Mães da comunidade devem auxiliar professores nas salas de aula?

Participação familiar em classe Na tentativa de elevar o desempenho de alunos de escolas em áreas de riscos, a secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, propõe o recrutamento de mães de crianças e jovens da comunidade para atuar em parceria com os professores nas salas de aula. Na cidade do Rio, os 200 colégios situados em regiões de favelas reúnem mais de 100 mil estudantes. A prefeitura vai oferecer ajuda de custo às voluntárias para transporte e alimentação. Resultado da enquete:Sim> 68%Não> 32% Confira a próxima enquete em www.estadao.com.br O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS ?Sem formação adequada para a tarefa, ajuda seria pequena?MARIA STELA SANTOS GRACIANIPROF. E COORD. DO CURSO DE PEDAGOGIA DA PUC-SP Não cabe as mães auxiliarem professores nas salas de aula, seja na rede pública de ensino, seja em escolas particulares. Essa não é a atribuição fundamental das mães, nem mesmo dos pais. Não creio que as mães possam ajudar a melhorar a qualidade das relações escolares sem uma formação adequada. Falta-lhes tempo até para orientar sua prole, principalmente no que se refere a limites, normas societárias, respeito e regras civilizatórias. O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente está lançando uma política pública de exigências mínimas para crianças e jovens que reafirma a importância da convivência familiar e comunitária no combate ao comportamento escolar. Nos últimos anos, ele vem se caracterizado por depredações das salas de aula, violência de grupos, agressões a professores, além de resultados abaixo do mínimo em relação à aprendizagem. Não seria conveniente recrutar mães para ocupar esse papel, mas sim manter uma integração entre a escola da família e a comunidade, para obter a efetiva melhora da qualidade do ensino.''Crianças cujas famílias são mais presentes têm melhores resultados''ANA MARIA ALMEIDAPROF. E PESQUISADORA DA FAC. DE EDUCAÇÃO DA UNICAMP A proposta indica um avanço na compreensão do lugar que cabe ao Estado na relação das famílias com a escolarização de seus filhos. Há evidências de que crianças cujas famílias estão mais presentes na escola alcançam melhores resultados. Parece que as famílias mais presentes compreenderiam melhor o jogo escolar e, por isso, preparariam melhor seus filhos para responder bem às expectativas dos professores; ou conseguiriam que a escola atendesse melhor os filhos. No entanto, a participação das famílias na escola não é uniformemente distribuída pelo conjunto da população - colaboram aquelas mais escolarizadas, que pensam que a função dos pais é ajudar na lição de casa e intervir com rapidez quando percebem a possibilidade de desastre. A iniciativa indica uma percepção de que cabe ao poder público construir pontes entre os grupos populares e a escola. Claro que o efeito da medida depende principalmente de variáveis de como se regulamentará a apresentação do projeto, a negociação entre professores e pais e a qualidade da "ajuda de custo" oferecida.

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