'Custo calculado pelo Ministério de Minas e Energia é subestimado'

José Goldemberg, físico e professor da Universidade de São Paulo

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17 de julho de 2007 | 17h06

A decisão de concluir Angra 3 é incorreta por várias razões. Em primeiro lugar, não ajudará a resolver a crise de energia elétrica que se configura para 2009-2010, pois só começaria a funcionar em 2013, na melhor das hipóteses. O mais provável é que leve 10 anos para ser concluída, pois é o que demonstra a experiência internacional nesta área. Além disso, não é competitiva com outras opções mais atraentes que o Brasil possui, como energia hidrelétrica, biomassa e até energia dos ventos. O custo calculado pelo Ministério de Minas e Energia é claramente subestimado. Vale dizer ainda que a usina contribuirá muito pouco para reduzir a emissões de gases estufa. Se o governo estivesse, de fato, preocupado em reduzir as emissões de carbono, teria que frear o desmatamento da Amazônia, que emite 100 vezes mais carbono por ano do que Angra 3 poderá evitar. Por último, este projeto não é prioridade em relação a outras medidas que o Governo deveria tomar para evitar um novo apagão, como destravar as obras semiparalisadas de cerca de 10 milhões de quilowatts em todo o Brasil.

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