Em novo livro, o 'sociólogo da economia'

"Meu objetivo é interpretar, à luz de Adam Smith, a transferência do epicentro da economia política global da América do Norte para a Ásia Oriental, e seu impacto para o mundo." Assim Giovanni Arrighi apresenta o livro Adam Smith em Pequim, publicado em 2007 nos EUA e que será lançado em maio no Brasil, pela Boitempo Editorial. Formado em economia na Itália, até os anos 70 Arrighi esteve envolvido com estudos sobre desenvolvimento econômico ( que inclusive o levaram a pesquisas de campo em vários países africanos) e sobre o movimento operário. No início dos anos 80, contudo, transferiu-se para os EUA, onde passaria a pesquisar os efeitos da crise mundial sobre as economias nacionais. Por lá ficou. Hoje coordena o Centro de Estudos Globais da Johns Hopkins University, investigando as desigualdades no capitalismo globalizado. Um de seus livros mais conhecidos - e premiados - é O Longo Século 20 (Ed. Contraponto), sobre ciclos de acumulação do capital. O artigo desta página é um trecho de "Estados, mercados, capitalismo no Oriente e no Ocidente", um dos capítulos de Adam Smith em Pequim. A referência ao "pai" da economia moderna, já no título, não é acidental. Arrighi estabelece um dilema teórico ao contrapor a China do equilíbrio, que era o mundo perfeito para Adam Smith no século 18, mundo esse que sofreria uma derrocada colossal, ao capitalismo de fatura inglesa, com base nas teorias de Marx, que viriam dar no fordismo. Ao imaginar a Ásia como epicentro econômico do século 21, prevê a influência declinante dos EUA com o abandono do "Projeto para um Novo Século Americano" proposto por George. W. Bush, depois de 11 de setembro de 2001.

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2008 | 22h11

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