'Depois do que houve, será que o Enem ainda pode ser levado a sério?'

Carta aberta ao ministro da Educação, Fernando Haddad

Daniel França, ESTUDANTE E VESTIBULANDO, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2009 | 00h26

Não posso deixar de me sentir indignado com os últimos eventos que envolvem a área da educação no País. Nós, alunos, tivemos um ano extremamente turbulento, com profundas mudanças estruturais na Fuvest e o adiamento das aulas em função da gripe suína. Mas nada simboliza melhor essa confusão do que o adiamento do novo Enem. Claro que as mudanças no formato da prova causaram apreensão entre nós, mas a proposta de unificação e modernização dos vestibulares parecia promissora. Infelizmente, com a divulgação das questões oficiais, ficou claro que o novo Enem estava próximo dos vestibulares tradicionais, só que com mais texto. Somando-se isso ao fato de a prova durar quase 10 horas, distribuídas em dois dias, o exame era um verdadeiro teste de resistência. Além disso, não há diferença clara entre o conteúdo cobrado pelo Enem e os vestibulares tradicionais - e é no mínimo irônico que a prova de "Ciências da Natureza e suas Tecnologias" não cobre nenhum conhecimento de informática. Disseram que o Enem revolucionaria a educação brasileira, só que até agora não é possível notar mudanças significativas no currículo. Claro que um currículo intimamente ligado às necessidade do mundo contemporâneo está distante da realidade educacional brasileira. Talvez a falta de infraestrutura das escolas explique a ausência momentânea da cobrança de conhecimentos vitais na prova, como questões de inglês. No entanto, nada justifica a falta de organização do Inep. Tenho colegas que moram no centro de São Paulo e foram escalados para fazer a prova em Parelheiros, no extremo sul da cidade. Todos esses fatores somados ao vazamento da prova levam nós, alunos, e provavelmente as universidades públicas, a se perguntar: o Enem pode ser levado a sério? A credibilidade da prova não é a mesma. É atormentador perceber que o exame que vai decidir o futuro de 4 milhões de estudantes esteja tão mal-organizado e confuso.

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