Montagem/Estadão
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Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em julho

Obras inéditas e reedições, livros nacionais e estrangeiros compõem lista de lançamentos indicados

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 09h00

Todos os meses a equipe do Aliás seleciona dez livros que estão chegando às prateleiras do Brasil, entre obras inéditas e reedições de autores nacionais ou estrangeiros. A lista de julho de 2021 conta com nomes como Ferreira Gullar e Zelda Fitzgerald.

Os Árabes: Uma História - Eugene Rogan (Zahar)

Cinco séculos de evolução da identidade árabe são analisados pelo historiador Eugene Rogan em Os Árabes - Uma História, lançamento da Editora Zahar que aborda desde o domínio otoma no ao século 21. Rogan é um autor preciso, que recorre a textos de memorialistas árabes para contar uma história complexa e repleta de conflitos. Autor do best-seller The Fall of the Ottomans, Rogan, ao comentar recorrentes turbulências em países árabes, dá a entender que não tem muita esperança na vitória da democracia em lugares como o Egito, onde os militares sempre deram as cartas, ou mesmo na Tunísia, vítima do terrorismo na transição para uma era constitucional.

Artigos e Textos Jornalísticos - Zelda Fitzgerald (Pontoedita)

Reunindo 13 ensaios, Artigos e Textos Jornalísticos de Zelda Fitzgerald é a primeira publicação a colocar foco numa intelectual eclipsada pela figura do marido, F. Scott Fitzgerald, ao lado de quem, aliás, assinou alguns textos agora publicados no livro da Ponta Edita. Entre as atrações está o conto O Iceberg, escrito quando Zelda tinha apenas 17 anos e até hoje inédito em livro. O marido famoso é retratado em dois textos, sendo um deles uma resenha de Os Belos e Malditos. O livro, uma pequena tiragem de 300 exemplares, tem texto de abertura de Clara Averbuck, ilustrações de Bruna Maia, prefácio de Marcela Lanius e tradução de Maurício Tomboni.

Visões - William Blake (Iluminuras)

Pouco lido por seus contemporâneos, o poeta inglês William Blake foi redescoberto no século passado, especialmente pela geração que defendeu o amor livre e a nova espiritualidade – e praticou o marketing em torno desses temas. Em Visões, que reúne 11 livros publicados por Blake entre 1789 e 1795, o tradutor José Antonio Arantes selecionou textos de Canções de Inocência e O Matrimônio entre o Céu e o Inferno, entre outros, criticando a apropriação de poemas de Blake pela geração de Patti Smith, que, segundo Arantes, distorceu a voz do poeta e artista visual londrino. Sobram críticas até para o beat Allen Ginsberg por uso indevido de citações. 

Satíricon - Petrônio (Editora 34)

Membro da cortedo imperador Nero, Petrônio, levado a cometer suicídio por conspiração, deixou registrado em Satíricon (Satyricon, no original) um retrato impiedoso da antiga Roma, que serviu de inspiração para um filme lisérgico de Fellini (que via na decadência do império semelhanças com o ocaso da civilização ocidental no século 20). O personagem central é Encólpio que, tendo profanado o culto a Príapo, é condenado à impotência, sendo obrigado a uma jornada de expiação. Perde e depois recupera o afeto do amante Gitão, frequenta banquetes de poetas fracassados e forma triângulos amorosos com facilidade extrema. Lascivo, poético e perturbador.

A Saga dos Intelectuais Franceses - François Dosse (Estação Liberdade)

O historiador francês François Dosse faz nos dois volumes de A Saga dos Intelectuais Franceses 1944-1989 um resumo do que foi a história da inteligência em seu país no século 20. No primeiro volume, que cobre o período entre 1944 e 1968, Dosse fala, naturalmente, do papel de filósofos como Jean-Paul Sartre e o romancista Albert Camus na mudança do panorama conservador francês. Outros intelectuais, como Céline, Lévi-Strauss e Simone de Beauvoir são analisados por Dosse neste primeiro volume, que termina com a adesão de muitos deles à casa vietnamita. O segundo volume vai de 1968 a 1989, das utopias esquerdistas às lutas contra o totalitarismo.

Toda Poesia - Ferreira Gullar (Companhia das Letras)

“Tudo o que sobrará de mim/é papel impresso”, vaticinou o poeta maranhense Ferreira Gullar em Barulhos, livro de 1987. Tido por Vinicius de Moraes como o último grande poeta brasileiro, Gullar não se restringiu apenas à poesia engajada ou à experimentação linguística ou à reelaboração de suas memórias como poesia. A exemplo de João Cabral de Melo Neto, o escritor de São Luís morto em 2016 misturou essas três dimensões – política, estética e íntima – de maneira indissociável em sua obra, que conta com dez livros escritos entre 1950 e 2010 e que vai de versos metrificados até poemas visuais dos mais sofisticados.

Rua do Larguinho - Lilia Guerra (Patuá)

Autora do romance Amor Avenida (2014) e Perifobia (2018), Lilia Guerra sempre teve sua obra atravessada pelo embate entre centro e margem em um cenário urbano de distorções sociais. Assim como em seus livros anteriores, especialmente a coletânea de contos Perifobia, que também pode ser lida como um romance fragmentário, Rua do Larguinho, lançado recentemente pela editora Patuá, retoma a temática da periferia sob a ótica feminina e desafiando as noções de conto e romance. Embora tenha como fio condutor Pití, apresentada desde a infância nos anos 1980, a obra percorre as vidas de várias outras mulheres ao longo de suas páginas. 

A Morte de Arthur - Sir Thomas Malory (Nova Fronteira)

Publicado originalmente em 1485 por Sir Thomas Malory, A Morte de Arthur é um dos mais relevantes livros do ciclo arturiano, narrando da concepção de Arthur Pendragon à sua ascensão, declínio e morte. A edição da Nova Fronteira, que traz gravuras do século 19 de Aubrey Beardsley, conta também com um interessante prefácio assinado no século 15 por William Caxton, primeiro editor do texto, falando sobre os motivos que o levaram a publicar a história, àquela época tida como verdadeira por muitos nobres. A mitologia do Rei Arthur está na base de muito da cultura pop contemporânea e deu origem a lendas que permanecem no imaginário coletivo ocidental. 

Guerra Contra Palmares - Silvia Hunold Lara e Phablo Roberto Marchis Fachin (org.) (Chão)

Palmares foi o maior e mais importante assentamento de escravos fugidos do Brasil, mas há um problema historiográfico com o relato do quilombo governado, entre outros, pelo mítico Zumbi. O principal documento histórico sobre Palmares é um relato publicado em 1859 com base em um manuscrito de 1678 escrito pelo padre Antônio da Silva, vigário da matriz do Recife entre 1658 e 1697. No entanto, o texto original, localizado em Portugal, jamais era consultado. Guerra Contra Palmares traz, além do texto do padre, outros relatos alternativos sobre a ruína do mocambo que devem contribuir com o debate historiográfico sobre esse episódio. 

A Porta - Magda Szabó (Intrínseca)

Magda Szabó (1917-2007) nasceu e morreu em Debrecen, na Hungria. Começou a carreira literária aos 30 anos com dois volumes de poesia – um dos quais lhe rendeu um prêmio em 1949. Escreveu obras infantis e de não ficção, mas seu ápice foi, de acordo com a crítica, A Porta, de 1987. O livro, descoberto tardiamente fora da Hungria, foi publicado em inglês apenas em 2015 – e escolhido um dos dez melhores do ano pela revista The New York Times Book Review. Na obra, uma escritora com relações ambíguas contrata uma mulher analfabeta como governanta e a vê tomar controle de sua casa, entrando aos poucos em uma relação de dependência mútua.

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