Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em agosto

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em agosto

Lista publicada no último domingo de cada mês reúne lançamentos nas livrarias brasileiras

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de agosto:

35 Ensaios de Silviano Santiago (Companhia das Letras)

Conceituado ficcionista e crítico literário, Silviano Santiago, em mais de seis décadas de atividade, publicou ensaios primorosos sobre autores, brasileiros ou não. Multidisciplinar, analisou desde a poesia de Elizabeth Bishop à obra visual de Hélio Oiticica, passando por Aleijadinho e Oswald de Andrade. Em 35 Ensaios de Silviano Santiago, é possível ler parte dessa produção selecionada por Ítalo Moriconi, também autor de uma introdução sobre a obra do escritor mineiro, hoje com 82 anos e radicado no Rio de Janeiro. No livro há ensaios dedicados a Lévi-Strauss, Drummond, Eça de Queiroz e jovens poetas que surgiram na década de 1970.

Oblómov - Ivan Gontcharov (Companhia das Letras)

Publicado há 160 anos, Oblómov, de Gontacharóv, é um clássico da literatura russa que definiu um tipo de aristocrata preguiçoso e ausente, que não participa do jogo social. A influência do livro foi tamanha que fez surgiu um termo novo para definir o caráter de gente como o protagonista de Gontchárov: “oblomovschina’, sinônimo de indolente. Não que Oblómov seja um mau-caráter. Ele é apenas como o Bartleby de Melville: não acha que valha a pena sair do sofá para fazer coisa alguma. Apático, Oblómov, rico proprietário de terras, abandona o trabalho em plena época de mudanças radicais na Rússia. A tradução (do russo) é do experiente Rubens Figueiredo.

Nova Cosmogonia e Outros Ensaios - Stanislaw Lem (Perspectiva)

Mais conhecido como autor de Solaris, que virou filme nas mãos do russo Tarkovski e do americano Soderbergh, o polonês Stanislaw Lem (1921-2006), renomado autor de ficção científica, foi também um ensaísta que não fugia de temas insólitos, alguém como Borges. As conquistas científicas e tecnológicas sempre foram o foco de seus textos, mas elas não cabiam mais no formato de ficção para Lem, que, no último período de vida, dos anos 1990 em diante, deixou de lado os romances para se dedicar a outros gêneros, como Nova Cosmogonia e Outros Ensaios, que não disfarçam sua desconfiança num futuro dominado por máquinas e robôs.

Mary Ventura e o Nono Reino - Sylvia Plath (Biblioteca Azul)

Conto inédito no Brasil da poeta norte-americana Sylvia Plath (1932-1963), Mary Ventura e o Nono Reino foi escrito aos 20 anos e rejeitado por uma revista – ela o reescreveria em 1954, mas a versão lançada no Brasil é a original. O conto, alegórico, narra uma viagem de trem até o Nono Reino, ponto final da trajetória de uma jovem prestes a ingressar na vida adulta. Repleto de elementos autobiográficos, o conto fala de uma amiga de colégio da poeta, Mary Ventura. Plath, que se matou, aos 31 anos, publicou um único livro de poemas em vida (The Colossus, 1960) e um romance (A Redoma de Vidro, 1963), ganhando um Pulitzer póstumo em 1982.

O Futuro da Humanidade - Michio Kaku (Crítica)

Michio Kaku, cientista conhecido com cocriador da teoria do campo de cordas, escreve, em O Futuro da Humanidade, sobre a conquista de Marte, viagens interestelares com robôs, imortalidade e transumanismo. Nas próximas décadas, anuncia Kaku, o mundo vai enfrentar catástrofes ambientais que poderão decidir o destino de muitas espécies – a humana, inclusive, cujo consumo cresce em escala “arrebatadora”, segundo suas palavras. Ao contrário do polonês Stanislaw Lem, Kaku é otimista. Imagina que os humanos tenham capacidade de evitar catástrofes e embarcar em sua maior aventura, uma jornada em busca de novos planetas.

Churchill & Orwell - T.E. Ricks (Zahar)

O ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill (1874-1965) e o escritor George Orwell (1903-1950) não poderiam discordar mais ideologicamente: o primeiro, um liberal conservador; o segundo, um socialista convicto. Embora estivessem em lados opostos do espectro político, estadista e ficcionista concordavam em um ponto: a defesa da democracia. Escrito pelo vencedor do Pulitzer Thomas E. Ricks, o livro Churchill & Orwell mostra como essas duas figuras foram fundamentais, em tempos de ódio, autoritarismo e retrocessos, para a manutenção da liberdade, um por meio da literatura e o outro com sua prática política.

O Mundo Ainda É Jovem - Domenico de Masi (Vestígio)

Domenico de Masi é um otimista inveterado. O livro mais conhecido do sociólogo italiano é O Ócio Criativo, produto de uma entrevista à jornalista Maria Serena Palieri. Um novo diálogo entre os dois conterrâneos rendeu como fruto O Mundo Ainda É Jovem, livro em que Domenico percorre um caminho semelhante ao do psicólogo americano Steven Pinker, em O Novo Iluminismo: para ele, não vivemos no melhor dos mundos possíveis, mas vivemos no melhor dos mundos que já existiram. De Masi se debruça sobre temas como o trabalho e a longevidade para analisar as opções que se abrem para a humanidade no mundo contemporâneo. 

A Mercadoria Mais Preciosa - Jean-Claude Grumberg (Todavia)

Roteirista de cineastas franceses como François Truffaut, o dramaturgo e escritor Jean-Claude Grumberg, de 80 anos, dedicou-se também à literatura infantil. Sua primeira obra publicada no Brasil é justamente uma fábula que se distingue por tratar com delicadeza de um dos temas mais pesados da história, o Holocausto. Em A Mercadoria Mais Preciosa, um casal de lenhadores observa, dia após dia, a passagem dos trens carregando judeus para os campos de extermínio. Sem saber do destino daqueles passageiros, o casal fica à espera de um aceno – até que um dia são surpreendidos por um gesto muito maior: um bebê é jogado pela janela do trem. 

Serpentário - Felipe Castilho (Intrínseca)

Felipe Castilho é um dos mais promissores nomes jovens da literatura de gênero brasileira. Uma de suas características é unir elementos das mitologias indígenas, do folclore nacional e da cultura popular a referências cinematográficas e literárias na chave da fantasia ou do horror. Serpentário se passa na Ilha das Cobras, no litoral de São Paulo, local que abriga a segunda maior concentração desses animais no mundo. No Réveillon de 1999, três jovens viajam ao litoral para encontrar um amigo e vão parar nesse perturbador arquipélago. Para escaparem, são obrigados a fazer um sacrifício que, anos mais tarde, retornará para acossá-los.

Ecos do Mundo - Eça de Queiroz (Carambaia)

Eça de Queiroz (1845-1900) não foi apenas um dos maiores ficcionistas da língua portuguesa, mas também exercitou-se em outros gêneros, como a crônica jornalística, que agora está sendo reunida em Ecos do Mundo. Organizado pelo escritor Rodrigo Lacerda, o volume conta com artigos publicados em jornais, entre 1871 e 1899, e é dividido em quatro seções – Brasil, Inglaterra, França e Mundo. Nosso país é visto com deferência, especialmente em comparação com Portugal, mas ele não poupa sua ironia ao retratar uma excursão de d. Pedro II pela Europa. Eça também se mostra um visionário ao enxergar os embriões das potências atuais, Estados Unidos e China.

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