Dez livros essenciais recomendados pelo 'Aliás' em novembro

Dez livros essenciais recomendados pelo 'Aliás' em novembro

Lançamentos brasileiros e estrangeiros compõem a lista das leituras que não podem faltar na estante nesse mês

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2018 | 16h00

A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de novembro:

Rasputin - Douglas Smith (Companhia das Letras)

Antes de se tornar um historiador premiado, o americano Douglas Smith trabalhou durante anos para o Departamento do Estado americano na extinta URSS. Isso explica sua familiaridade com a cultura russa e seu interesse por figuras históricas. Sua densa biografia de Rasputin, o poderoso monge próximo do czar Nicolau II, conta não só sua vida como analisa o estranho fascínio dos russos pelo misticismo (Rasputin foi o curandeiro do czar). Figura polêmica, visto por uns como um santo e acusado por outros de devasso, Rasputin emerge das páginas de Smith como um homem cujos inimigos eram mais poderosos e planejaram seu assassinato.

The Wanderer and his Shadow - Gunnar Decker (Harvard)

Na biografia do escritor alemão Herman Hesse, The Wanderer and His Shadow, Gunnar Decker não esquece que foram os hippies, nos anos 1960, que promoveram o autor de Steppenwolf (O Lobo da Estepe), que virou até nome de banda de rock em 1969. O que esses hippies não sabiam a respeito do escritor é que, a exemplo de seu personagem Harry Haller (de Steppenwolf), Hesse era depressivo (tentou o suicídio duas vezes). Traduzido em 34 línguas, Hesse, que ganhou o Nobel em 1946, virou guru da geração de 1960 e superou sua depressão quando Nina Dolbin entrou em sua vida, curando-se do medo da morte quando o amigo Hugo Ball morreu.

Grimm - Jacob e Wilhelm Grimm (Editora 34)

A edição contém todas as histórias reunidas pelos irmãos Grimm na primeira edição de Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos (1812-1815). Essa coletânea de histórias transmitidas por tradição oral e contadas por babás e camponeses sobrevivem ao progresso tecnológico e ainda hoje as crianças ouvem com prazer clássicos como Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida. Acadêmicos, linguistas e poetas, os irmãos Grimm ganharam notoriedade com suas fábulas infantis, mas se interessaram particularmente por histórias de origem alemã, não só as de camponeses como as que envolvem pessoas de outros segmentos sociais mais elevados.

Tchekhov e os Palcos Brasileiros - Rodrigo A. do Nascimento (Perspectiva)

As peças do dramaturgo russo Anton Tchekhov já receberam inúmeras montagens no Brasil, tanto clássicas como experimentais (e basta citar a versão de As Três Irmãs pelo Oficina, 1972). Em Tchekhov e os Palcos Brasileiros, o estudioso Rodrigo Alves do Nascimento pesquisa a recepção que suas peças tiveram no Brasil e enumera alguns exemplos de como Tchekhov resistiu a interpretações pouco ortodoxas de sua obra dramatúrgica, que enfrentou interpretações políticas e resistiu a outras abordagens desde que um pequeno grupo de teatro estudantil de Pernambuco decidiu montar uma peça sua em 1946, 42 anos após a morte do médico e escritor.

Morrer Sozinho em Berlim - Hans Fallada (Estação Liberdade)

O nazismo visto por cidadãos comuns da Alemanha não é exatamente algo novo na literatura, mas Morrer Sozinho em Berlim foi um romance pioneiro ao abordar, em 1947, logo após a guerra, a vida real de um casal de operários na Alemanha sob Hitler. O autor, Rudolf Ditzen, que adotou o pseudônimo Hans Fallada em homenagem aos irmãos Grimm, conta como Otto e Anna, que não simpatizam com o Führer, enfrentam a morte do único filho no campo de batalha. Fallada descreve o horror de viver sob uma ditadura violenta numa capital (Berlim) que, antes da ascensão de Hitler, era uma cidade cosmopolita, sem a truculência dos nazistas.

As Horas Vermelhas - Leni Zumas (Planeta)

As Horas Vermelhas é o segundo romance da jovem e promissora autora americana Leni Zumas, no qual ela imagina o que aconteceria se a onda conservadora que assola os Estados Unidos conseguisse um de seus objetivos atuais: suprimir os direitos reprodutivos das mulheres. Nessa América alternativa, Zumas posiciona o leitor como observador de cinco histórias separadas porém simultâneas: uma professora e escritora; sua aluna, que descobre uma gravidez acidental; uma mulher presa a um casamento infeliz; a filha adotiva de um casal “modelo”; e uma misteriosa curandeira. Todas elas são submetidas aos efeitos dessa decisão política.

O Ano do Dilúvio - Margaret Atwood (Rocco)

Segundo livro de uma trilogia, O Ano do Dilúvio vem depois de Oryx e Crake e antes de MaddAdão. No primeiro título o leitor é apresentado a um mundo pós-apocalíptico com flashbacks de uma sociedade tecnológica que manipula perigosamente a internet – especialmente a dark web –, a vigilância social e a engenharia genética para fins comerciais sem grandes freios éticos. Em O Ano do Dilúvio, Margaret Atwood enfatiza as críticas à pouca atenção dispensada pelos governos e pela sociedade às questões ambientais e dá uma pista de como aquele mundo tecnocrata perigosamente semelhante ao nosso sucumbiu a uma epidemia generalizada.

O Amor, Esse Obstáculo - Micheliny Verunschk (Patuá)

Ganhadora do Prêmio São Paulo de Literatura como autora estreante em 2015, a escritora pernambucana Micheliny Verunschk se dedicou, desde então, à publicação de uma trilogia que se encerra agora, composta por Aqui, no Coração do Inferno (2016) e O Peso do Coração de um Homem (2017). Passado na cidade fictícia de Santana do Mato Verde em um misto de romance histórico – os livros relembram o período da ditadura militar brasileira –, realismo mágico e prosa poética, O Amor, Esse Obstáculo mostra a protagonista Laura realizando uma espécie de arqueologia familiar, investigando o passado de seu pai, um antigo torturador.

Beren e Lúthien - J.R.R. Tolkien (HarperCollins)

Em meio à reedição da obra completa de Tolkien, Beren e Lúthien se sobressai como uma das mais importantes histórias da Terra-média e um dos poucos escritos ainda inéditos do autor. Publicado no exterior apenas no ano passado, o livro foi traduzido pela primeira vez para o português e conta com diversas versões do conto de um humano mortal e uma elfa imortal. A história de amor, tida como um dos grandes contos do Silmarillion, ganha anotações de Christopher, filho do autor e estudioso de sua obra. Essa lenda foi tão importante para o escritor que os nomes de Beren e Lúthien foram gravados na lápide em que repousam Tolkien e Edith Bratt, sua mulher.

O Portão do Obelisco - N.K. Jemisin (Morro Branco)

N. K. Jemisin foi a primeira escritora a vencer três vezes seguidas o Hugo, mais prestigiada premiação da literatura fantástica. Os livros responsáveis por esse feito são os que compõem a trilogia da Terra Partida: A Quinta Estação, O Portão do Obelisco e The Stone Sky, que deve ser lançado no Brasil em 2019. Em um continente fictício assolado por terremotos, em que tragédias geológicas são frequentes, Jemisin constrói uma sociedade que prima pela resiliência, mas que é calcada no preconceito contra os orogenes, uma casta de pessoas que consegue dominar essas forças destrutivas da natureza. A parábola de Jemisin é um alerta sobre o racismo para os novos tempos.

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