'Em 500 anos, 76 espécies de mamíferos desapareceram, e 188 estão no mesmo caminho'

Carta aberta à sociedade brasileira

O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 22h15

Claudio e Suzana PaduaFUNDADORES DO INSTITUTO DE PESQUISAS ECOLÓGICAS (IPÊ)Escrevemos de Barcelona, onde estamos participando do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Esta semana foi divulgada a nova lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção, compilada por 1.700 especialistas de 130 países. Como líderes de um grupo de pesquisadores dedicado à conservação de diversas espécies, inclusive o mico-leão-preto, que depois de mais de 20 anos de trabalho ininterrupto apresenta um dos poucos casos de sucesso na nova lista, sentimo-nos envergonhados e indignados ao ver ameaçados de extinção 1.141 dos 5.487 mamíferos que dividem o planeta Terra conosco. Mais grave ainda é constatar que nos últimos 500 anos pelo menos 76 espécies de mamíferos desapareceram para sempre, e 188 estão no mesmo caminho, principalmente pela ação do homem sobre seus habitats. Os primatas, nossos parentes mais próximos no mundo animal, já atingiram números desesperadores. Cerca de 50% das espécies correm risco de desaparecer ainda em nossa geração, entre elas todas as espécies de gorila, orangotangos e chimpanzés. O mais grave é que toda essa destruição não levou o ser humano, de uma forma geral, a melhorar a qualidade de vida. Precisamos encontrar modelos de valorizar nosso planeta, compreendendo que somos parte dessa teia de vida que nos circunda. Essa é a única forma de convivermos harmoniosamente com os demais seres.

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