'É importante apoiar a geração de atletas que vem por aí'

Carta aberta ao governo federal

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 20h24

Cesar CieloNADADOR BRASILEIRO, MEDALHA DE OURO EM PEQUIMO Brasil precisa de uma política de esportes consistente. Iniciativas como a do bolsa-atleta são excelentes porque fazem o dinheiro chegar até o esportista que ainda está começando sua carreira e precisa de recursos para crescer. O esporte brasileiro ainda é carente de investimentos e essa verba tem de chegar até o atleta, principalmente os mais jovens, que têm de estudar e treinar. Falo nisso desde que cheguei da Olimpíada de Pequim, trazendo a primeira medalha de ouro, nos 50 metros livre (e uma de bronze nos 100 metros livre), da natação brasileira. É fácil ter apoio financeiro depois que se chega lá, ao resultado. Mas e quem ainda precisa de recursos para obter bons resultados? No Brasil é sempre o clube que banca o desenvolvimento do atleta. Ou até mesmo o "paitrocínio", isto é, o apoio dos familiares. Hoje, os atletas novos dependem dos clubes e dos pais. Não existe uma estrutura que una o esporte ao estudos, como a das universidades norte-americanas. É importante apoiar a geração de atletas que vem por aí. Desenvolvimento esportivo significa treino na piscina, musculação, trabalhos de biomecânica, descanso, alimentação, psicologia, estudos, competição, viagens. Tudo isso custa muito. É importante pensar em beneficiar o atleta se o País quiser resultados em competições nacionais e internacionais. Além disso, o esporte cumpre uma função social no Brasil. Acredito que esportes com bola, como o futebol e o vôlei, recebam mais verbas. Já esportes individuais, como o atletismo e a natação, que exigem uma dedicação enorme, ainda sentem a necessidade de mais apoio. É só uma questão de investir no esporte que os resultados vão aparecer, em medalhas e em benefício aos jovens.

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