'Limitação da publicidade de cigarros tornou as estratégias de marketing mais sofisticadas'

ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão

O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2007 | 22h23

Paula JohnsCOORD. DA ONG ALIANÇA PARA CONTROLE DE TABAGISMO NO BRASILO release da BIC sobre o lançamento de sua nova série de isqueiros utilizando personagens orientais que viraram febre entre jovens do mundo todo não tenta esconder que tem como público-alvo os jovens. Já a Philip Morris jura de pés juntos que não quer vender cigarros aos jovens, e diz em sua página na web que "tentar impedir que os jovens fumem é a coisa certa a fazer". Não restam dúvidas de que, com a limitação da publicidade aos pontos de venda de cigarros, o marketing mudou muitíssimo nos últimos anos. As estratégias estão bem mais sofisticadas e cada vez mais sutis. Isqueiros estão diretamente associados a cigarros, no universo das drogas lícitas, e a umas tantas outras substâncias no universo das drogas ilícitas. Lançar um isqueiro com temas que influenciam diversos segmentos, como o próprio departamento de marketing assume, é um estímulo e tanto para os jovens começarem a fumar. Como explica o próprio release: "O mangá influencia diversos segmentos, entre eles cinema, moda e comportamento. Pensando nisso, ilustramos nossos isqueiros e provamos que, além de colecionáveis, eles podem ser um acessório com muito estilo e personalidade". O projeto da BIC cria um hotsite com jogos interativos e com direito a concorrer a playstations. Isto, na melhor das hipóteses, é uma enorme irresponsabilidade social por parte da BIC. Pelo perfil da campanha, a BIC investiu recursos significativos nesse lançamento. Por que não lançar canetas ou produtos que estejam associados a outros comportamentos que não o fumo, já que o mangá exerce tanta influência sobre os jovens? Na semana do Dia Nacional de Combate ao Fumo, com ampla repercussão nacional, lançar isqueiros com mangá é uma tremenda coincidência.

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