Loucura da Sexta-feira

Negra Nove mil americanos ignoraram os protestos de 'não compre, ocupe' e fizeram fila do lado de fora da loja Macy's, em Nova York, à espera dos descontos de Ação de Graças

Stephanie Clifford, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h07

Esperando ao pé de uma escada rolante na loja da Toys R' Us de Times Square às 22h de quinta, pouco depois de o estabelecimento ter aberto suas portas com as ofertas da Sexta-feira Negra, Yasmin Santiago e Dexter Valles tentavam fazer com que várias caixas coubessem num carrinho de mão. Mas os pais de gêmeos não estavam lá à procura de brinquedos - seu objetivo eram as fraldas. "Preços baixos", disse Yasmin, explicando o motivo de eles terem ido às compras depois do jantar de Ação de Graças. A promoção de fraldas, 56 por US$ 10, era melhor do que as ofertas da concorrência. "No momento, estou de licença no trabalho", disse ela. "Temos duas crianças e metade da renda familiar", falou Valles.

Para as lojas, a sexta-feira seguinte ao feriado de Ação de Graças pode ser o dia mais movimentado em vendas de todo o ano e um indicativo daquilo que os lojistas terão de fazer no restante da temporada. Com uma Sexta-feira Negra forte, eles podem em geral manter seus preços mais altos e supor que o estoque será vendido até as festas de fim de ano; uma Sexta-feira decepcionante significa que terão de reduzir o preço das ofertas para conseguir tirar do inventário tantas mercadorias quanto o possível antes do Natal.

Na loja da Herald Square, os representantes da Macy's estimaram que havia 9 mil pessoas do lado de fora à espera da sua abertura à meia-noite, um número maior que o visto nos últimos anos, quando a loja abriu nas primeiras horas da manhã. Kester Richards, de 18 anos, era o primeiro da fila e estava esperando havia quatro horas. Richards disse que era um freguês habitual da Macy's e estava à procura de roupas Ralph Lauren, mas nunca antes tinha participado de uma Sexta-feira Negra.

Depois que a multidão entrou, um grupo de aproximadamente 15 manifestantes começou a gritar, "Não compre; ocupe" diante da entrada localizada na Broadway. Seguranças vigiavam a porta, mas não tentaram impedir a manifestação. Um dos manifestantes, Teddy Tamirat, conseguiu chegar ao saguão da Macy's e, depois de receber os fregueses com um "bem-vindo à Macy's", dizia-lhes para não gastarem seu dinheiro ali. Ele fez isso durante vários minutos antes que um segurança lhe pedisse que fosse embora.

"As pessoas ainda gostam de comprar, é o que sabem fazer", disse Tamirat posteriormente. "Mas nada daquilo que é vendido aqui foi fabricado no país, nada disso vai beneficiar nossa economia local."

Analistas disseram que a abertura das lojas à meia-noite foi em parte uma jogada de marketing - cria mais animação em relação às ofertas - e em parte um reflexo da situação econômica, que obriga as lojas a se envolverem numa concorrência acirrada pelos fregueses. A disposição dos consumidores em gastar é um tema que tem levado preocupação aos executivos das lojas.

"Do ponto de vista econômico, acho que podemos dizer que as pessoas estão atualmente submetidas a um estresse maior do que há um ano, e vimos pessoas que passaram o ano todo em busca de ofertas vantajosas", disse Mike Vitelli, presidente da Best Buy. Em outros anos, quando a Best Buy abria logo cedo na manhã da Sexta feira Negra, "a maioria das pessoas já estava na fila à meia-noite e, por isso, abrir neste horário proporciona uma boa experiência de compras para o consumidor", disse ele.

Na abertura da Macy's à meia-noite os consumidores corriam aos gritos e pulos depois de esperar horas na fila. "É uma loucura. Com tantas pessoas aqui dentro, não dá para saber em que hora do dia estamos", disse Mandeep Chandna, visitante de Calgary, Alberta. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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