Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em junho

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em junho

Lista publicada no último domingo de cada mês reúne lançamentos nas livrarias brasileiras

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2019 | 15h27

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de junho:

Coração das Trevas - Joseph Conrad (Ubu)

Os males do colonialismo podem ser resumidos neste clássico de Joseph Conrad, Coração das Trevas, que a Ubu lança em tradução de Paulo Schiller. O capitão de um barco, Marlow, parte ao encontro de um explorador de marfim, Kurtz, que vive entre nativos do Congo e deve voltar à civilização dos brancos, que, segundo o escritor polonês, é tão brutal como a selva congolesa. O cineasta Francis Ford Coppola tomou o livro como ponto de partida para escrever o roteiro de sua obra-prima, Apocalypse Now. A nova edição do livro de Conrad traz posfácio inédito do escritor Bernardo Carvalho e ensaios críticos, além de ilustrações de Rosângela Rennó.

Dias Exemplares - Walt Whitman (Carambaia)

No ano do bicentenário do poeta americano Walt Whitman (1819-1892), a editora Carambia lança uma edição especial de Dias Exemplares, cuja estrutura se assemelha a um diário, reunindo fragmentos e ensaios curtos do autor de Folhas da Relva (1855). Nele, Whitman fala de sua infância e juventude, comentando sua formação literária e musical. Há também comentários sobre personagens ilustres de seu tempo. O livro foi concluído por Whitman aos 64 anos, quando o escritor já havia sofrido um derrame. Um dos melhores momentos do livro é o comentário de Whitman, um democrata, sobre a Guerra da Secessão, na qual seu irmão esteve envolvido.

Todos os Homens São Mortais - Simone de Beauvoir (Nova Fronteira)

Romance que é também um ensaio filosófico sobre a experiência existencial, Todos os Homens São Mortais virou clássico e recebeu algumas edições no Brasil (a última em 1983 pela Nova Fronteira, com tradução de Sérgio Milliet). O livro volta ao mercado e confirma o talento de Simone de Beauvoir como ficcionista. Nele, Raymond Fosca torna-se imortal ao beber um elixir no século 18, também ingerido por um rato. Já no século 20 o leitor acompanha a impotência de Fosca diante da vida. Ele quer morrer, mas já não pode. Só quando ama alguém, o desejo de viver se reacende. Quanto ao rato, ele continua fugindo dos homens com terror justificado.

A Casa no Brasil - Antonio Risério (Topbooks)

Polêmico, brilhante, o antropólogo Antonio Risério tem entre seus leitores o compositor e cantor baiano Caetano Veloso, que escreve sobre ele na contracapa do livro A Casa no Brasil, em que resume o conteúdo de um livro que fala dos vários modos de morar e das diversas moradias no Brasil, evocando desde o modelo hollywoodiano até os mocambos, passando pelas ocas tupis e os prédios construídos segundo a tradição moderna da Bauhaus. O historiador Jorge Caldeira destaca a erudição de Risério, capaz de fazer associações inusitadas para mostrar que casa é tecnologia e linguagem, de Gropius a Rykwert. Um livro sobre a poética da habitação.

The Capital - Robert Menasse (Liveright)

Por meio de cinco histórias interligadas, o escritor austríaco Robert Menasse criou The Capital, considerado pela crítica europeia o primeiro grande romance sobre a União Europeia. Ambientado em Bruxelas, o livro aborda o cotidiano na capital que é o coração da UE, condenando de forma veemente a burocracia multinacional que emperra a máquina que move o continente europeu. Bastante sarcástico, Menasse, já conhecido do leitor brasileiro, mira particularmente o Reino Unidos – o que o torna bastante atual por causa do Brexit. Há também alusões ao universo surrealista de Magritte numa investigação comandada por um Maigret belga.

Redemoinho em Dia Quente - Jarid Arraes (Alfaguara)

A jovem escritora cearense Jarid Arraes surgiu na literatura como uma espécie de porta-voz da nova geração de cordelistas. Em 2018, seu livro Um Buraco Com Meu Nome revelou sua faceta de poeta contemporânea. Agora, a autora que será um dos destaques da Flip, publica Redemoinho em Dia Quente, reunião de contos curtos que não apenas a consolida como uma das principais vozes emergentes fora do eixo Rio-São Paulo, mas também mostra um sertão para além de estereótipos, urbanizado e repleto de contradições. Mesclando o real e o insólito, Jarid Arraes aborda personagens femininas que fogem dos papéis estabelecidos e não se encaixam em seus contextos sociais.

A Metamorfose das Plantas - Johann Wolfgang Von Goethe (Edipro)

Não satisfeito em ser um dos maiores escritores de todos os tempos e patrono das letras alemãs, Johann Wolfgang von Goethe também se dedicou extensivamente à ciência. Duas décadas antes de publicar seu célebre estudo Teoria das Cores, Goethe se debruçou sobre a botânica no ensaio A Metamorfose das Plantas. A obra descreve o processo pelo qual as folhas, formas primitivas e fundamentais dos vegetais, dão origem aos mais diversos órgãos. Em uma época anterior à noção de evolução, suas contribuições foram pouco reconhecidas, mas Charles Darwin, 69 anos depois, cita brevemente as ideias de Goethe em A Origem das Espécies, restituindo-lhe o estatuto de pioneirismo científico. 

Este É o Mar - Mariana Enriquez (Intrínseca)

Após estrear com o livro de contos As Coisas que Perdemos no Fogo, a escritora e jornalista argentina Mariana Enriquez, que estará na Flip, publica no Brasil seu primeiro romance. Ao conferir uma dimensão mitológica a aspectos do cotidiano, Este é o Mar percorre a tradição de fantasia urbana no estilo de nomes como o autor Neil Gaiman e o diretor M. Night Shyamalan. Em seu livro, para se tornar uma lenda do rock é necessário firmar um pacto com as entidades chamadas Luminosas. Em um retrato crítico da juventude contemporânea, o livro acompanha um desses seres, que tenta conferir sucesso a um cantor, algo difícil em tempos de anseios tão efêmeros.

A Telepatia São os Outros - Ana Rüsche (Monomito)

Não é por acaso que a poeta paulistana Ana Rüsche faz referência ao aforismo de Jean-Paul Sartre (“O inferno são os outros”) no título de sua nova novela. Se o filósofo francês alude à importância da alteridade para a formação da identidade individual, A Telepatia São os Outros reflete sobre a paradoxal combinação entre tecnologias de comunicação e o isolamento contemporâneo. Enfrentando uma crise de meia-idade após a morte da mãe, a protagonista Irene parte para um retiro num vilarejo do Chile. Quando ela experimenta uma substância que desencadeia a telepatia no cérebro humano, suas noções de relação interpessoal são desestabilizadas.

O Santo - César Aira (Rocco)

César Aira é um dos mais prolíficos escritores argentinos contemporâneos. Em seu mais recente livro, vencedor do Prêmio Iberoamericano de Narrativa Manuel Rojas, ele retorna à Idade Média para narrar o fim da vida de um monge enclausurado num mosteiro catalão. Quando o sacerdote decide retornar à Itália, sua terra natal, para passar seus últimos dias, o abade do vilarejo encomenda seu assassinato para não perder uma figura religiosa tão lucrativa para a cidade. O monge sobrevive ao atentado, mas acaba tendo de passar por uma última jornada de provações – e descobre que suas convicções não eram tão fortes quanto ele imaginava.

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