Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Obras de ficção e não ficção, entre lançamentos e reedições, selecionados para ler na quarentena

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, no último domingo de cada mês, dez obras publicadas recentemente para incluir em sua Estante. Confira as indicações de obras para ler na quarentena este mês:

Messalina - Alfred Jarry (Iluminuras)

O francês Alfred Jarry (1873-1903), mais conhecido como criador do personagem Ubu, da peça Ubu Rei (1896), e criador da Patafísica, foi inspirador do teatro do absurdo e influenciou o movimento surrealista com sua demolição da realidade, como em Messalina, que a Iluminuras lança este mês. Escrito em 1901, o romance recria de maneira livre a agitada vida sexual de Messalina, partindo de sua obsessão pelo deus Fales, que vê desaparecer e para o qual busca um simulacro na Terra, seja por meio de um mímico ou de um rapaz considerado um exemplar de beleza. A verve de Jarry, moderna e delirante, faz justiça à fama da devassa imperatriz.

Retorno a Reims - Didier Eribon (Âyiné)

O filósofo Didier Eribon, biógrafo de Foucault, resolve escrever sobre a própria vida e fez um acerto de contas com seu lugar de origem, a Reims do título (Retorno a Reims), uma cidade que, além de champanhe e uma catedral famosa, tem pouco a oferecer a um intelectual do porte de Eribon, que já escreveu sobre Genet e Lévi-Strauss. Em todo caso, Reims não incomoda tanto Eribon como seu passado, marcado pelo confronto com os nativos por causa de sua homossexualidade – tema que ele abordou anteriormente em livros como Réflexions sur la Question Gay (1999). Escrito em 2009, ele fala ainda do mundo operário de sua infância. O livro vai ser lançado em agosto.

O Romance de Tristão - Béroul (Editora 34)

A história celta do amor de Tristão e Isolda rendeu, entre outras obras célebres, a ópera romântica do alemão Richard Wagner. A fonte literária de algumas dessas obras é o livro O Romance de Tristão, de Béroul, uma narrativa rimada, composta entre 1150 e 1190, que integra o ciclo de histórias do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. Heroísmo, magia e até uma leve dose de erotismo marcam o romance de Béroul, um poeta normando que escreveu em francês sobre o mito arcaico, cuja origem são lendas contadas entre os povos celtas do noroeste Europeu. Narra as aventuras do corajoso Tristão e o amor pela princesa da Irlanda, descendente de fadas.

Alienação e Liberdade - Frantz Fanon (Ubu)

Psiquiatra e ativista de direitos civis, Frantz Fanon (1925-1961) é conhecido pelos livros Pele Negra, Máscaras Brancas (1952) e Os Condenados da Terra (1961). Porém, sua obra como psiquiatra é menos conhecida, situação que a Editora Ubu ajuda a mudar com a publicação de Alienação e Liberdade, obra que traz textos inéditos em português, todos eles com foco na relação entre a alienação colonial e a doença mental. Esses textos foram originalmente publicados no jornal interno do hospital de Blida-Joinville onde ele trabalhou entre 1953 e 1956. Também filósofo, o ensaísta francês, originário da Martinica, esteve envolvido na luta pela independência da Argélia.

Os Miseráveis - Victor Hugo (Nova Fronteira)

O clássico dos clássicos franceses do século 19, Os Miseráveis já teve adaptações para o cinema e teatro, inclusive na Broadway. Repetindo o feito da extinta Cosac Naify, a editora Nova Fronteira lança um box luxuoso com dois volumes da obra de Victor Hugo, que, escrita no século 19, guarda muita relação com o conflito entre indivíduo e Estado no século 21, ao tratar da via crúcis de Jean Valjean, estigmatizado por ser um ex-presidiário (entre outros crimes, ele foi condenado por roubar um pão para matar a fome de sua irmã e sobrinhos). O leitor acompanhar a ascensão social e a redenção de Valdejean. A presente edição tem prefácio de Carlos Heitor Cony.

Pandemônio - Vários autores (Edição independente)

“Escrevo um livro sobre o fim do mundo e em meio à escrita do fim do mundo, o mundo começa a acabar.” Com essas palavras, a escritora Carola Saavedra praticamente resume o livro Pandemônio. A antologia reúne, além dela, outros importantes escritores contemporâneos, como Cristina Judar, Fred di Giacomo e Aline Bei, mesclando relatos mais ou menos próximos da realidade do tal “novo normal”, numa espécie de registro literário da pandemia. Entre os autores, há alemães e residentes na Alemanha, que travam um diálogo incômodo entre as diferentes realidades de enfrentamento ao coronavírus, uma bem-sucedida e a outra tragicamente desastrosa. Clique aqui para baixar o livro gratuitamente.

A Tensão Superficial do Tempo - Cristovão Tezza (Todavia)

Em seu novo romance A Tensão Superficial do Tempo, Cristovão Tezza apreende o espírito do Brasil contemporâneo por meio de seu protagonista. Cândido é um professor de cursinho e um especialista em pirataria online. Mora com a mãe desde seu divórcio e é responsável por abastecê-la com filmes e séries baixados pela internet. Vivendo em Curitiba, ele vê sua cidade se tornar cenário crítico para a política nacional em meio à prisão do ex-presidente Lula, ao mesmo tempo em que percebe  seus conhecidos e familiares se dividirem em dois extremos em meio à polarização ideológica que assola o País atualmente. 

Capital e Ideologia - Thomas Piketty (Intrínseca)

O economista francês Thomas Piketty se tornou  referência na temática da desigualdade em 2013, ao lançar O Capital no Século XXI, um livro que passa longe da aprovação unânime mas que se tornou fundamental para entender a economia contemporânea. Com seu novo livro, Capital e Ideologia, o estudioso investiga como as ideologias, ao longo de vários séculos, sustentaram os mecanismos que permitiram o acúmulo de bens por uma fração da sociedade em detrimento dos demais. Na obra, Piketty propõe um novo olhar para a propriedade privada, de modo que ela seja um elemento emancipatório e não um perpetuador de injustiças.

Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média - J.R.R. Tolkien (HarperCollins)

Os livros de J.R.R. Tolkien podem ser lidos separadamente, como romances independentes, ou unidos, como parte de um plano maior. Para além das aventuras dos hobbits, há muitas histórias ocultas do continente fictício da Terra-média que conferem riqueza ainda maior a esse universo. No entanto, sua rotina de escrita pouco diligente fez com que Tolkien não conseguisse concluir grande parte dos textos que iniciou. Algumas dessas obras estão reunidas em Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média, coletânea que ganha nova tradução e cobre desde os dias antigos dessa mitologia até eventos próximos aos de O Senhor dos Anéis.

O Amante - Marguerite Duras (Tusquets)

Uma das maiores vozes femininas da literatura do século 20, Marguerite Duras talvez seja mais conhecida pelo roteiro do filme Hiroshima Mon Amour, de Alain Resnais. Em O Amante, livro vencedor do prestigioso prêmio Goncourt, a escritora francesa nascida em Saigon narra com traços autobiográficos a história de uma relação clandestina entre uma adolescente e um comerciante chinês no Sudeste Asiático no período entreguerras. Assim como na vida real, sua protagonista é filha de uma viúva francesa que perdeu dinheiro com um investimento precipitado na Indochina. O romance foi adaptado para o cinema por Jean-Jacques Annaud em 1992.

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