Deu a louca no sertão

Deu a louca no sertão

Zezé, Zilu, Gian e o AVC: de como a vida já foi mais bucólica para nossos cantores sertanejos

Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo

01 Novembro 2014 | 16h00


Todas as famílias felizes são iguais - tanto faz se na Rússia ou em Goiás.

Até pouco tempo, o mundo da música sertaneja podia ser considerado entediante, convencional e lucrativo: a primeira voz, a segunda voz, a tremidinha no final das frases, as rimas fáceis, a missa aos domingos, Miami aos sábados, a festa de rodeio, a cabeça de gado, o chapéu de caubói, a grana do agronegócio, a bebedeira do macho provedor, o dorso nu de Ronaldo Caiado montado em um cavalo branco e, claro, tradição, propriedade rural e família feliz. 

Mas eis que um fio de cabelo comprido grudado no velho paletó sertanejo fez o latifúndio da normalidade ser invadido pela vida real. Bem que eu desconfiava, um dia, aquela virilidade sufocada por décadas de jeans apertado iria explodir na nossa cara. E explodiu aos gritos de “é o amor!” É o amor! É o amor que mexeu com a cabeça de Zezé e Zilu - colocando o universo sertanejo de cabeça pra baixo.

Depois de 30 anos de casamento, três filhos criados, 40 milhões de discos vendidos e uma carreira estabelecida no confortável colo da indústria, o sonho redneck desmoronou com um anúncio de separação. Em maio, Zezé di Camargo e Zilu oficializaram o rompimento. E, como convêm às celebridades, nada ficou no cercadinho íntimo dos animais domésticos. A porteira foi escancarada... 

Mas “pra que viver fingindo se eu não posso enganar meu coração?”. Em pouco tempo, Zezé tratou de aparecer de braços dados com uma jovem jornalista, Graciele Lacerda. Como a própria Graciele publicou em uma rede social, esse não é um affair de nove dias, ou nove meses, mas um relacionamento de nove anos. Ou seja...

Romântico incurável, Zezé mostrou toda sua felicidade (e sensibilidade) declarando: “Faltava uma mulher bonita do meu lado, mais novinha do que eu, para eu ficar completo. Para cavalo velho, capim novo”. Nota-se que, em frase tão sucinta, o sertanejo conseguiu chamar sua ex de feia e velha. Além, é claro, de comparar a atual com uma iguaria típica desse mundo rural: o capim. Não obstante tanta delicadeza, o enterro de séculos de feminismo foi sacramentado quando a própria Graciele se disse lisonjeada (até emocionada) com a metáfora envolvendo comida de pasto. 

Sem acusar o golpe, Zilu também apresentou seu namorado ao mundo, um tal de Zé Henrique (que até onde eu consegui pesquisar também circula no mundo dos cantores sertanejos, é compositor e havia sido “parceirão” de Zezé). Em poucos meses, Zilu e Zé (Henrique) mostraram a seus seguidores o que é viver um amor nos tempos de Instagram. Cada foto, com ou sem filtro, era uma linda declaração de princípios românticos. Amor que, até onde sei, já virou postagem antiga - não dando tempo sequer para uma mudança no status de relacionamento no Facebook dos envolvidos.

Mas a vida amorosa de Zezé e Zilu abalou outra dupla, Gian & Giovani. Pois sim, Tati Moreto, mulher de Gian, saiu em defesa da amiga Zilu. À boca pequena, ela teria comentado que Zezé andava fazendo um papel ridículo ao desfilar com uma mulher tão mais jovem. Bendita hora em que a moça foi se meter nesse rodeio: “#Zezéchatiado” mandou um recado público, afirmando que Tati teria começado a sair com Gian quando esse ainda era casado. Ou seja...

Gian também ficou “#chatiado”, só que os desdobramentos foram bem mais sérios. O sertanejo foi parar no Hospital Albert Einstein com suspeita de AVC. 

Felizmente, Gian passa bem, mas a amizade com Zezé continua na UTI. Além disso, a parceria com Giovani foi rompida depois que uma discussão envolvendo grana acabou em MMA, socos e pontapés (tudo isso contado pelo próprio Giovani). Aliás, merece uma menção honrosa a mulher do Giovani, a Ana Carolina Morais. 

A moça incorporou o sertanejo ostentação e vive postando imagens de joias, carrões e “champa”. Minha preferida é uma em que Ana aparenta estar lendo um versículo da Bíblia, mas o foco está em um voluptuoso anel de ouro. Não creio que o quiproquó sertanejo, tão suculento para os sites de fofoca e revistas em geral, vá se acalmar tão cedo. Zezé mandou avisar que não vai dormir na praça por conta de mimimi: “Sou assim mesmo. Meu Instagram vai continuar assim. Bateu, levou. Não sou politicamente correto. Lá é um espaço meu com os fãs. Se vier falar bobagem, eu respondo à altura”. Nem sou capaz de garantir que a história de Zezé e Zilu teve um ponto final. Vai que, ainda ontem, um dos dois decidiu reler as cartas, sentir o perfume... 

E olha que um dia a gente chegou a acreditar que o castelo sertanejo da moral e dos bons costumes iria ruir com, sei lá, o Junior (filho do Xororó, eu acho). Ou ainda com o polêmico irmão de Zezé, o Luciano - que em entrevista já se declarou fã de escritores russos e, portanto, deve saber muito bem por que “todas as famílias felizes são iguais, mas as infelizes o são cada uma a sua maneira”.

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