Montagem/Estadão
Montagem/Estadão

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em outubro

Confira lançamentos literários, entre ficção e não ficção, brasileiros e estrangeiros, que merecem estar na sua estante

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 07h00

Todos os meses, a equipe do Aliás indica dez livros publicados recentemente para integrar a estante do leitor. Este mês, integram a seleta livros nacionais e internacionais, clássicos e contemporâneos, de ficção ou não ficção.

Autobiografia Precoce - Pagu (Companhia das Letras)

Pagu - Autobiografia Precoce foi escrito em 1940. Patrícia Galvão havia sido presa dezenas de vezes quando escreveu esse relato sobre sua militância política, os seus vários relacionamentos amorosos e os filhos. A autobiografia, além de corajosa, revela uma boa escritora e, melhor, uma mulher honesta, sincera, que teve um a iniciação sexual precoce e um casamento turbulento com o escritor modernista Oswald de Andrade. Pagu conta ainda seus anos de militância no Partido Comunista e o desencanto que teve com o regime soviético. Figura marcante na cena cultural de São Paulo e Santos, ela formou várias gerações de jovens atores e diretores no teatro da Baixada Santista.

A República das Milícias - Bruno Paes Manso (Todavia)

Dos esquadrões da morte formados durante o regime militar, nos anos 1960, ao extermínio comandando pelos tráfico de drogas nos anos 1980 e 1990, da ditadura às máfias de caça-níquel e o assassinato de Marielle Franco, A República das Milícias faz uma radiografia do poder paralelo que ameaça corroer as instituições do País, especialmente após 2018, ano da eleição de Jair Bolsonaro. O livro foca em nomes como Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega e Ronnie Lessa, três homens ligados a uma forma violenta de gestão de território que domina as cidades há mais de duas décadas e tem nessa investigação um compromisso jornalístico.

O Naufrágio das Civilizações - Amin Maalouf (Vestígio)

Amin Maalouf, escritor franco-libanês, no polêmico O Naufrágio das Civilizações, comenta o sectarismo radical que tem sido, segundo ele, uma das causas principais do declínio da nossa civilização. Radicado na França, Maalouf argumenta que uma engrenagem destruidora pode levar ao colapso o mundo tal como o conhecemos. É um ensaio em que sobram críticas ao chamado mundo “civilizado’, que acredita muito na tecnologia e na economia, e pouco nas relações humanas. A edição brasileira vem com um epílogo escrito em julho de 2020 no qual o autor reflete sobre a pandemia de Covid-19 e a robotização, calamitosa, segundo ele.

Senhores do Orvalho - Jacques Roumain (Carambaia)

O livro, de 1944, é tido como o marco inicial da moderna literatura haitiana. Escrito originalmente em francês por Jacques Roumain, Senhores do Orvalho tem pontos em comum com o escritor brasileiro Graciliano Ramos, especialmente com Vidas Secas, publicado em 1938. O romance trágico de Roumain conta a história de Manuel, lavrador que retorna para a sua vila natal após ter trabalhado por 15 anos nos canaviais de Cuba, onde tomou contato com o sindicalismo e o socialismo. No Haiti ele testemunha a seca e a desunião, além da violência e antigas discórdias familiares, tentando apaziguar os moradores, conseguir água e confrontar especuladores e a polícia.

Götz von Berlichingen da Mão de Ferro - Goethe (Aetia)

Marco do movimento Sturm und Drang, Götz von Berlichingen da Mão de Ferro retrata a tragédia de um nobre que enfrenta o declínio dos ideais heroicos e a ascensão de uma nobreza indolente e corrupta. A peça é considerada uma obra central do Sturm und Drang por fundar uma estética que confronta os valores do teatro europeu clássico da época. Em seu lugar, Goethe propõe um sistema antecipatório, obrigando encenadores a uma dinâmica extenuante (trocas contínuas de cenários, diversos eventos apresentados de forma retrospectiva) e os espectadores, a montar um quebra-cabeças estimulante que influenciou Schiller e, principalmente, Wagner.

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury (Biblioteca Azul)

Quando circulou nas redes sociais o vídeo de um casal de idosos queimando os livros de Paulo Coelho após críticas do escritor ao atual governo, a comparação foi inevitável: Fahrenheit 451. O clássico de Ray Bradbury é um dos romances fundamentais da distopia, gênero cada vez mais em alta. Publicado em 1953, o livro imagina um mundo em que os bombeiros não mais apagam incêndios, mas ateiam fogo aos livros – esses objetos subversivos cuja posse é proibida. A nova edição publicada pela Biblioteca Azul vem na esteira das comemorações do centenário do autor, um crítico mordaz do anti-intelectualismo e do autoritarismo em todas as suas manifestações.

Salammbô - Gustave Flaubert (Carambaia)

O escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880) chamava Salammbô de ‘romance cartaginês’. Isso porque o livro, que levou cinco anos para ser escrito em meio à vasta pesquisa histórica e às viagens que o autor fez, se passa em Cartago, no norte da África, no século 3 a.C., durante as Guerras Púnicas. Escrito após Madame Bovary, Salammbô manteve o interesse de Flaubert nas personagens femininas, mas marcou o salto de uma obra contida, realista e de viés psicológico para um panorama épico carregado de tons exóticos. O pano de fundo histórico tem como fio condutor a obsessão do mercenário líbio Mâthos pela sensual sacerdotisa Salammbô.

Aké: Os Anos de Infância - Wole Soyinka (Kapulana)

O escritor, dramaturgo, poeta e ensaísta nigerniano Wole Soyinka foi o primeiro – e por enquanto único – africano negro a ser laureado com o prêmio Nobel de Literatura, em 1986. Eleito um dos 12 melhores livros africanos do século passado pela ASC Library, Aké: Os Anos de Infância foi publicado originalmente em 1981 e é tido como uma das principais portas de entrada para a obra de Soyinka – e para a literatura africana. A obra, um dos seis trabalhos autobiográficos do escritor, narra a juventude conturbada de Soyinka no vilarejo iorubá de Aké durante a 2ª Guerra Mundial. Em 2017, essas memórias foram filmadas pelo diretor nigeriano Dapo Adeniyi.

Floresta é o Nome do Mundo - Ursula K. Le Guin (Morro Branco)

Os pais de Ursula K. Le Guin, o casal de antropólogos Alfred e Theodora Kroeber, descobriram o último sobrevivente da tribo Yahi, vítima de um genocídio na Califórnia no século 19. Essa experiência de radical estranhamento cultural moldou a literatura de Le Guin, que se debruçou sobre a questão do contato entre modos de vida distintos em sua saga de livros conhecida como Ciclo Hainish. Um desses livros, Floresta é o Nome do Mundo, inédito e necessário no Brasil, retrata a invasão do distante e verdejante planeta Athshe pelos brutais colonizadores da Terra, que matam e escravizam os nativos como fizeram tantas vezes em seu mundo natal.

Dois Hussardos - Leon Tolstoi (34)

Dez anos antes de se lançar na escrita de seu épico histórico Guerra e Paz, o escritor russo Leon Tolstoi já desenvolvia a dicotomia entre a História com H maiúsculo e os personagens anônimos na novela Dois Hussardos. Um soldado da geração vitoriosa que expulsou Napoleão em 1812 passa uma noite de farra num vilarejo indeterminado. Bebe, joga, se envolve com uma viúva e conquista todos com seu carisma. Duas décadas mais tarde, seu filho, também militar, pernoita no mesmo vilarejo e falha em tudo o que o pai foi bem-sucedido. A obra contrapõe dois momentos da história russa, de euforia e desolação, por meio de duas gerações de soldados.

Tudo o que sabemos sobre:
literatura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.