriônico, esconde-se o trabalho feroz de dezenas de ideólogos e cientistas especializados em Big Data, criadores de bolhas digitais, sem as quais os líderes do novo populismo jamais teriam chegado ao poder. Como as redes sociais, a nova propaganda se alimenta cruamente de emoções negativas, pois são essas que garantem a maior participação, daí o sucesso das fake news e das teorias da conspiração. O twitter virou o Velho Oeste. Mas, a roda pode girar ao contrário e transformar tudo o que está aí, segundo a expressão de Manuel Castells, em “redes de indignação e esperança”. É claro que as ações dos engenheiros do caos – dentre os quais, entre muitos, o paradigma é Steve Bannon –, não explicam tudo, pois se alimentam de dois ingredientes que nada têm de irracionais: o ressentimento de alguns meios populares, fundamentado sobre a realidade de profundos contrastes econômicos e sociais; e uma máquina de comunicação superpotente, originalmente concebida para fins comerciais, mas doravante transformada em instrumento privilegiado de todos aqueles que, ao largo das instituições democráticas, têm por meta multiplicar o caos.

Seria ingenuidade procurar soluções a partir destas leituras, mesmo porque em História, também vale o bordão de Spinoza, com o acréscimo de que fazer as perguntas certas também já é uma forma de respondê-las. Todos os autores, apesar das diferentes sondagens só apontam um caminho para defender a democracia: a união de todos os opositores, urgente, pois quando hesitam e deixam de trabalhar unidos já é tarde demais para superar a impotência. Para quebrar tal quadro, ainda mais deprimente com a atual pandemia, nada melhor que uma certo dose de bom humor. E ela nos chega através de Instruções para se Tornar um Fascista, de Michela Murgia (Editora Ayiné), uma formidável inversão irônica sugerindo regras de como atingir o perfil ideal de um fascista adaptado aos novos tempos digitais. Sugere, por exemplo, numa das primeiras regras, que após o povo já estar educado para se reconhecer num chefe, o segundo estágio é manter o consenso por meio de uma comunicação eficaz e o mais banal possível: “Banal, bem banal, vocês entenderam?”– escreve a autora. No terceiro estágio, alfineta a autora-, “basta acionar a formidável arma da conspiração, já que o inimigo improvável é muito mais odiável do que aquele que podemos encontrar toda manhã na padaria.”

*ELIAS THOMÉ SALIBA É HISTORIADOR, PROFESSOR TITULAR DA USP E AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE ‘RAÍZES DO RISO’ (COMPANHIA. DAS LETRAS)

 

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Dez livros para compreender o atual momento político do planeta

Obras de historiadores, economistas, jornalistas e filósofos ajudam o leitor a se contextualizar em meio à ascensão do populismo no mundo

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 09h31

Com a ascensão de regimes populistas em diversos países pelo mundo e as constantes ameaças à democracia testemunhadas pela comunidade internacional, cientistas políticos, sociólogos, economistas, historiadores, jornalistas, filósofos e intelectuais das humanidades de modo geral vêm publicando cada vez mais obras para tentar captar e compreender o momento atual da política. 

Se a queda do muro de Berlim fez Francis Fukuyama decretar o "fim da história", a exarcerbada polarização ideológica e o nacionalismo hostil, crescentes no século 21, estão fazendo os pensadores reavaliarem essa ideia e até compararem as primeiras décadas do novo milênio aos anos 1920 e 1930, período entreguerras no qual ganharam força os regimes autoritários por todo o globo.

Confira uma lista com dez livros que tentam explicar a ameaça à democracia que o mundo vem enfrentando.

Tormenta - O Governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredos

Autora: Thaís Oyama

Editora: Companhia das Letras

272 páginas

R$ 54,90

R$ 29,90 (e-book)

Escrito por uma das principais repórteres políticas da atualidade, Tormenta - O Governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredos faz uma verdadeira radiografia do primeiro ano de mandato do 38º presidente da República. Por meio de apurações de bastidores, Thaís Oyama delineia os principais embates internos entre as diferentes alas do governo e ajuda a explicar as sucessivas crises que desabam sobre o Palácio do Planalto.

O Cadete e o Capitão

Autor: Luiz Maklouf Carvalho

Editora: Todavia

256 páginas

R$ 54,90

R$ 33 (e-book)

O Cadete e o Capitão é uma longa reportagem do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, repórter especial do Estado morto em 2020, sobre um episódio obscuro no nebuloso intervalo entre o fim da vida militar e o início da vida política de Jair Messias Bolsonaro, quando ele foi acusado de planejar um atentado a bomba em um quartel e julgado pelos tribunais militares na década de 1980.

O Povo Contra a Democracia

Autor: Yascha Mounk

Editora: Companhia das Letras

432 páginas

R$ 79,90

R$ 39,90 (e-book)

Yascha Mounk tenta compreender o caso da ascensão do populismo em países como Rússia, Egito, Turquia e Estados Unidos pela chave da perda de confiança dos cidadãos no sistema democrático. Essa edição também conta com uma breve análise a respeito do caso brasileiro.

Como a Democracia Chega ao Fim

Autor: David Runciman

Editora: Todavia

272 páginas

R$ 64,90

R$ 39 (e-book)

Obra que já se tornou uma espécie de clássico contemporâneo sobre o tema, Como a Democracia Chega ao Fim analisa a ascensão de governos populistas de extrema-direita em países ao redor do mundo por meio de um modus operandi que visa minar reputações e instituições, corroendo assim a própria democracia.

O Fascismo Eterno

Autor: Umberto Eco

Editora: Record

80 páginas

R$ 22,40

R$ 18,55 (e-book)

O intelectual e romancista italiano venceu um concurso promovido pelo regime fascista quando tinha apenas 11 anos. Nesse ensaio contundente, ele fala de sua experiência pessoal e de seus temores de que o fascismo não tenha sido derrotado com a queda de Mussolini.

Instruções para se Tornar um Fascista

Autora: Michela Murgia

Editora: Âyiné

132 páginas

R$ 34,32

A autora italiana Michela Murgia usa uma perspectiva recheada de ironia para demonstrar a atualidade do fascismo por meio de uma espécie de manual para quem quiser seguir a linha autoritária.

Fascismo: Um Alerta

Autora: Madeleine Albright

Editora: Crítica

385 páginas

R$ 31,90

R$ 8,91 (e-book)

Madeleine Albright considera que a ascensão do populismo seja a maior ameaça à paz desde a Segunda Guerra Mundial. Nesse livro, ela demonstra como governos extremistas têm ascendido ao redor do mundo e trabalhado para o fim do senso de comunidade entre os povos.

Engenheiros do Caos

Autor: Giuliano da Empoli

Editora: Autêntica

192 páginas

R$ 35,92

R$ 18,66

Giuliano da Empoli analisa como a máquina de desinformação e destruição de reputações na internet, comumente chamada de "fake news", funciona, e como ela é o ponto-chave para se compreender como chegaram ao poder tantos governos com viés autoritário e antidemocrático.

Amanhã vai ser maior

Autora: Rosana Pinheiro-Machado

Editora: Planeta

192 páginas

R$ 39,90

R$ 23,99 (e-book)

Diferente do que a maioria dos livros políticos procura fazer, Amanhã Vai Ser Maior, da  professora, antropóloga e colunista Rosana Pinheiro-Machado, não somente tenta explicar a atual conjuntura brasileira, mas também propor caminhos alternativos e saídas possíveis para as várias crises que abalam o país, sem se apoiar no jargão técnico que afasta o leitor mais leigo, mas também sem cair na mera simplificação dos fatos que pode significar falta de rigor acadêmico.

A Eleição Disruptiva

Autores: Juliano Corbellini e Maurício Moura

Editora: Record

168 páginas

R$ 39,90

No livro A Eleição Disruptiva, o economista Maurício Moura e o cientista político Juliano Corbellini tentam explicar os resultados e consequências da eleição de 2018, que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto e encerrou o ciclo dos governos de PSDB e PT, por meio de duas questões fundamentais: quais eram os desejos dos cidadãos e por quais meios o eleitorado estava se informando. 

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