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Montagem/Estadão
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Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em março

Seleta do mês conta com obras brasileiras e estrangeiras, de autores clássicos e contemporâneos

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 10h00

Todos os meses, a equipe do Aliás recomenda dez livros recém-lançados em sua Estante. Este mês, as indicações vão de obras nacionais contemporâneas a clássicos estrangeiros, de ficção a estudos, de livros inéditos a reedições.

Visão das Plantas - Djaimilia Pereira de Almeida (Todavia)

A escritora portuguesa nascida em Angola Djaimilia Pereira de Almeida venceu o Prêmio Oceanos 2020 com A Visão das Plantas, que chega agora ao Brasil. A obra foi inspirada no capitão Celestino, personagem de Os Pescadores, de Raul Brandão, que largou a vida de pirata para de dedicar ao jardim de casa. Partindo dessa imagem, a autora narra a história de um ex-capitão de um navio negreiro que, após ter cometido atrocidades imperdoáveis, passa o fim da vida regando suas plantas e relembrando a vida pregressa.

O Sussurro das Estrelas - Naguib Mahfuz (Carambaia) 

O escritor egípcio Naguib Mahfuz (1911-2006) é, até hoje, o único autor de língua árabe a ser laureado com o prêmio Nobel. Após a sua morte, o jornalista Muhammad Shoair descobriu, na casa da filha do autor, uma caixa com dezenas de manuscritos e originais, muitos dos quais publicados apenas em revistas e dezoito deles inéditos. É essa seleta, traduzida diretamente do árabe por Pedro Martins Criado, que chega ao Brasil pela primeira vez. Passados em vilarejos egípcios, os contos narram o embate entre a autodeterminação individual e as imposições da religião, entre modernidade e tradição.

O Som do Rugido da Onça - Micheliny Verunschk (Companhia das Letras)

No início do século 19, muitos estudiosos europeus embarcavam com destino ao chamado Novo Mundo para desbravar as florestas e os mistérios do outro lado do Atlântico. O novo romance de Micheliny Verunschk, ganhadora do Prêmio São Paulo de Literatura, mescla o Brasil contemporâneo, com suas contradições sociais, e essa época de exploradores ávidos por glórias, por meio da jornada de dois indígenas levados para a Alemanha pelo zoólogo Johann Baptist von Spix e pelo botânico Carl Friedrich von Martius.

Kafka e Schopenhauer: Zonas de Vizinhança - Maurício Arruda Mendonça (Eduel) 

Tradutor de Sylvia Plath, Rimbaud, Shakespeare e Beckett, o poeta Maurício Arruda Mendonça se debruçou, em um caudaloso estudo acadêmico, sobre a relação entre a obra do escritor checo Franz Kafka (1883-1924) e o pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). A partir de obras como O Castelo e Na Colônia Penal, Mendonça mostra como Kafka não só conhecia a Filosofia da Vontade de Schopenhauer, como era fortemente influenciado pelo pensador. Seu amigo Max Brod, responsável pela sobrevivência e publicação póstuma das obras de Kafka, era um grande leitor do filósofo alemão. 

Antes do sol de amanhã - Maira Garcia (Patuá)

“Numa terra desatenta/onde a cigarra canta,/não há outro jeito/senão a esperança”. Os versos da poeta Maira Garcia, que esteve entre os 70 autores brasileiros selecionados para a Primavera Literária Brasileira em Paris e Braga logo antes do início da pandemia de covid-19, em 2020, refletem o estado de desolação da quarentena imposta pelas medidas restritivas no País. Se sua estreia na poesia, Depois da Lua de Ontem, foi inspirado nos itinerários trilhados externamente, Antes do Sol de Amanhã contrasta não apenas com o título da obra anterior, mas com suas inspirações: em vez do ambiente externo, a clausura doméstica e o tema da espera.

O cru e o cozido, Claude Lévi-Strauss (Zahar)

Um dos maiores nomes da antropologia no século 20, Claude Lévi-Strauss (1908-2009) colheu mitos e narrativas entre os povos ameríndios para compor a tetralogia que começa a ser reeditada no Brasil com o lançamento do clássico estudo O Cru e o Cozido. Na obra, o pensador vai desvendando as lógicas de pensamento dos povos nativos da América a partir de suas categorias de pensamento, que ele percebe ser muito mais concretas do que se imagina, revelando um pensamento original, vigoroso e sofisticado por parte dos indígenas.

Elas Marchavam sob o Sol - Cristina Judar (Dublinense)

Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, Cristina Judar volta ao romance com Elas Marchavam sob o Sol, uma obra fragmentária, repleta de vozes e personagens que se entrecruzam, lidando com o tema do confinamento, da clausura, a partir da perspectiva feminina. No livro, há desde roteiros fictícios de comerciais a cartas de mulheres torturadas nos porões da ditadura, tudo para enriquecer as duas linhas narrativas principais: Ana, uma jovem contemporânea que sofreu um aborto; e Joan, neta de uma espécie de bruxa que é perseguida em um contexto mítico e místico.

Até que a Brisa da Manhã Necrose teu Sistema - Ricardo Celestino (Clube de Autores)

As influências de Ricardo Celestino no romance Até que a Brisa da Manhã Necrose teu Sistema vão do cyberpunk clássico de William Gibson às experimentações estéticas de Guilherme Kujawski. Na obra, que se passa numa São Paulo futurista, mas que guarda as contradições sociais do Brasil contemporâneo, o autor explora aspectos do pós-humanismo e a ideia de “alta tecnologia, baixo padrão de vida”, mas sem deixar de lado o lirismo e as inovações formais, mesclando prosa e verso num romance distópico.

Mapas para Desaparecer - Nara Vidal (Faria e Silva)

Vencedora do Prêmio Oceanos, Nara Vidal reúne onze contos em Mapas para Desaparecer. O título da coletânea é sintomático, uma vez que as narrativas exploram em grande medida as facetas do desaparecimento, seja na forma da morte, da ausência física ou da supressão psicológica ou social. Em meio às histórias sobre uma filha que sumiu ou uma relação que se esfacela paulatinamente, a autora explora os códigos da violência provocada pela masculinidade tóxica contra as mulheres.

Será que Isso Presta? - Jerry Seinfeld (Intrínseca)

Um dos principais comediantes de stand-up do mundo, Jerry Seinfeld relembra as cinco décadas de sua carreira e reúne suas principais piadas de cada época em livro. A obra perpassa sua ascensão na cena humorística de Nova York nos anos 1970, suas primeiras apresentações em rede nacional nos anos 1980, o seriado que o levou ao estrelato e revolucionou as sitcoms nos anos 1990, o retorno aos palcos nos anos 2000, até o confinamento provocado pela pandemia de covid-19. 

 

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