'Número de vítimas de erros médicos aumenta'

Carta aberta ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 22h24

Célia Destri, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DAS VÍTIMAS DE ERROS MÉDICOSPor ter perdido o rim esquerdo, em conseqüência de um erro médico grosseiro, fundei a Avermes - Associação das Vítimas de Erros Médicos. Sou pioneira no Brasil nesse tipo de trabalho, pois em outros países, como a França, é comum a participação da população em atividades que visem ao bem-estar social. É urgente a necessidade de haver um diálogo amplo entre os Ministérios da Saúde, Educação e a população, visando a uma melhor formação profissional em todas as áreas,mas, principalmente na da Saúde. Porque essa área diz respeito à vida. Lamentavelmente, no decorrer destas duas décadas de dedicação total às pessoas que sofreram o infortúnio de se verem lesadas física, moral e economicamente, em decorrência de negligência, imprudência e imperícia, o número de vítimas tem subido assustadoramente,sem que nada, absolutamente nada a respeito venha sendo feito de concreto. Infelizmente, desde que a associação foi fundada o maior número de erros ocorreu na especialidade de obstetrícia, no nomento mais sagrado da vida de uma mulher, que é o momento do parto. Fetos normais acabam se tornando bebês com paralisia cerebral (por terem passado da hora de nascer e não receberem oxigenação no cérebro); deficientes físicos, por causa do deslocamento da clavícula; com esmagamento do crânio, por terem sido puxados por fórceps; etc. Tudo isso devido à má administração na área da Saúde, somada à má formação profissional e à proliferação de faculdades sem condições de preparar o indivíduo para o mercado de trabalho que, na verdade, no Brasil, é escasso. Vale ressaltar que nem o atendimento privado tem correspondido às expectativas da população que se associou aos planos de saúde. Até estes estão se assemelhando ao extinto Inamps. Ao procurar atendimento em uma situação de emergência, o paciente às vezes fica horas e horas esperando e tem poucos minutos da atenção do médico, que se diz insatisfeito com o que lhe pagam. A proposta de um encontro entre vários segmentos da sociedade para procurar uma solução para o problema está lançada. Esperamos que se chegue a um resultado favorável àqueles que desejam apenas ser tratados com humanidade.

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