Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em outubro

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em outubro

Prosa, verso e não ficção de autores brasileiros e estrangeiros estão na lista de indicações do mês

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2019 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de outubro:

Sobre os Ossos dos Mortos - Olga Tokarczuk (Todavia)

Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura deste ano ao lado do alemão Peter Handke, a escritora polonesa Olga Tokarczuk, de 57 anos, é uma das autoras mais premiadas de seu país. Em Sobre os Ossos dos Mortos, ela mostra as razões desse prestígio na Polônia e em outros países. Nele, uma professora aposentada de inglês, morando numa região afastada da Polônia, divide seu tempo entre a leitura de Blake e retirar armadilhas do caminho de animais selvagens. Em meio a uma investigação de um crime surgem temas como insanidade e direitos dos animais (o que a aproxima de outro Nobel, J.M. Coetzee). O livro chega às livrarias no próximo dia 5.

Uma Jornada como Tantas - Francisco J. C. Dantas (Alfaguara)

O professor de literatura sergipano Francisco J. C. Dantas estreou já maduro (aos 50) como romancista em Coivara da Memória (1991), seguido de outro livro monumental, Os Desvalidos (1993). Agora, em Uma Jornada como Tantas, ele conta uma emocionante história ambientada no interior do Sergipe e que começa numa igreja durante os preparativos da festa da Padroeira. Nos anos 1950, a precariedade das estradas era ainda maior que nos dias que correm, o que obriga o marido de uma gestante a contar com a ajuda de um carro de boi para levá-la até uma cidade mais próxima. A jornada é descrita por Valdomiro, um menino. Obra de um mestre da literatura.

Um Cavalo Pálido - Boris Sávinkov (Grua)

Camus era um grande admirador seu, assim como Picasso e Blaise Cendrars. A atração que o escritor russo Boris Sávinkov exerceu deve-se mais à boa literatura do autor do que à atuação política do revolucionário, que matou altos funcionários do Império Russo. Em O Cavalo Pálido, Sávinkov faz uso dessa experiência de revolucionário socialista ao contar a história de um terrorista que lidera um grupo armado empenhado em perseguir políticos em Moscou. O livro é de 1909, anterior, portanto, à Revolução, e narra os conflitos de homens que viraram assassinos para atingir seus objetivos. Sávinkov morreu em 1929, mas influenciou muitos autores.

Hannah Arendt e Martin Heidegger:Uma História de Amor - Antonia Grunenberg (Perspectiva)

Uma filósofa judia alemã se apaixona por um filósofo filiado ao Partido Nazista. O caso de Hannah Arendt e Martin Heidegger não foi apenas de duas criaturas contraditórias, mas de dois pensadores cuja razão não foi suficiente para que diferenças ideológiocas inconciliáveis afastassem um do outro. É esse romance que a biógrafa Antonia Grunenberg explora em Hannah Arendt e Martin Heidegger:Uma História de Amor, denso estudo com mais de 400 páginas em que a professora de Ciências Políticas fala da identificação filosófica entre Arendt e Heidegger e sobre a questão ética envolvendo a dupla, cuja história se confunde com a do século 20.

Inquietações em Dias de Insônia - Leonardo Tonus (Nós)

Professor de literatura brasileira na Universidade de Sorbonne, na França, Leonardo Tonus é hoje um dos principais divulgadores da cultura nacional contemporânea no exterior. Ele foi idealizador, por exemplo, da Primavera Literária Brasileira, evento realizado anualmente em Paris desde 2014, contando com a presença de diversos autores brasileiros). Após sua primeira incursão na poesia com Agora Vai Ser Assim, de 2018, Tonus retorna ao terreno lírico em Inquietações em Dias de Insônia. Os versos de seu mais recente livro tratam, entre outros temas, do impacto na cultura provocado pelas turbulências políticas no Brasil.

Minha Pátria Era um Caroço de Maçã - Herta Müller (Biblioteca Azul)

A escritora romena Herta Müller ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 2009 por retratar “a paisagem dos despossuídos”. De fato, tanto sua obra poética quanto seus romances refletem sua experiência pessoal diante da opressão estatal – ela foi perseguida pelo governo comunista de Nicolae Ceausescu e foi obrigada a se exilar na Alemanha. No livro Minha Pátria era um Caroço de Maçã, a autora faz um balanço de sua vida durante uma conversa com a jornalista austríaca Angelika Klammer. Nessa obra autobiográfica, Müller relembra a infância nos campos da Romênia e fala sobre como uma ditadura desmancha relações entre os indivíduos.

Columbine - Dave Cullen (Darkside)

Dave Cullen foi um dos primeiros repórteres a entrar na Columbine High School em 20 de abril de 1999 – naquele dia, dois jovens mataram 12 alunos e um professor antes de cometerem suicídio. Apesar de esse massacre, o primeiro da era da internet, ser tão lembrado, ainda existe muita desinformação sobre o acontecimento, que se tornou peça chave do debate sobre armamentos nos Estados Unidos. Columbine é um premiado livro-reportagem em que o jornalista não apenas reconta o caso com base em centenas de entrevistas, análise das evidências policiais e horas de gravações em vídeo e áudio, mas traz propostas para que massacres desse tipo parem de acontecer.

Café da Manhã dos Campeões - Kurt Vonnegut (Intrínseca)

Café da Manhã dos Campeões foi o primeiro livro que o escritor americano Kurt Vonnegut publicou depois do sucesso de Matadouro 5. No romance, Vonnegut destila ironia ao fazer o leitor acompanhar o vendedor de carros e empresário Dwayne Hoover perdendo sua sanidade mental graças, em parte, aos livros de Kilgore Trout. Espécie de alter ego do autor, mas inspirado em Theodore Sturgeon, o personagem é um autor de ficção científica que aparece em pelo menos seis obras de Vonnegut. Graças à influência dele sobre Hoover, o protagonista passa a acreditar ser a única criatura dotada de livre-arbítrio no mundo, enquanto todas as pessoas agiriam como autômatos.

Mundos Apocalípticos - John Joseph Adams (org.) (Planeta)

 Desde a mais antiga obra da literatura, a Epopeia de Gilgamesh, em que uma grande inundação global deixa poucos sobreviventes, a ideia de apocalipse está presente na ficção. Os anseios em relação às mudanças climáticas deram ao tema ainda mais relevância, e é claro que diversos escritores se debruçariam sobre o assunto. O livro Mundos Apocalípticos, organizado por John Joseph Adams, é uma prova disso. Reunindo contos de autores como Octavia Butler, George R.R. Martin, Orson Scott Card e Stephen King sobre o fim do mundo – e o que acontece depois dele –, a obra explora perspectivas científicas, filosóficas e psicológicas da tragédia. 

A Ilha de Arturo - Elsa Morante (Carambaia)

Em 1957, quando a italiana Elsa Morante publicou A Ilha de Arturo – adaptado cinco anos mais tarde para o cinema por Damiano Damiani – ela já frequentava os mais altos círculos intelectuais de sua época: era mulher de Alberto Moravia e amiga do cineasta Pier Paolo Pasolini, da escritora Natalia Ginzburg e do filósofo Giorgio Agamben. A obra se passa na ilha de Procida antes da 2.ª Guerra Mundial e é um romance de formação narrado pelo protagonista, anos mais tarde, revivendo as lembranças de seu primeiro amor. Arturo, cuja mãe morreu em seu parto, apaixona-se pela nova mulher de seu pai, uma adolescente apenas dois anos mais velha que ele. 

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