Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em fevereiro

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em fevereiro

De um clássico da Antiguidade a obras contemporâneas, dez livros que não podem passar em branco este mês

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente e que merecem destaque. Confira as indicações de fevereiro, que incluem clássicos como H.P. Lovecraft e contemporâenos como Roberto Calasso:

Pietro Maria Bardi: Construtor de um Novo Paradigma Cultural - Nelson Aguilar (Unicamp)

Em 2011, a Unicamp realizou um simpósio internacional sobre o historiador e crítico italiano Piero Maria Bardi (1900-1999), o homem que criou (com Assis Chateaubriand) o Masp, museu que dirigiu por 45 anos. O livro Pietro Maria Bardi: Construtor de um Novo Paradigma Cultural resultou desse encontro. Organizado pelo curador Nelson Aguilar, ele reúne textos reveladores como o de Paolo Rusconi, que fala do período fascista (Bardi, de fato, travou “relações perigosas” com Mussolini). Outro texto, de Eugênia Gorini Esmeraldo, conta a chegada de Bardi ao Brasil, em 1946, e os primórdios do Masp em sua primeira sede, nos Diários Associados.

Áustria: Uma História Literária (UFPR)

Livro essencial que trata da literatura austríaca desde 1650. Nele estão reunidos autores reconhecidos da língua alemã como os ganhadores do Nobel Peter Handke e Elfriede Jelinek, além de escritores do passado (Kafka, Rilke) que não nasceram na Áustria, mas têm ligação profunda com o país e escreveram em alemão. O volume, com mais de 900 páginas, é escrito numa linguagem acessível por Klaus Zeyringer e Helmut Gollner, entre outros autores, que estabelecem relações entre a história, a política e a cultura na Áustria, nos últimos 350 anos. Entre os autores analisados por eles está Robert Musil (1880-1942), figura incontornável da modernidade literária austríaca.

O Asno de Ouro - Apuleio (34)

O Asno de Ouro é o único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra. Também conhecido como Metamorfoses, ele foi escrito por Apuleio no século 2 d.C. e teve uma presença decisiva na elaboração dos clássicos de Boccaccio, Shakespeare e Flaubert. Apuleio conta a história do jovem Lúcio que, na Grécia, se hospeda na casa de uma mulher que lida com magia. Para conhecer os mistérios da metamorfose, ele ingere uma poção e é transformado por engano em um asno. Raptado por salteadores, Lúcio tem que trabalhar como burro de carga, uma alegoria à escravidão, até retomar sua forma humana. O livro foi traduzido por Ruth Guimarães.

O Inominável Atual - Roberto Calasso (Companhia das Letras)

O crítico e editor italiano Roberto Calasso, nascido em 1941, é um daqueles intelectuais renascentistas que o mundo parou de ver nascer. Fluente em várias línguas (inclusive as mortas), Calasso é um ensaísta cuja erudição pode ser atestada já no primeiro capítulo de O Inominável Atual, em que ele associa o último estágio da formação do terrorismo islâmico à difusão da pornografia na rede, nos anos 1990. Embora não seja uma invenção recente, a figura do assassino-suicida (Marco Polo já falava dele), desafia Calasso a uma explicação – e ele vai de Nietzche a Burckhardt em busca dela). Um livro impossível de abandonar pela metade.

Pós-História: Vinte Instantâneos e um Modo de Usar - Vilém Flusser (É Realizações)

Dando prosseguimento à coleção dedicada ao filósofo Vilém Flusser (1920-1991), a editora É Realizações lança Pós-História: Vinte Instantâneos e um Modo de Usar, uma das obras mais inquietantes do pensador checo, naturalizado brasileiro. Vilém Flusser trata na obra de problemas que vivemos nos dias de hoje, antecipando em quase três décadas as consequências da crença irrestrita na tecnologia, especialmente no mundo das imagens e no entertainment. Embora pessimista (com razão, já que sua família morreu num campo de extermínio), o filósofo, que foi colaborador do Suplemento Literário do Estado, aponta saídas para quem quiser ver.

Por Que o Tempo Voa - Alan Burdick (Todavia)

A sensação de que o tempo parece transcorrer cada vez mais rapidamente é comum, especialmente em uma época hiperconectada como a atual. Para entender os motivos por trás disso – e até que ponto essa percepção está correta – o repórter da revista americana The New Yorker Alan Burdick investiga fatores científicos, culturais e psicológicos desse fenômeno no livro Por Que o Tempo Voa. O jornalista informa, por exemplo, que “tempo” é o substantivo mais utilizado no idioma inglês. Apesar disso, pouco compreendemos sobre a real natureza do tempo. Por isso, ele conjuga conhecimentos da física e da biologia à filosofia em sua jornada em busca do tempo perdido. 

Escravidão Contemporânea - Leonardo  Sakamoto (org.) (Contexto)

Mais de um século após a abolição da escravatura, o trabalho forçado ainda é uma realidade no Brasil: entre 1995 e 2019, mais de 54 mil pessoas foram descobertas nessa situação desumana, não apenas em fazendas, mas também em grandes centros urbanos. A informação está no livro Escravidão Contemporânea, organizado pelo jornalista Leonardo Sakamoto, conselheiro das Nações Unidas sobre esse tema infelizmente atual. A obra conta com dez artigos assinados por especialistas brasileiros e estrangeiros, entre cientistas políticos, economistas, antropólogos, professores e até um auditor responsável pela fiscalização de empresas. 

O Sino e o Relógio - Hélio de Seixas Guimarães e Vagner Camilo (Carambaia)

O romantismo literário brasileiro foi extremamente fértil para a narrativa breve. Para demonstrar a variedade de facetas do conto no século 19 na literatura nacional, os professores da USP Hélio de Seixas Guimarães e Vagner Camilo organizam a antologia O Sino e o Relógio. A obra privilegia textos raros da época, alguns nomes que foram invisibilizados (como as autoras abolicionistas Nísia Floresta e Maria Firmina dos Reis) e até dois contos publicados de forma anônima, cuja autoria ainda hoje é desconhecida. Ao todo, a coletânea reúne 25 narrativas escritas entre 1836 e 1879, divididas em quatro eixos temáticos: fantásticas, históricas, cotidianas e intrigas.

O Poder e a Glória - Graham Greene (Biblioteca Azul)

O escritor britânico Graham Greene travou debates ferrenhos com um sacerdote antes de trocar o ateísmo pelo catolicismo, em 1926. Pouco mais de uma década depois, ele confirmaria sua fé ao viajar para o México e vislumbrar a cruzada antirreligiosa travada pelo governo local na região. O autor teria ficado tão comovido ao ver a fidelidade dos habitantes da província de Tedesco para resistir firmes em suas crenças que, tempos depois, essa experiência seria a fonte de inspiração do clássico O Poder e a Glória. O livro, um relato ficcionalizado de sua vivência no México, ganha agora nova edição com a tradução de Mário Quintana.

Os Mitos de Cthulhu - H.P. Lovecraft (Nova Fronteira)

Publicados no auge da era da pulp fiction, os contos perturbadores do escritor americano H. P. Lovecraft moldaram toda uma geração de leitores – e escritores, como Anne Rice e Stephen King podem atestar – do gênero de terror. Mais especificamente, suas narrativas breves se inserem no horror cósmico, que retrata entidades e criaturas tão abjetas que fogem à compreensão humana e, frequentemente, nos ignoram de tão grandiosos que são diante de nós. Essa noção de que a humanidade seja tão ínfima a ponto de ser desprezível a outros seres se baseia nas descobertas científicas de seu tempo, que nos colocaram como coadjuvantes no teatro do cosmos. 

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