De saia-justa na Via Crusius

Um dia, quando tudo isso acabar, Yeda Crusius (PSDB) será lembrada como a primeira loura a montar no Brasil "um gabinete de transição". A história haverá de nos poupar dos detalhes sobre o que está de fato acontecendo por esses dias no Rio Grande Sul. Até porque parecerá mentira contar que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) gravou conversas telefônicas com seu secretariado para denunciar corrupção na gestão da governadora tucana, sua companheira de chapa nas eleições de 2006. Nunca na história deste país, como diria o outro, um governo caiu de maduro desse jeito. Acho até que Yeda Crusius teria ido junto não fosse a oposição - ô, raça! - pedir seu impeachment. Ela teve, então, a brilhante idéia de anunciar a formação de "um gabinete de transição", o que lhe deu braçada de estadista no mar de lamas de seu ex-governo.Providencial também para a autoridade manter a cabeça sobre o pescoço foi a chegada do senador Heráclito Fortes, vindo lá do Piauí para botar coleira no correligionário Paulo Feijó, que continuava mordendo todos à sua volta. A Executiva Nacional do DEM abriu processo disciplinar contra o vice-governador, desviando o foco das atenções para a saia-justa em que se encontra o líder do partido na bancada gaúcha. O bravo Onyx Lorenzoni (foto), aliado político de Paulo Feijó, deu - muito a contragosto - o ar de sua graça nessa história. Fica tímido metido no figurino de Sharon Stone no filme Instinto Selvagem. Imagina a dificuldade que tem enfrentado para não perder a seriedade no olhar que sempre caracterizou sua veemência na oposição contundente ao governo federal. Ninguém mais do que Onyx quer que isso tudo passe logo, ainda que Yeda Crusius leve a fama de primeira loura a montar um gabinete de transição no País. Escondido dos acontecimentos políticos do Rio Grande do Sul, o deputado também está sem clima para surgir em Brasília falando grosso como Heráclito Fortes. Já perdeu ótima chance de aparecer na liderança do movimento contra a nova CPMF e, a persistir a zorra que o DEM arrumou em seu Estado, poderá se transformar no único oposicionista que ainda não jogou pedra na Dilma Rousseff. Só se fala disso no Congresso!Obsceno Corrupção explícita é como sexo em vídeo pornô. O Jornal Nacional devia ter alertado para tirar as crianças da sala antes de colocar no ar o prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani, flagrado em negociação de propina com dinheiro ao vivo. O político do PTB mineiro protagonizou um dos momentos mais deprimentes da história recente da exposição da raça humana na TV. Foi preso de novo e, desde já, tem lugar certo na retrospectiva dos grandes momentos da corrupção em 2008.Se deu bem!O problema do Brasil é a falsidade ideológica, mas não no sentido do artigo 299 do Código Penal, qual seja "omitir em documento declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita..." Ao que eu acrescentaria: "Ou não!" Ao pé da letra, bem entendida como farsa no ato de ser humano, falsidade ideológica não é coisa que se possa pagar com meia dúzia de micos comunitários. Marcos Valério deve estar vibrando com sua condenação.Ave, César!O goleiro da Seleção é um homem apaixonado. Ou não teria resistido a um velho coro das arquibancadas. "O Júlio César, como é que é?, o Ronaldinho já (...) sua mulher." Nada que ele não soubesse a respeito do passado de Susana Werner com o Fenômeno, mas tem coisas que homem nenhum merece ouvir. Por exemplo: Susana contou à revista Quem que seu esposo "não tinha onde cair morto" quando a conheceu. Com uma mulher dessas, francamente, deve dar vontade de agarrar todas, né não?É só esfregarAtendendo a pedidos como este inacreditável apelo para a dissolução imediata das Farc, vamos fazer de conta que Hugo Chávez virou uma espécie de gênio do bem engarrafado na Venezuela, ok? A brincadeira é a seguinte: que pedido você gostaria que ele fizesse, e a quem? Vale pedir para Carla Bruni largar o Sarkozy, para os americanos votarem no Obama ou para a LDU eliminar o Fluminense da Libertadores da América.

Tuttu Vasques, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 21h06

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