Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em novembro

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em novembro

Clássicos e lançamentos compõem a lista dos livros indicados no mês

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de novembro:

Percurso em Prosa - Fernando Pessoa (Nova Fronteira)

Fernando Pessoa é com certeza o poeta moderno português mais conhecido no mundo, mas sua prosa não divide a mesma popularidade. Pensando nisso, a Nova Fronteira organizou um box com dois volumes, Percurso em Prosa, com seleção de textos da professora Mônica Figueiredo, da UFRJ. O primeiro volume traz crônicas, ensaios, cartas e rascunhos de projetos do autor. O segundo é um passeio por Lisboa, tendo Pessoa como guia turístico da cidade. Redigido em inglês, o livro foi produzido em 1925 com o objetivo de divulgar seu país. No entanto, ele só seria publicado no fim do século 20. A edição é bilíngue e ilustrada com fotos de Lisboa. 

Mitologias Arquetípicas - Gustavo Barcellos (Vozes)

Afrodite, Apolo, Dioniso, Eros, Hermes são mitos gregos analisados pelo psicólogo Gustavo Barcellos em Mitologias Arquetípicas, em que explora a teia de relações entre deuses que não operam como figuras autônomas. Barcellos aborda a psicologia arquetípica seguindo James Hillman (1926-2011), analista pós-junguiano do qual, aliás, é tradutor, ou seja, enxergando psicologia na mitologia e resgatando o sentido estético da beleza. Ele comenta, por exemplo, como o entrelaçamento de Ares e Afrodite é o mais reprimido na cultura judaico-cristã por ser difícil para essa mentalidade entender que Afrodite representa um poder civilizatório, não a barbárie.

Na Terra do Cervo Branco - Chen Zhongshi (Estação Liberdade)

No épico chinês Na Terra do Cervo Branco, homens de um mesmo clã alternam-se no poder por meio de guerras civis sangrentas e intermináveis, que se sucedem com o fim da dinastia Qing e a queda do Império, em 1912. A invasão japonesa, a 2ª. Guerra e a tomada do poder por Mao Tsé-Tung são outros temas discutidos no longo (864 páginas) livro de Chen Zhongshi, concebido em 1987 e só publicado em 1993, romance que é ao mesmo tempo um panorama histórico das transformações da China e das revoluções pessoais que culminam no atual conflito pelo fim do poder autoritário. Um épico, enfim, que trata sobretudo de filosofia existencial.

Lojas de Canela - Bruno Schulz (34)

Livro de estreia do escritor polonês Bruno Schulz (1892-1942), Lojas de Canela reúne 20 contos do autor, admirado por Philip Roth e John Upidke. Schulz teve uma vida breve, interrompida por um tiro de um oficial nazista, mas deixou um valioso legado literário – a Editora 34 vai publicar em seguida Sanatório, seu segundo livro, ambos com tradução de Henryk Siewierski. Sanatório, por seu conteúdo – a visita de um homem a seu pai doente numa estranha casa – rendeu (em 1973) uma adaptação surrealista para o cinema dirigida por Wojciech Haas. Os dois livros já foram publicados pela extinta Cosac Naify em 2012 com ilustrações do autor. 

O Jovem Törless - Robert Musil (Nova Fronteira)

Livro de estreia do aclamado escritor Robert Musil, O Jovem Törless foi publicado em 1906, mas nele já se esboça a crítica frequente a um sistema que desumaniza e sujeita o indivíduo à crueldade da massa. No caso, o jovem do título é um adolescente que testemunha as piores atrocidades num internato em que os impulsos homoafetivos dos estudantes são reprimidos e se transformam em exercícios de puro sadismo. Törless decide que não quer participar desse esquema e se evade. O livro foi filmado por Volker Schlöndorff em 1966, mas fica a dever para a vigorosa literatura de Robert Musil e sua intransigente defesa dos vulneráveis.

O Irlandês - Charles Brandt (Seoman)

“Somente nos filmes ou nas histórias em quadrinhos alguém diz a outra pessoa para que vá e mate alguém”, relata Frank Sheeran no livro O Irlandês, inspiração para o novo filme de Martin Scorsese, com Al Pacino, Robert de Niro e Joe Pesci. A obra conta a sórdida história desse veterano de guerra e caminhoneiro que também era um matador de aluguel. Ao longo de cinco anos de entrevistas, Sheeran contou ao advogado criminalista Charles Brandt seu envolvimento com quase 30 assassinatos, oferecendo um retrato do pós-guerra nos EUA e uma visão dos bastidores da máfia italiana sem a idealização que o cinema – incluindo Scorsese – ajudou a construir.

A Idade de Ouro do Brasil - João Silvério Trevisan (Alfaguara)

Em seu mais recente romance, João Silvério Trevisan tenta compreender as origens das sucessivas crises – econômica, moral, institucional – que assolam o Brasil contemporâneo por meio da regressão aos dias de prosperidade. Em 2009, em meio ao otimismo proporcionado pelo crescimento econômico e pela descoberta do pré-sal, um grupo de políticos e empresários articulam a criação de um novo partido para tentar surfar no bom momento do País. Esse é o cenário de A Idade de Ouro do Brasil, em que Trevisan, sem deixar a temática homossexual que marcou sua carreira, pinta um retrato cômico de uma nação que invoca o abismo.

Os Testamentos - Margaret Atwood (Rocco)

Publicado originalmente em 1985, O Conto da Aia venceu o Arthur C. Clarke Award, mas seu sucesso se manteve circunscrito aos fãs de ficção científica até 2016, quando a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA reacendeu o interesse por distopias como a de Margaret Atwood. Após a popularização da obra e sua adaptação para a TV, a autora decidiu atualizar os temas tratados com Os Testamentos, continuação que se passa 15 anos após o livro original. Vencedor do Booker Prize deste ano, o romance entrelaça as histórias de três mulheres: uma canadense, fora da opressão de Gilead, e as outras duas em castas diferentes dessa sociedade. 

Longa Pétala de Mar - Isabel Allende (Bertrand Brasil)

A escritora Isabel Allende viveu no Peru, no Chile e na Venezuela antes de partir para os Estados Unidos, onde mora atualmente. Talvez seja essa peregrinação entre o Primeiro Mundo e a América Latina a inspiração para seu mais recente romance histórico, Longa Pétala de Mar – cujo título foi inspirado em uma expressão cunhada pelo poeta chileno Pablo Neruda para descrever a longilínea geografia do país. O livro narra a saga de um médico e uma pianista exilados de Barcelona durante a Guerra Civil Espanhola. Eles recomeçam a vida no Chile, mas suas convicções políticas os tornam alvos novamente quando um golpe militar leva Augusto Pinochet ao poder.

Viver é Tomar Partido - Anita Leocádia (Boitempo)

A trajetória de vida da historiadora Anita Leocádia Prestes é no mínimo fascinante: filha do militar comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes e da militante judia alemã Olga Benário, ela nasceu em um campo de concentração nazista, onde sua mãe foi prisioneira antes de ser morta pelo Terceiro Reich (sua história foi tema de um livro de Fernando Morais e um filme de Jayme Monjardim). Após publicar biografias de seu pai (2015) e de sua mãe (2017), Anita, prestes a completar 83 anos, reúne suas próprias memórias em Viver é Tomar Partido, livro autobiográfico que traça um retrato particular permeado pelo autoritarismo do século 20.

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