'Eventos públicos importantes têm seu brilho ofuscado pelo uso abusivo do álcool'

carta aberta à população e às autoridades

Antonio Carlos Egypto, psicólogo educacional e clínico, sociólogo, crítico de cinema, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2009 | 00h29

As notícias são recorrentes: acidentes, brigas, violência nos estádios, violência no trânsito e, em toda a parte, assassinatos. Eventos públicos importantes para a cultura e a cidadania têm seu brilho ofuscado, em alguns momentos, por ações descontroladas. Que elemento comum está presente em muitos desses fatos? O consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Mais de 90% dos acidentes fatais e dos crimes violentos envolvem abuso no consumo de álcool. Ele é o grande combustível que alimenta impulsos agressivos e atos antissociais. Por ser a droga psicoativa mais consumida e disponível, é a mais perigosa delas. A evidência dos efeitos produzidos por motoristas alcoolizados levou à lei que impede o consumo de álcool aliado à direção. Já foi um avanço, mas é preciso garantir uma fiscalização constante. E quanto à violência, o que é que se está fazendo? As restrições à propaganda do consumo de álcool são pífias. Fantásticos comerciais de cerveja incentivam sobretudo os mais jovens a beber. Aparece a mensagem obrigatória de beber com moderação, mas é muito pouco para contrabalançar o apelo ao consumo. E por que cerveja pode ser anunciada livremente, enquanto outras bebidas têm maior restrição? Porque seu teor alcoólico é menor? Ora, cervejas são consumidas em quantidade, desbragadamente. O teor alcoólico é brutal. É urgente a regulamentação de restrições muito maiores à sua publicidade. Em eventos públicos, a venda livre de bebidas alcoólicas potencializa o consumo abusivo. Muitos eventos esportivos e culturais são patrocinados por bebidas, associando desempenho esportivo, arte e beleza a um consumo problemático e que requer muito esforço para que se consiga o tal uso moderado. É possível educar a criança e o adolescente para entender o que a bebida alcoólica representa. Programas de prevenção são importantes nas escolas. Não se trata de ser moralista, pregar abstinência ao álcool. Ele faz parte da realidade e é possível conviver com a bebida sem que ela nos destrua. Mas, se estimularmos os jovens ao consumo precoce, o futuro será ainda pior. Menores de 18 anos não estão autorizados a consumir bebidas alcoólicas, por lei. O álcool para elas é tão ilícito quanto a maconha ou a cocaína. Está na hora de agir, em todas as direções, para preservar a saúde, a vida e a dignidade humana no convívio em sociedade.

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