Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

'Em função da estética, vive-se uma tensão constante, tendo a anatomia como o pior algoz'

PSICANALISTA, COORDENADORA DO NÚCLEO DE BELEZA DA PUC-RIO, AUTORA DO LIVRO O INTOLERÁVEL PESO DA FEIÚRA

Joana de Vilhena Novaes, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2009 | 03h39

O terror que acompanha a obsessão da estética corporal traz uma série de prejuízos sociais, físicos e psicológicos, produzindo um conjunto de inquietações que se manifestam com relação ao sujeito e a seu próprio corpo.

É nesse contexto que temos de entender as inúmeras mortes decorrentes de intervenções corporais.

Jennyffer Stephane Ramalho, de 16 anos, é a mais recente vítima; não sabemos se de anabolizantes, anestesia ou uma complicação resultante de uma sessão de tatuagem.

Em nome de quê? Por que ignoramos os riscos envolvidos no uso de anabolizantes, de escarificações e implantes, de múltiplas e simultâneas cirurgias plásticas, de cirurgias ginecológicas meramente estéticas (peeling clitoriano), ou de exercícios físicos associados a drogas.

Certamente a pressão do grupo não pode ser ignorada: pertencer é preciso. Seguir os ditames da moda de cada tribo é fundamental. Para isso, não importam as consequências.

O corpo "trabalhado" entrou em cena. Mas por ele você pagará um alto preço. Não é à toa que o termo empregado é malhar - malha-se como se malha o ferro, marca-se o corpo numa busca que, muitas vezes, escapa aos limites do humano.

Em função dos cânones estéticos vive-se uma tensão constante entre o constrangimento psicológico e as exigências simbólicas, tendo a própria anatomia como seu pior algoz.

O corpo como morada é assim transformado na nossa mais mortífera arma.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.