'Estamos desenvolvendo um pacto sinistro e inconseqüente na condução de veículos'

Carta aberta à sociedade brasileira

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2008 | 22h47

Ailton Brasiliense PRESIDENTE DA ASSOC. NAC. DE TRANSPORTES PÚBLICOS (ANTP)Só neste ano, 170 mil condutores já atingiram ou ultrapassaram os 20 pontos em multas na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). E agora, o que podemos fazer? Houve rigor excessivo por parte dos agentes públicos ou as infrações foram adequadamente punidas? Institutos de pesquisa de trânsito informam que para cada 10 mil infrações, apenas uma é registrada, ou seja, vira multa. Ainda que essa relação seja dez vezes menor, o que está acontecendo? Devemos, entre outras coisas, rever nosso conceito de direção. Nós da sociedade civil e as autoridades de trânsito - dos três níveis de governo - estamos desenvolvendo um pacto sinistro e inconseqüente na condução de veículos. Acreditou-se por muito tempo que não haveria nenhuma relação entre nosso débil processo de habilitação, com a quase total ausência de fiscalização, assim como os pouquíssimos investimentos em educação de trânsito, com o crescimento no número de acidentes no trânsito. Dados evidenciam essa realidade: cem pessoas morrem e outras mil ficam feridas diariamente, o que custa R$ 76 milhões, segundo dados do Ministério da Saúde, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Temos sido coniventes com as compras de CNH e com propostas de pagamento de propina aos agentes que trabalham nas ruas e estradas. Vale tudo para evitar a punição. Estima-se, ainda, que um terço da frota de automóveis não seja licenciada anualmente. Esse quadro só será revertido quando uma nova relação entre condutores e direção for estabelecida e resultados positivos de cidadania, alcançados.

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