Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Entre lançamentos nacionais e internacionais, algumas das obras que merecem atenção no mês

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2018 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países. Confira as indicações de julho:

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Revolucionário republicano francês, Louis-Auguste Blanqui (1805-1881) passou 37 anos preso por defender a tomada do poder pela luta armada, a igualdade dos sexos e o fim do trabalho infantil. Admirado por Borges, entre outros, seu profético A Eternidade Conforme os Astros é lançado. Ele antecipou teorias que seriam depois exploradas por astrofísicos (a de que o universo é uma estrutura cujo centro está em toda parte). Sua cosmologia é, de fato, muito avançada para a época: de modo poético, ele toca num tema caro aos escritores: os universos paralelos, tese que influenciou Nietzsche a escrever sobre o eterno retorno. / Antonio Gonçalves Filho 

O ensaísta José Miguel Wisnik descobriu um tema ausente na bibliografia sobre o mineiro Carlos Drummond de Andrade: ele concluiu, numa viagem à cidade natal do poeta, Itabira, que a atividade mineradora teve influência na sua formação. Ele era apegado à província, mas ansioso para ser cosmopolita. Wisnik, professor de literatura e compositor, revendo a produção drummondiana, vê nela traços contemporâneos que preservam sua atualidade. Drummond, porém, viveu um conflito provinciano: mesmo sendo autor de poemas eróticos, declarou em entrevista que a homossexualidade lhe causava repugnância. /A.G.F. 

Primeiro romance adulto da escritora norte-americana Katie Williams, Tell the Machine Goodnight é uma ficção futurista em que uma máquina fornece receitas de felicidade individual. O protagonista, funcionário da companhia que produz a máquina, entra em confronto com o filho, que se recusa a seguir as recomendações do invento. O crítico Matt Haigh, ao falar do livro, enfatizou que não se trata apenas de uma crítica à dependência tecnológica, mas de uma trama engraçada e humanista que critica a distância entre as pessoas, provocada pela intervenção das máquinas na vida social. Poderia (fácil) ser um episódio de Black Mirror. / NYT

 Edição bilingue e fac-similar, esta publicação de Ariel retoma o conjunto de poemas como foi concebido originalmente por Sylvia Plath, reproduzindo os manuscritos da poeta norte-americana, que se matou em 1963. A publicação anterior era diferente da atual, partindo mesmo dos rascunhos do poema que dá título a este segundo livro da escritora, que, na edição original, de 1965, coordenada pelo marido Ted Hughes, sofreu modificações na seleção feita pela autora poucas semanas antes de sua morte. Ariel traz alguns dos grandes poemas de Sylvia Plath, entre os quais Lady Lazarus, que alude à mitológica ave Fênix ao tratar do Holocausto. Uma antologia de tirar o fôlego. / A.G.F.

Pobreza, violência, famílias vivendo em condições miseráveis. O Brasil já era assim quando o escritor maranhense Aluísio Azevedo lançou seu romance naturalista O Cortiço, em 1890, denunciando as más condições de higiene e saúde nos cortiços cariocas. O livro, lançado numa edição primorosa da Todavia, narra a ascensão de um comerciante português, João Romão, dono de uma pedreira que explora os empregados e tem uma obsessão: ficar rico. A lei do mais forte predomina num cenário em que não falta um incêndio (hoje comum em favelas) para empurrar os moradores do cortiço para outro pior. Um marco da literatura na virada do século. /A.G.F.

De que forma traumas da infância moldam as relações pessoais da vida adulta? É essa a principal questão em Deus Ajude Essa Criança, publicado em 2015 pela americana Toni Morrison, vencedora do Nobel de literatura em 1993. A obra, que ganha nova edição brasileira, acompanha a trajetória de Bride, uma jovem empresária bem-sucedida, que carrega, no entanto, a mágoa de ter sido rejeitada pela família por causa de seu tom de pele escuro. Para conquistar a atenção da mãe, ela inventa uma história que leva uma mulher inocente à prisão. Anos depois, busca reparar os danos, mas vê-se diante de tramas complexas que envolvem racismo, abuso sexual, culpa e ressentimento. / Júlia Corrêa

Organizada pelo jornalista Miguel Conde, a coletânea Quarteto Mágico reúne em suas páginas os contos de alguns dos principais nomes do absurdo na literatura brasileira. Murilo Rubião, José J. Veiga, Campos de Carvalho e Victor Giudice destilam em suas narrativas breves o sumo do surrealismo que os consagrou como ficcionistas inventivos, avessos às normas, contrários às convenções, sejam literárias ou lógicas. Em uma história, um coelho é transformado em gente; em outra, um homem adquire um apito que, acredita ele, lhe concede a capacidade de gerenciar o tráfego dos pedestres sob sua janela. A verossimilhança não é a protagonista de nenhum dos contos. / André Cáceres

 Um dos principais manifestos contra a escravidão na literatura norte-americana, o clássico A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, obteve tamanho sucesso comercial no século 19 a ponto de ser reconhecido entre os fatores que ajudaram a deflagrar a Guerra Civil (1861-1865) no país, menos de uma década após seu lançamento, em 1852. A nova edição publicada pela Carambaia propõe reflexões sobre a obra e introduz ensaios críticos que repensam sua posição como marco do abolicionismo e até questionam traços potencialmente racistas na forma como Stowe retratou o protagonista Tomás, um submisso escravo negro. / A.C.

Base para o filme Os Dois Mundos de Charly, dirigido por Ralph Nelson em 1968, o romance Flores Para Algernon, de Daniel Keyes, questiona a ideia de que o conhecimento seja um dom por meio de um protagonista carismático e uma prosa sentimental. Charlie Gordon tem dificuldades intelectuais, o que se reflete nos erros que se amontoam no início do livro. Submetido a um procedimento experimental com o objetivo de aumentar sua inteligência, Charlie consegue sucesso, mas sua nova capacidade traz problemas que ninguém teria como prever à medida que sua percepção do mundo ao redor se altera graças ao seu intelecto recém-adquirido. /A.C. 

Com texto inédito do filósofo Bento Prado Jr. (1937-2007), escrito em seu exílio na França entre 1969 e 1974 e traduzido pela primeira vez para o português, A Retórica de Rousseau reúne oito ensaios do autor sobre a obra do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Bento Prado Jr. analisa as metamorfoses da obra de Rousseau, enfatizando que essa só poderia mesmo ser compreendida no futuro, destacando ainda a coerência dos Discursos do pensador francês. Ele observa a ressonância desses discursos, por exemplo, na obra de Proust e analisa as opiniões de Rousseau sobre literatura, passando por sua (problemática) relação com o teatro e a política. /A.G.F.

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