'Falar do Brasil é retratar o papel civilizatório que a população negra cumpriu'

Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC

André Lázaro, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2008 | 21h14

O Brasil é o segundo país do mundo em população negra. Não parece, quando olhamos nossos livros didáticos, assistimos a TV, vemos fotos de nossas autoridades, empresários e escritores. Que país é este, afinal? O Brasil é um país diverso, cultural, étnica e socialmente falando. Nossas ricas diversidades tornam-se diferenças, nossas diferenças tornam-se desigualdades e as desigualdades tornam-se exclusão. Como romper o ciclo perverso? A educação tem o papel de criar oportunidades iguais para todos. A diferença que separa a escolaridade média da população branca da população negra se mantém constante há três gerações. A exclusão também alcança nossas salas de aula. A taxa de analfabetismo da população negra é o dobro da taxa da população branca. Como fazer com que a educação, a maior promessa de igualdade das sociedades democráticas, contribua para superar a histórica perpetuação de desigualdade? A educação brasileira deve falar do Brasil. Assim podemos entender melhor o presente para superar as heranças perversas que se transmitem a cada geração. Queremos que nossas crianças, jovens e adultos se reconheçam. Falar do Brasil é retratar o papel civilizatório que a população negra cumpriu, mesmo nas condições tão adversas e violentas a que foi submetida. A lei que institui o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira pretende que a educação contribua para que o País se reencontre e se admire. Assim, como sabemos valorizar nossas festas negras, como o carnaval, os reizados, o maracatu, a comida e os talentos negros, saberemos também dar valor a nossa história. Se somos negros quando nos retratamos, por que os excluímos quando convivemos?

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