Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Confira lançamentos literários que não podem passar em branco na estante este mês

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua estante. Confira as indicações de julho:

A Águia e o Leão - Victor Hugo (Expressão Popular)

Com organização, seleção e notas da professora Walnice Nogueira Galvão, A Águia e o Leão reúne escritos políticos do escritor francês Victor Hugo (1802-1885), que, filho de general napoleônico, defendeu causa populares não apenas nos livros (Os Miseráveis) como em sua vida, sendo por isso exilado. A professora Walnice destaca no livro (da coleção Clássicos do Pensamento Radical) a influência do pensamento de Hugo sobre os escritores brasileiros Castro Alves e Euclides da Cunha. Entre os textos de Hugo estão uma crítica à pena de morte, a defesa das liberdades democráticas e até um poema em homenagem aos mártires da Comuna de Paris.

O que é arte? - Leon Tolstoi (Nova Fronteira)

Publicado em 1898, na fase derradeira da vida de Tolstoi, O Que é Arte? pretende dar uma resposta a essa complexa questão. É um livro raivoso contra a arte de seu tempo, que aborda também outros períodos e fala tanto de criadores conhecidos (Van Gogh) como de nomes praticamente esquecidos. O espírito conservador de Tolstoi o fez criticar pintores como Kandinski, tido como autor da primeira pintura abstrata, e poetas como Baudelaire e Verlaine, defendendo uma arte popular e acessível contra o hermetismo de seus contemporâneos (Wagner, entre eles). Moralista, Tolstoi ainda repudia as peças de Ibsen e as sinfonias de Beethoven.

O Desaparecimento de Josef Mengele - Olivier Guez (Intrínseca)

Ganhador do prêmio Renaudot de 2017, O Desaparcimento de Josef Mengele, do jornalista e romancista francês Olivier Guez, levanta uma questão perturbadora: como o homem, conhecido como o Anjo de Morte, médico da SS, que realizou experimentos monstruosos com prisioneiros em Auschwitz, conseguiu passar tantos anos vivendo incógnito na América do Sul até seu corpo ser encontrado, em fevereiro de 1979, numa praia do litoral paulista? Guez conta sua trajetória e lembra que Mengele foi acolhido na Argentina durante o governo de Perón, vivendo depois no Brasil durante o regime militar sem ser importunado. Um romance incômodo, de fôlego.

eCultura: A Utopia Final - Teixeira Coelho (Iluminuras)

Dedicado a uma investigação sobre a cultura computacional, eCultura, a Utopia Final - Inteligência Artificial e Humanidades, do professor Teixeira Coelho, vai além e conta os primórdios dessa cultura (como os portões do Olimpo que se abrem por si só na Ilíada), sugerindo que os antigos construtores de pássaros mecânicos (Archytas de Tarento, Da Vinci) talvez tenham imaginado os primeiros drones da história. A erudição de Teixeira Coelho permite ao leitor relacionar grandes obras de ficção do passado (como A Máquina Parou, de E.M. Forster, publicado em 1909) com o presente, provando que a a eCultura já estava lá nesses fragmentos distópicos.

Euclides da Cunha: Esboço Biográfico - Roberto Ventura (Companhia das Letras)

Ao morrer, em 2002, num acidente automobilístico, o jornalista e escritor Roberto Ventura preparava uma biografia do escritor Euclides da Cunha. Sua mulher, Márcia Zoladz, e seu amigo Mário César Carvalho, descobriram os originais desse livro em andamento, que agora recebe uma segunda edição ampliada 17 anos depois, Euclides da Cunha - Esboço Biográfico. E ssa ampliação compreende a tese de livre docência de Ventura sobre a impossibilidade de descrever a barbárie da guerra, ajudando o leitor a entender o conflito de Euclides como jornalista a serviço de um relato objetivo e, ao mesmo tempo, sensibilizado com a tragédia dos miseráveis.

Mil Sóis - Primo Levi (Todavia)

O nome do escritor judeu italiano Primo Levi é sempre associado à 2.ª Guerra Mundial, uma vez que seu texto mais conhecido, É Isto um Homem?, foi um dos principais testemunhos do Holocausto escritos por um sobrevivente de Auschwitz. No entanto, a literatura dele não se resume apenas a rememorar essa catástrofe humana – como se pode ver pelo seu pseudônimo Damiano Malabaila, com o qual ele escreveu ficção científica. Agora chega ao Brasil, com tradução de Maurício Santana Dias, Mil Sóis, uma reunião de poemas de Primo Levi que mostra outro lado menos conhecido de sua obra, não apenas - embora também - marcada pela experiência do genocídio. 

Serotonina - Michel Houellebecq (Alfaguara)

O francês Michel Houellebecq é um dos mais polêmicos autores da atualidade, e seu último livro foi anunciado como uma previsão dos coletes amarelos, movimento que agitou a política francesa em 2019. Serotonina narra a história de Florent-Claude Labrouste, um homem em plena crise de meia-idade que sobrevive à base de antidepressivos e vê sua vida se despedaçar diante de si. Se essa premissa parece pouco original para alguém tão incisivo quanto Houellebecq, é interessante perceber a atenção que ele dispensa ao movimento de agricultores do interior da França antes da eclosão dos protestos no país e à sensação de que a União Europeia está fadada ao fracasso.

História da Solidão e dos Solitários - Georges Minois (Unesp)

História do Riso e do Escárnio, História do Suicídio, História do Ateísmo... O historiador francês Georges Minois é um dos principais nomes da chamada “história das mentalidades”, que revolucionou o estudo historiográfico no século 20, e seu mais novo livro traduzido no Brasil tem muito a dizer sobre os novos modos de viver surgidos na era da internet. Em História da Solidão e dos Solitários, o intelectual mostra como o isolamento proporcionado pelas novas tecnologias de comunicação é um fenômeno que pode ter suas raízes traçadas desde a antiguidade, desafiando a ideia tão estabelecida do ser humano como um “animal social”

Contos Brutos - org. de Anita Deak (Reformatório)

Um dos mais interessantes lançamentos da Flip, a coletânea Contos Brutos parte da etimologia da palavra “autoritarismo” para empreender uma investigação sobre os tempos atuais. Por meio de 33 contos, sendo 30 deles inéditos, autores relevantes da literatura brasileira contemporânea mostram, em diferentes aspectos da vida, como se dá o autoritarismo desde as mais altas esferas do poder público até os mais íntimos círculos das relações humanas. Com organização de Anita Deak, a antologia conta com nomes como Luiz Ruffato, Evandro Affonso Ferreira, Cristina Judar, Aline Bei, Ronaldo Bressane e Vilma Arêas.

A Doença e o Tempo - Eduardo Jardim (Bazar do Tempo)

Em A Doença e o Tempo, o ensaísta e filósofo Eduardo Jardim percorre a história do vírus HIV, desde seu surgimento no território que hoje é o Congo, até os dias de hoje, mostrando seus desdobramentos na ciência, na medicina e, principalmente na cultura. No livro, Jardim relata como a Aids se espalhou pelo mundo e como ela se tornou uma das mais graves doenças do mundo, além de analisar como foi rapidamente vista pela arte como uma matéria-prima para o drama, tendo sido objeto de diversas manifestações culturais. Escritores, cineastas e artistas se debruçaram sobre o tema para explorar suas nuances e consequências. 

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