Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em março

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em março

Lista publicada no último domingo de cada mês reúne lançamentos nas livrarias

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de março:

Enervadas - Chrysanthème (Carambaia)

Dez anos antes de o voto feminino ser conquistado pelo movimento sufragista brasileiro, o livro Enervadas, publicado em 1922, já questionava as leis da época quanto à diferença de tratamento entre os gêneros. “As nossas leis esquecem o progresso do mundo e o novo papel da mulher na sociedade e no universo”, protesta a protagonista Lúcia, uma personagem tão à frente de seu tempo quanto a autora que a concebeu. Chrysanthème era o pseudônimo de Maria Cecília Bandeira de Melo Vasconcelos (1870-1948), uma das principais vozes femininas na literatura brasileira do século 20, injustamente obscurecida pelas forças que moldam o cânone nacional.

Escrever ficção - Luiz Antonio de Assis Brasil (Companhia das Letras)

A experiência granjeada ao longo dos 34 anos ininterruptos ministrando a Oficina de Criação Literária da PUC-RS – da qual saíram nomes consagrados da literatura contemporânea como Daniel Galera, Michel Laub, Carol Bensimon e Luísa Geisler – forneceu a Luiz Antonio de Assis Brasil a base para conceber o livro Escrever Ficção. Condensando o conteúdo de suas aulas no mais prestigioso e duradouro curso de escrita criativa do País, o autor não promete fórmulas mágicas para a fabricação de um best-seller, mas sim ferramentas que possam ser usadas e adaptadas ao gosto de cada ficcionista, auxiliando no repertório da formação de escritores.

Verifique se o Mesmo - Nuno Ramos (Todavia)

Nuno Ramos é um dos artistas plásticos mais badalados da atualidade, mas também é um escritor premiado e, não menos importante, compositor. Assim como ele é uma personalidade caleidoscópica, também seu novo livro, Verifique se o Mesmo, oferece um amplo espectro para a compreensão do Brasil como um país culturalmente perdido em sua busca por identidade. Nessa obra que reúne ensaios sobre artistas como Caetano Veloso, Glauber Rocha e Tunga, Nuno Ramos vai do erudito ao popular em uma vírgula para oferecer sua visão do País, compreendendo temas dos mais diversos, desde literatura, cinema e arte até o futebol. 

A Natureza da Arte - Edmond Couchot (Unesp)

Divulgadores científicos como Carl Sagan e Charles Percy Snow sempre lamentaram a abissal distância que separa duas das mais relevantes áreas do conhecimento humano: as artes e as ciências. O livro A Natureza da Arte, do artista digital e teórico da arte francês Edmond Couchot, é um importante passo para reduzir esse abismo deplorável. Na obra, publicada pela editora da Unesp, o autor reúne hipóteses, teorias e experimentos científicos produzidos nas últimas seis décadas para realizar um extenso levantamento de como as ciências da cognição compreendem o processo de prazer estético proporcionado pela arte. 

Minha Irmã, a Serial Killer - Oyinkan Braithwaite (Kapulana)

Oyinkan Braithwaite é uma das principais revelações da literatura africana. Nascida em Lagos, na Nigéria, a escritora ganhou destaque antes mesmo de publicar seu primeiro livro, quando ficou entre as dez melhores artistas de spoken word (poesia falada) no concurso Eko Poetry Slam. Desde então, sua prosa passou a ganhar proeminência e ela lançou em 2018 Minha Irmã, a Serial Killer, que chega agora ao Brasil, já com os direitos vendidos para o cinema. Nesse thriller psicológico bem-humorado, a amargurada Korede percebe tendências homicidas em sua irmã caçula, Ayoola, cujos três ex-namorados aparecem misteriosamente mortos.

A Cidade Perdida do Deus Macaco - Douglas Preston (Vestígio)

Um dos principais responsáveis pela queda da civilização asteca, o conquistador espanhol Hernán Cortés ouviu, no século 16, rumores que ele julgou confiáveis de que havia uma cidade lendária de riquezas inigualáveis em meio à floresta de La Mosquitia, na atual Honduras. A Cidade Branca, como era supostamente chamada, nunca havia sido encontrada até se tornar uma das maiores descobertas arqueológicas do século 21. A mais recente expedição científica às ruínas dessa cidade, empreendida em 2016, é narrada pelo jornalista Douglas Preston em A Cidade Perdida do Deus Macaco, que reconfigura nosso conhecimento sobre as culturas pré-hispânicas na América Central.

Terra de Sonhos e Acaso - Filipe de Campos Ribeiro (Martin Claret)

No prefácio de Terra de Sonhos e Acaso, o escritor coreano-brasileiro Nick Farewell compara a dimensão mítica que o livro emprega ao seu cenário à maneira pela qual Guimarães Rosa faz do sertão o seu mundo e James Joyce trata de temas universais em sua Dublin. No livro, o paulistano Filipe de Campos Ribeiro faz o mesmo na fictícia cidadezinha de Rio das Almas, para onde seu protagonista Ismael – ecoando Moby Dick – precisa retornar para reclamar sua herança. Nesse vilarejo, crimes misteriosos têm amedrontado seus habitantes supersticiosos. Com um repertório de mitos sertanejos, Ribeiro constrói um excelente exemplo de horror genuinamente brasileiro.

O Dia D - Antony Beevor (Crítica)

 “Dia D”, “Hora H” e “Minuto M” são termos militares utilizados desde a 1.ª Guerra Mundial para determinar o início de uma ação ofensiva. Foi com esse nome que ficou conhecida a Operação Netuno, a maior invasão por mar já registrada na história bélica. O desembarque dos exércitos aliados – ao todo, 13 países participaram do ataque – nas praias da Normandia já foi tema de filmes (a cena de abertura de O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, é antológica), mas uma das principais obras sobre a investida de 6 de junho de 1944 é o livro O Dia D, do historiador britânico Antony Beevor, grande especialista no registro da 2.ª Guerra Mundial.

Isto Não É um Assassino - Hugo Aguiar e Gustavo Machado (Sesi-SP)

A obra do pintor surrealista belga René Magritte motiva reflexões das mais variadas – apenas a tela A Traição das Imagens (1928-29) foi usada pelo filósofo francês Michel Foucault para abordar a questão da representação semiótica e pelo checo-brasileiro Vilém Flusser para se debruçar sobre a hierarquia entre texto e imagem. O álbum Isto Não É Um Assassino, quadrinho brasileiro com roteiro de Hugo Aguiar e arte de Gustavo Machado, não apenas reflete sobre o mosaico de significados do trabalho de Magritte, mas é uma grande celebração dele. Sem balões de fala e com referências a dezenas de telas, a HQ é uma homenagem surrealista de sua obra.

Back in the USSR - Fábio Fernandes (Patuá)

Suíça, 1794: o dr. Victor Frankenstein patenteou seu revolucionário método de ressurreição e mudou para sempre a história humana. Essa é a premissa de Back in the USSR, romance de Fábio Fernandes que imagina as consequências da vida eterna para a sociedade. Nessa trama que inverte conceitos da história oficial para fins literários, John Lennon não se interessa em continuar vivendo após sua morte, mas é ressuscitado à própria revelia. O livro dá início à coleção Futuro Infinito, selo de ficção científica da editora Patuá que contará com obras de Braulio Tavares, Roberto de Sousa Causo, Claudia Dugim e outros importantes nomes nacionais do gênero.

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