Hoje é seu dia de rico, bebê!

A nova classe média brasileira ainda não teve esse prazer, mas isso é questão de tempo, não tem erro: depois que o salário de um ex-pobre ultrapassa a casa dos R$ 5 mil, não dá lá pra fazer muita estripulia com a grana, mas, de dez em dez anos, o cara acorda com a notícia de que, pelos números do último Censo sobre a renda nacional, ele já pode se considerar um brasileiro rico. É mole?

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h07

Aconteceu essa semana com quem ganha qualquer coisa na faixa dos R$ 5.345,22, média salarial dos "mais ricos", segundo dados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE na quarta-feira.

Se é seu caso, caro leitor, parabéns! Convém, entretanto, comemorar discretamente, como, aliás, é costume das elites para não chamar a atenção do Imposto de Renda nem despertar olho gordo nos pobretões.

Sorria com o canto da boca e, se não resistir, empine levemente o nariz! Num país em que a renda média mensal da população é de R$ 1.202,00 - com os 10% mais pobres desse contingente vivendo com miseráveis R$ 137,00 -, melhor que você na foto da desigualdade social da última década só aquele 1% da população - ô, raça! - com vencimentos de R$ 16.560,22, em média.

Não é nada, não é nada, em nenhuma outra circunstância vão dispensar tratamento de "rico" a alguém com cincão no holerite da firma. Para quem até outro dia mesmo ainda era pobre, francamente, a tal nova classe média brasileira não perde por esperar para sentir esse gostinho em 2021, quando sai um novo Censo. Passa rápido.

Prova dos 9. Segundo dados do Censo 2010, a cidade de São Paulo tem 1 rico para cada 9 pobres. Isso quer dizer o seguinte: quando chegar a hora da distribuição efetiva de renda, vai dar briga entre rotos e esfarrapados. Não tem rico pra todo mundo.

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